A lâmpada de Deus ainda não se tinha apagado (Sm 3,3)
É recorrente ser instada a dar as razões da minha solidão. Não deixa -aos olhos do mundo- de ser contra natura, uma pessoa decidir viver sozinha. Como se o viver sozinho seja, forçosamente, isolamento.
Como seres finitos, somos, naturalmente, insatisfeitos. O percurso humano foi descobrindo elementos que iludem e mitigam os nossos vazios interiores. Mas não há melhor forma de conviver com eles, do que enfrentá-los. E o silêncio e a solidão ajudam a torná-los presentes. É na escuridão que a pequena luz brilha de forma plena.
A constatação da finitude não é em si um fim. Porque a nossa vocação é à totalidade e ao infinito. E a lâmpada de Deus permanece acesa no mais íntimo de cada um. Criar condições exteriores para que esta realidade se torne cada vez mais evidente (em primeiro lugar ao próprio) é a atitude de quem quer viver desperto.
não bastam os estados de ânimo para fazer o poema, mas...
2012-03-31 em 3/31/2012 04:30:00 PM
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a ilusão dos simplismos
2012-03-30 em 3/30/2012 10:14:00 PM
Uma empresa auto-organiza-se no seu mercado: o mercado, um fenómeno ao mesmo tempo ordenado, organizado e aleatório. Aleatório porque não há certeza absoluta sobre as hipóteses e as possibilidades de vender os produtos e os serviços, mesmo se houver possibilidades, probabilidades, plausibilidades. O mercado é uma mistura de ordem e desordem.
Felizmente ou infelizmente - todo o universo é um cocktail de ordem, de desordem e de organização. Estamos num universo donde não se pode afastar o imprevisto, o incerto, a desordem. Devemos viver e tratar com a desordem.
A ordem? É tudo o que é repetição, constância, invariância, tudo o que pode ser colocado sobre a égide de uma relação altamente provável, enquadrado sob a dependência de uma lei.
A desordem? É tudo o que é irregularidade, desvio em relação a uma estrutura dada, aleatório, imprevisibilidade.
Num universo de ordem pura, não haveria inovação, criação, evolução. Não haveria existência viva nem humana.
Do mesmo modo nenhuma existência seria possível na desordem pura, porque não haveria nenhum elemento de estabilidade para aí basear uma organização.
As organizações têm necessidade de ordem e necessidade de desordem. Num universo onde os sistemas sofrem o aumento da desordem e tendem a desintegrar-se , a sua organização permite reprimir, captar, e utilizar a desordem.
Qualquer organização, como qualquer fenómeno físico, organizacional, e, bem entendido, vivo, tende a degradar-se e a degenerar-se.
O fenómeno da desintegração e da decadência é um fenómeno normal. Por outras palavras, o que é normal não é que as coisas durem sem se modificarem, isso seria pelo contrário inquietante. Não há nenhuma receita de equilíbrio. A única maneira de lutar contra a degenerescência está na regeneração permanente, por outras palavras, na aptidão do conjunto da organização para regenerar-se e para reorganizar-se, ao fazer frente a todos os processos de desintegração.
Esta trecho, retirado do livro de Edgar Morin, "Introdução ao Pensamento Complexo", é uma óptima ajuda para ler e compreender esta notícia. Sempre que a Igreja (nas suas mais altas estruturas) pretende manter a ordem e equilíbrio doutrinais, suprimindo outras visões, está a auto-aniquilar-se. Mantendo a ilusão de que a ordem é que é o garante da sua continuidade.
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a casa e eu
2012-03-29 em 3/29/2012 09:12:00 AM
é no teu silêncio que eu habito.
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será assim...o amor
2012-03-28 em 3/28/2012 09:43:00 PM
Há quem jure que o amor é
prisão, deliciosa prisão, fantasiam-no com grades, desejam-se
carcereiros. Esses desconhecem o puro afecto, de nada adianta dizer-lhes
que o amor é liberdade sem peias nem travões, comunhão milagrosa dos
que por inteiro se querem dar.
li aqui
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das razões de ser feliz - uma outra vez é primavera
2012-03-27 em 3/27/2012 09:23:00 PM
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como exemplo de sossego da alma
A ESTÁTUA E EU
Nos meus tempos mortos, ensino uma estátua a andar. Dada a sua imobilidade exageradamente prolongada, não é nada fácil. Nem para ela. Nem para mim. Dou-me conta de que uma grande distância nos separa. Não sou tão imbecil que não me dê conta disso.
Mas não se pode ter todas as cartas boas no nosso jogo. Ou então, adiante.
O que interessa é que o seu primeiro passo seja bom. Para ela, tudo reside nesse primeiro passo. Bem sei. Sei disso muito bem. Daí a minha angústia. Por conseguinte, aplico-me. Aplico-me como jamais o fiz.
Coloco-me junto dela de modo rigorosamente paralelo: o pé, como ela, levantado e rígido tal estaca enterrada na terra.
Porém nunca é exactamente igual. Ou o pé, ou a curva, ou o porte, ou o estilo, há sempre qualquer coisa que falha e o tão esperado arranque não pode ter lugar.
É por isso que cheguei a um estado em que eu próprio já quase não consigo andar, tomado de uma rigidez, todavia toda feita impulso, e o meu corpo fascinado faz-me medo e já não me leva a parte nenhuma.
Henri Michaux in "Antologia"
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porque hoje é domingo
2012-03-25 em 3/25/2012 12:01:00 PM
em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto. 25*Quem se ama a si mesmo, perde-se; quem se despreza a si mesmo, neste mundo, assegura para si a vida eterna.
Jo 12, 24-25
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como ficar crente
Num desses murmúrios que tantos de nós escrevemos neste diário aberto que são as redes sociais, alguém escreveu: "como é que ficamos crentes? também gostava de ser."
Ninguém ousou responder. Talvez porque esse acto de crer faça parte dos tais segredos sagrados (Sérgio Godinho in A Deusa do Amor).
A mim serviu para me encher de perguntas sobre a minha própria fé. Não tenho dúvidas que recebi a fé como testemunho pessoal de alguém que a procurava viver com uma coerência fora do comum.
Que tenho eu feito desse testemunho recebido? Testemunho que considero um bem precioso. Como o tenho tornado presente e real na minha vida? Eu, a quem a vida contemplou com extrema capacidade sensitiva - o que me abre imensas possibilidades. E também condicionantes.
No percurso feito, apreendo a tensão de passar além das imagens de um Deus bom (ou mau) que os sentidos manifestam. Aprender a viver com a fé dos "segredos sagrados" que nunca tem a mala pronta. Mas todos os dias é impelida a fazer viagem.
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Um menino
Ziguezagueava de chuteiras no campo de topázio, a seriema do crepúsculo em grito
indireto, macegas revelando serpentes frágeis, caminhava
com as mangas de uniforme encolhidas, o coração
priápico, a alma
plo avesso, imaginando encontrar um braço estendido, um ninho,
olhos femininos
de pássaro,
onde ele (só ele)
indefinidamente se esfregassse à vida.
Desceu o caminho do açude quando o martim-pescador regressava a seu mundo.
Água lisa e escura, o esperma do capim-gordura recendia,
os araticuns articulando-se ao verde
com os amarelos tortos e lenhosos de Van
Gogh. As torres se removiam quando cruzou a ponte,
suspirando, a trabalhar-se,
todos os pressentimentos farejando para sete ou oito sentidos,
sua avó ainda viva, compartilhando da inocência
montanhesa, somente agora perturbada: pois
ele aparecia enfim à tarde, mãos nos bolsos,
uma fome escancarada de espaço-tempo e maldade. Aparecia enfim
à tarde, para a tarde, com a tarde,
o frescor do pequeno porco-espinho, e o mal-estar
dos gambás que cheiravam mal antes da morte.
Caminhava pela casta masturbação dos verdes amarelos
que se remexiam,
os músculos a produzir um calor
que se perdia,
cuspindo o leite das margaridas mastigadas,
vacas chanfradas em flor para receber o girassol de um touro
subnutrido.
Uma criança. Frágil e forte.
Mas em laranjais de paraíso imprevisível.
Paulo Mendes Campos
(1922-1991)
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porque na verdade os nossos olhos não o viram
2012-03-22 em 3/22/2012 10:05:00 PM
Por aqui indaga-se: um Deus bom ou um Deus malévolo?
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ai estes tecnocratas
2012-03-21 em 3/21/2012 07:49:00 PM
Não é isto revelador duma tremenda insensibilidade?
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no dia mundial da poesia
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das razões para ser feliz - nunca é tarde
2012-03-20 em 3/20/2012 08:37:00 PM
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à margem
Estava ali um homem que padecia da sua doença há trinta e oito anos. Jesus, ao vê-lo prostrado e sabendo que já levava muito tempo assim, disse-lhe:"Queres ficar são?" Respondeu-lhe o doente:"Senhor, não tenho ninguém que me meta na piscina quando se agita a água, pois, enquanto eu vou, algum outro desce antes de mim."
Jo 5, 5-7
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olhe que não, Joana
19 de Março, Dia do Pai? Uma piada de mau gosto
Não sendo propriamente da nossa conta...mas tudo aponta para que um homem chamado José e uma mulher chamada Maria, foram , efectivamente, os pais biológicos de Jesus. Uma família tradicional há maneira do modelo que a Igreja defende.
Não sendo assim, José o pai biológico de Jesus, lá cairá por terra a construção argumentativa da Igreja.
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porque hoje é domingo
2012-03-18 em 3/18/2012 06:47:00 PM
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duas palavras bastam
Há o mar há a mulher
quer um quer outro me chegam em acessíveis baías
abertas talvez no adro amplo das tardes dos domingos
Oiço chamar mas não de uma forma qualquer
chamar mas de uma certa maneira
talvez um apelo ou uma presença ou um sofrimento
Ora eu que no fundo
apesar das muitas palavras vindas nas muitas páginas dos dicionários
bem vistas as coisas disponho somente de duas palavras
desde a primeira manhã do mundo
para nomear só duas coisas
apenas preciso de as atribuir
Não sei se gosto mais do mar
de gosto mais da mulher
Sei que gosto do mar sei que gosto da mulher
e quando digo o mar a mulher
não digo mar ou mulher só por dizer
Ao dizer o mar a mulher
há penso eu um certo tom na minha voz sinto um certo travo
na minha boca
que mostram que mais que palavras usadas para falar
dizer como eu digo a mulher o mar
mar mulher assim ditos
são uma maneira talvez de gostar
e a consciência de que se gosta
e um prazer em o dizer
um gosto afinal em gostar
Enfim o mar a mulher
pode num dos casos ser a/mar a mulher
mera forma talvez de uniformizar o artigo
definido singular
Há ondas no mar
o mar rebenta em ondas espraiadas nos compridos
cabelos da mulher
que ela faz ondular melhor de tarde em tarde
(...)
Ruy Belo in "O tempo das suaves raparigas e outros poemas de amor"
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a conversão é uma demanda através do conhecimento
2012-03-17 em 3/17/2012 03:23:00 PM
«...
Ele feriu-nos, Ele nos curará;
Ele fez a ferida, Ele fará o penso....Conheçamos, esforcemo-nos
por conhecer o SENHOR;
iminente, como a aurora, está a sua vinda;
Ele virá para nós como a chuva,
como a chuva da Primavera que irriga a terra.»
Oseias 6, 1-3
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umas vezes a pressa, outras o imobilismo. com Elis, hoje
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como nos defenderemos deles?
Aquele que se livrou dos seus demónios importuna-nos com os seus anjos. (Henri Michaux in Antologia)
Ocorreu-me, a propósito destes iluminados
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da relação com Deus
2012-03-14 em 3/14/2012 11:03:00 PM
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o essencial não é o rito
Por
isso, não vos deixeis condenar por ninguém, no que toca à comida e à
bebida, ou a respeito de uma festa, de uma Lua-nova ou de um sábado. Tudo isto não é mais que uma sombra das coisas que hão-de vir; a realidade está em Cristo.
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assombro
2012-03-12 em 3/12/2012 10:02:00 PM
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quando a fé é uma seca
O bispo a tentar escorripichar a fé do povo da sua diocese; e eu a sentir-me mais próxima da expressão de fé do poeta Ruy Belo: Deus anda à beira de água calça arregaçada.
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PROVA DA EXISTÊNCIA DA ALMA
Deixaste a ressurreição a meio.
Não me lembro de nada tão incompleto como ela.
O meu director fala de objectivos, fazemos mapas
e somos despedidos se. Ou temos prémios
e corrupção. Haja alguma arte em tudo isto.
Senhor, o teu corpo está seco na gaveta.
Estás no meio de nós coberto de bolor.
Nas palavras de São Paulo a criação teve parto e dores
em relação. Um prelúdio, sabemos hoje, prelúdio
sem mais nada. Os animais não aspiram à eternidade.
Nisto deveria consistir a alma que lhes foi negada.
Por menos despediria eu um empregado.
O meu cão brinca a que eu sou o cão dele.
Atira-me um osso e corro atrás, todos corremos atrás.
Mas é assim que se sobe na vida porque aspiramos.
Prova provada de que temos alma.
Rosa Alice Branco
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maresias
2012-03-11 em 3/11/2012 11:03:00 PM
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Henri Michaux in "Antologia"
Tradução de Margarida Vale de Gato
Relógio d'Agua
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porque hoje é domingo
Deixemo-nos de fantasias patéticas de um pseudo-jejum tipo aspirina
espiritual que não transforma nada e vamos proclamar um Jesus que
desprende de um ser cristão anestesiado com rubricas à margem da vontade
de Deus.
José Luís Rodrigues, retirado daqui
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em pé de igualdade
2012-03-09 em 3/09/2012 11:30:00 PM
De que igualdade se fala, quando falamos de igualdade? Sendo que a própria natureza é causadora de muitas das diferenças de que - como seres humanos - somos portadores.
Que critérios podemos usar para mantermos as nossas diferenças sem comparações nem juízos de valor?
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8 de Março dia da mulher
2012-03-08 em 3/08/2012 09:07:00 PM
Porque ainda são muitos os preconceitos, barreiras e obstáculos que impedem as mulheres de viver em condições de igualdade com os homens.
imagem-Reuters, Pequim 7/3/2012
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aquele mistério a que chamamos Deus
2012-03-07 em 3/07/2012 08:16:00 PM
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é na liberdade que somos
aqui
É consolador ler este texto do padre José Luís Rodrigues. As questões que coloca estão presentes na minha vida há muito tempo. Fui respondendo às mesmas de diferentes modos. Nos últimos tempos - e em relação à Igreja - a resposta acabou numa atitude de ruptura. Não é possível crescer num espaço onde não somos aceites como somos.
A ruptura não aconteceu por ser mulher. Mas por não aceitar pertencer a um grupo onde a subserviência - e não a liberdade - é condição para se ser aceite. Não procuro uma Igreja à minha medida, mas não estou mais disposta a hipotecar a liberdade interior. Até porque a Igreja não precisa de mim nessas condições.
É óbvio que estou a referir-me à estrutura Igreja Católica. A pertença a algum grupo etc. Porque continuo a sentir-me Igreja.
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era isto que queria dizer-vos, hoje
2012-03-06 em 3/06/2012 09:05:00 AM
É também convosco, neste espaço, que quero celebrar, hoje, a vida. Estes anos de partilhas que aqui têm acontecido, ajudaram-me a sentir e experimentar aquilo que é uma fórmula conhecida, mas nem por isso mais fácil de pôr em prática: "Quanto mais damos, mais somos". O "dar" no sentido de exposição íntima.
Não vou fazer género e dizer que não sei como cheguei aos cinquenta e três anos de vida. Que passaram rápido etc, etc...tenho bem presentes os eventos bons, os menos bons e os mesmo maus, que fazem a história da minha vida. Assim como mantenho memória de todas as vezes que me zanguei com ela. Como não sei o dia de amanhã, não prometo que não volte a acontecer. O tempo presente é de pacificação.
Convosco, meus queridos companheiros desta jornada, Gracias a la vida!
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paixão assumida
2012-03-05 em 3/05/2012 08:03:00 PM
Um ideia feliz, esta de convidar o escritor José Luís Peixoto, a visitar e descrever, com apurada sensibilidade, cidades como Miami, Pequim, Moscovo...As fotos são muito boas, inesperadas...e os poemas que as acompanham, também.
Pequim
De repente, desapareceram todos os irmãos.
Para onde foram as irmãs mais novas
a fazerem sopas com pauzinhos e pedrinhas
em pequenas panelas de plástico? Para onde
foram os irmãos mais velhos e toda a proteção
de que são capazes em dias chuvosos de escola?
As mães e os pais não têm resposta. Talvez exista
um mundo cheio com os irmãos que faltam neste.
Talvez neste mundo sintam a falta destes,
a brincarem sozinhos como imperadores.
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das ilusões, livrai-nos
2012-03-04 em 3/04/2012 08:22:00 PM
Deus me livre da ilusão de qualquer receita de felicidade. Também desta.
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assim é
2012-03-03 em 3/03/2012 08:04:00 PM
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quem dá do que lhe dão...
Rui Almeida in "Caderno de Milfontes"
edição "volta d'mar"
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à flor da pele
coração e manhã em breve sintonia.
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Adélia Prado - Bendito
2012-03-02 em 3/02/2012 08:06:00 PM
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As escadas
Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas
em direcção à tua escuridão, deixando-me,
ou a alguma coisa menos tangível,
no seu lugar.
Também elas envelheceram, as escadas,
também, como eu, desabitadas.
Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus,
e, à nossa volta, os nossos corpos desvanecem-se como terras estrangeiras.
edição; Assírio & Alvim
imagem-Maria Falconetti in A Paixão de Joana D'Arc
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