2013-01-02

a fé



No outro dia, o Gabriel descobriu numa gaveta - está na fase de investigar o que guardam as gavetas e caixinhas que se encontram pela casa - um saca agrafos que, imediatamente, denominou tubauão. E, a partir daí, o tubauão foi ripar o musgo do presépio, as folhas das plantas da sala, abrindo e fechando as mandíbulas ao ritmo da imaginação do meu neto.
Este episódio  despertou-me para a importância da imaginação - que, sendo tão fértil na infância, decresce e  desaparece na maturidade. E perde-se, desse modo, uma dimensão importante para interagirmos com o mundo à nossa volta e com as diferentes dimensões do nosso ser.

A fé é um desafio à imaginação. Muito mais do que um desafio intelectual. Bem, já estou a imaginar as objecções que a minha explanação vai despoletar. Ainda há poucos dias, no diálogo com dois não crentes, pedi que, numa palavra, definissem Deus. Inevitavelmente, surgiu a palavra "mito". Agora estou a valorar a imaginação como componente da fé. A verdade é que, abordar os textos bíblicos, por exemplo, sem capacidade de imaginação, fazendo-o, apenas - à boa maneira evangélica -, na sua literalidade, perde-se uma parte substancial dos mesmos.








6 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Agora estou a valorar a imaginação como componente da fé. A verdade é que, abordar os textos bíblicos, por exemplo, sem capacidade de imaginação, fazendo-o, apenas - à boa maneira evangélica -, na sua literalidade, perde-se uma parte substancial dos mesmos.


    Maria,

    que tal dares dois três exemplos em que tal aconteça?

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  3. é mesmo muito importante, Maria.

    imaginação e capacidade de abstração.

    beijinhos

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  4. ON,

    não me parece relevante, neste caso, dar 2 ou 3 exemplos. é como se eu te estivesse a recomendar um filme ou livro de um humor nada fácil e acessível e te indicasse em que cenas devias reagir com um sorriso de satisfação. isso só pode depender das tuas capacidades e sensibilidade.

    O que tentei explicar é que para lermos um texto bíblico (qualquer que seja) e, consequentemente, fazermos dele um experimentação da fé, necessitamos de nos deixar levar pela imaginação. faço-me entender?

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  5. Luís,

    como homem das letras sentes-te aqui como peixe na água, não é?! :) eu não referi isso mas pensei em vocês que mantêm vivas essas capacidades. tens razão: a capacidade de abstracção é igualmente importante. sem ela não há "entrega". é isso que me cativa nos bons escritores: os que são capazes de durante a leitura que faço, e um bom tempo depois da mesma terminar, manter-me cativa no enredo. que invadiu de tal modo a minha vida que durante as diferentes tarefas e ao longo dos dias, me sinto a "escapar" para dentro dele como personagem muda e silenciosa. totalmente rendida.

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