2012-12-16

Deus


Para os ateus, o Deus bíblico não é de crer. Está muito bem. Por isso se afirmam ateus. Mas não pensam duas vezes quando, remetendo para esse mesmo Deus, pressurosamente, lhe assacam instintos e actos de crueldade. 

Até o ser humano mais insensível, desconfiaria que algo não batia certo, se lesse o episódio de "Génesis 22, 1-18) como acontecimento histórico e verdade literal. Vamos, então, considerar o episódio do sacrifício de Abraão como ficção que aconteceu nos primórdios dos tempos, e sem qualquer significância para a vida corrente? De todo! 
A verdade profunda que a ficção nos quer revelar é que não existe nada - dentro ou fora de nós - que nos possa "fechar" a Deus.

 




14 comentários:

  1. Esse episódio resulta da necessidade de, com uma linguagem narrativa própria da época, combater os sacrifícios humanos por razões religiosas, então comuns. Se percebermos q este trecho do Genesis representa um enorme avanço civilizacional ao abrir caminho para q os sacrifícios humanos fossem considerados hediondos, talvez a perspectiva mude radicalmente.

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  2. também. embora me pareça arriscado, situar isso num "acto isolado".

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  3. Nesse site, não são ateus (isso nem existe). São cromos armados em rebeldes e de loas à parvalhice adolescente (provocação & arremesso inconsequente).

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  4. acredita mesmo que não há ateus? como explica esse pressuposto?

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  5. O Lobo Antunes disse uma vez, a propósito de ateus e essa trapalhada, numa entrevista o seguinte: que há um provérbio hungáro, se não era hungáro é do leste europeu; o provérbio diz que um gajo, mesmo urinando para o rio, acrescenta alguma coisa.

    Mesmo mixando (foi mesmo o que disse), acrescenta alguma coisa. Entenda-o quem quiser (ao provérbio).

    Até o desgraçado do Nietzsche, sabia que o era. Disse-o no fim da vida.

    Ateus «declarados» são sempre adolescentes, naquela fase de confusão e afirmação de ideias. Um adolescente precisa disso. Mas um adolescente é parvo.

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  6. o provérbio está muito bom. :)

    mas eu não sou tão afirmativa em relação aos ateus (alguns). e já encontrei crentes com a mesma fixidez de ideias. se Deus está assim ao alcance de qualquer um (bastando para isso a vontade)não se está a negar o mistério e a transcendência?

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  7. :)

    Negar Deus categoricamente é tão impossível como afirmá-Lo. Quem tem FÉ, tem. Quem não tem, mija para o rio; depois verá o que lhe acontece.

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  8. Olá Maria,
    o Cristopher Hitchens A maior parte do tempo é um bocado parvo. A sua atitude só gera má s vontades e não serve para nada.
    Agora essa de a cena não dever ser lida de forma literal.
    Então deve ser lida como?

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  9. ON,

    o Cristopher Hitchens já não faz parte do mundo dos vivos há um ano e uns dias, mas deixou obra e há quem o cite a propósito.

    Quando se diz "literal" é no sentido que que não deve ser entendido como História, antes como catequese e teologia. Não a História de Deus na vida dos homens, mas Deus Senhor da História, sobretudo os escritos de origem sacerdotal que a par dos textos de origem javista e eloista, compõem o livro do Génesis.

    Depois, identificam-se diferentes géneros literários que, segundo a Pontifícia Comissão Bíblica em 1948:"Estas formas literárias não correspondem a nenhuma das nossas categorias clássicas e não podem ser julgadas à luz dos géneros literários greco-latinos e modernos".

    Pode-se dizer da totalidade dos livros da Bíblia, mas sobretudo do Génesis, a orientação dos diferentes escritos, não era nem histórica nem científica, mas teológica. É com esse olhar que deve ser lida.

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  10. Maria,
    se não queres entender a história de Abraão e Isaac como sendo literal, tudo bem.
    Mas então dá uma interpretação concreta!
    Algo que faça sentido e que nos faça crescer.
    Se só te refugias em frases vagas como e argumentos de autoridade, concluo que nunca pensaste a sério no assunto, ou que te está a faltar a coragem.

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  11. ON,

    não me estou a refugiar em nada. nem tenho medo de fazer perguntas. e também não dou como encerrada qualquer interpretação sobre este episódio do livro do Génesis. de todas as interpretações que li, a que mais me tocou foi a de Kierkegaard em "Temor e Tremor". e nem essa dou como conclusiva, tendo, no entanto, algumas ideias que para mim fazem sentido:

    "No momento de montar a cavalo diria com os meus botões: agora tudo está perdido, Deus exige Isaac, sacrifico-o e com ele toda a alegria; no entanto Deus é amor e continua sendo-o para mim, porque, na ordem temporal, Ele e eu não podemos conversar, não temos uma língua comum". A esta "imensa resignação", a seguir, chama-lhe "sucedâneo da fé." Não tenho a certeza que não seja. Não puseram na boca de Jesus crucificado um versículo do Salmo 22:"Meu Deus, Meu Deus, porque me abandonaste?"?!

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  12. Maria,
    tenho de lembrar que a questão era:
    "devemos aceitar a passagem do Genesis sobre Abraão e Isaac como sendo uma verdade histórica?"
    O problema da interpretação põe-se nos dois casos.
    O que eu te perguntei foi:
    Qual é a tua interpretação se não aceitas como verdade histórica?
    Responder com o Kierkegaard nãp vale:
    ele aceita que se trata de uma verdade histórica.
    Basta lembrar a frase de K que tu citas:
    "Deus exige Isaac, sacrifico-o e com ele toda a alegria;"

    Eu aceito com uma verdade historica a avanço com uma interpretação:
    A de "Resposta a Job".

    Ahhhh, e eu é que sou o ateu...

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  13. On,

    creio que sei qual é a tua resposta, mas é inevitável que pergunte: o que é uma verdade histórica? (neste contexto de que estamos a falar).

    Para mim, a verdade histórica é que Deus é fiel às suas promessas. Isto porque não isolo esta passagem, ou o livro de Job, de todas as outras que compõem os textos bíblicos.

    Sobre "a resposta a Job" fica para mais tarde...

    Nesta nossa contenda verbal, fica bem expresso que a discussão que importa ter não é a de ateu/crente, mas que Deus acreditamos ou não. Aliás, tenho a sensação de que foi sempre essa a questão que nos move as diferentes discussões.

    E não estou a fugir à questão...tens de ter paciência, só assim se desfazem novelos... :)

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