2013-01-25



Acabei de receber um exemplar de um livro da autoria de Hans Küng "O cristianismo - Essência e História", reeditado pelo Círculo de Leitores.
Na apresentação, que tem por título "O porquê deste livro", o autor assume que interrogarmo-nos, hoje, sobre o cristianismo, acaba por "despertar sentimentos contraditórios" porque "ao longo da história, o que é cristão tem sido tantas vezes descurado, banalizado, traído...precisamente também pelas Igrejas!" e continua com uma observação que faço também minha: "E embora um grande número de cristãos já não saiba lá muito bem o que fazer da sua pertença eclesial, a verdade é que não quer abandonar o cristianismo."

"Também para mim o cristianismo continua a ser a minha pátria espiritual - a despeito da inumanidade do sistema romano que tive o ensejo de conhecer dolorosamente por experiência própria. E talvez a apresentação do cristianismo por um cristão empenhado seja mais apaixonante do que a descrição «neutra» de especialistas das ciências religiosas ou das diferentes confissões. Não, não abandonei a esperança de que será ainda possível, no terceiro milénio, viver o cristianismo de modo credível - ao mesmo tempo fiel e crítico - com conteúdos de fé convincentes, sem rigidezes dogmáticas, com orientações éticas sem a tutela do moralismo. A cristandade deve tornar-se mais cristã. - não há outra perpectiva de futuro para o terceiro milénio. O sistema romano, o tradicionalismo ortodoxo e o fundamentalismo protestante não passam todos eles de manifestações históricas do cristianismo. Nem sempre existiram e hão de desaparecer um dia. Porquê? Não pertencem à essência da realidade cristã."

6 comentários:

  1. «Nem sempre existiram e hão de desaparecer um dia.» - Acho que temos aqui uma verdade.

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  2. Que é possível (e saudável, atrevo-me eu a acrescentar) ser ao mesmo tempo fiel e crítico. Entre tantas, tantas coisas que na Igreja precisam de reforma, eu jå ficava meio consolada se houvesse mais gente a perceber e a aceitar isto.

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  3. Belo post.. hoje já agraciaste o meu dia alma boa de Deus... grato eternamente... é esse cristianismo que busco com todo o meu coração viver... levo "porrada" a doer pra matar mas que vou fazer... antes um corpo dorido pelas agruras da intolerância humana do que o pão há mesa da partilha cheio de conteúdo bolorento pelo fermento adulterado que alguns teimam em acrescentar-lhe…

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  4. Peter, não tenhamos ilusões, é sempre preciso partir. Mas também saber conciliar e acolher.

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