2013-02-24

a vida sexual dos padres devia suscitar tanto interesse como a de outra qualquer pessoa. como ainda não chegámos lá, é bom que se pense e estude o assunto

 
 
Eu não acho que os padres católicos que têm problemas com o sexo, os tenham por serem padres. Acho, sim, é que há gente que decide ser padre por já ter, à partida, problemas com o sexo.
Não se tem que ficar com taras sexuais por se fazer voto de castidade. A esmagadora maioria das pessoas que viveram toda a sua vida sem relações sexuais não desenvolveu patologias sexuais por causa disso. Outras há que estão anos e anos nessa situação sem que isso provoque alteração do comportamento. 
Não temos que tentar perceber por que razão, um pouco por todo o mundo, há tanto padre católico sexualmente criminoso.Temos, sim, que tentar perceber o que levou essas pessoas a quererem ser padres. Para serem bons cristãos? Mas pode-se ser um excelente cristão sem ser padre. Ir à missa todas as semanas, agir como um cristão ou até mesmo ter uma militância activa numa organização cristã. Porquê, então, ser padre católico? Um padre protestante sabe que pode casar e ter filhos. Sabe que, neste aspecto, ser padre é como ser professor, médico, canalizador ou empregado de escritório. Mas um padre católico sabe que, por sê-lo, não poderá ter relações sexuais, não pode apaixonar-se, ter mulher, ter filhos. 
Por que razão, então, aceitará sacrifício? Posso responder de duas maneiras. Por um lado, pode não ser um sacrifício. Pode achar que não gosta de sexo, ter medo do sexo, ter um qualquer complexo ou trauma que o leve a pensar que prefere rejeitar o sexo. Só que, se for esse o caso, isso significa que, à partida, já existe um problema com o sexo. Vamos então supor que se trata mesmo de um sacrifício. Que gosta de sexo, que se sente atraído sexualmente por outras pessoas, que tem uma libido activa. Neste caso, porque rejeita tudo isso para aceitar ser padre católico? Porque não assume uma vida sexual normal, sabendo que pode ser um bom cristão de mil e uma maneiras possíveis?
Esta história de tantos e tantos padres católicos que padecem de desvarios sexuais merecia um estudo sério. Ser padre não implica ser doente. Mas é provável que a muito doente dê bastante jeito vir a ser padre.
 
retirado daqui

5 comentários:

  1. «Mas é provável que a muito doente dê bastante jeito vir a ser padre.»

    Aqui está implícita a pressão social. Estragou o texto todo, que de resto tem uns raciocínios meios esquisitos.

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  2. Não me parecem nada raciocínios esquisitos. Há um padre, e psicanalista junguiano, alemão que escreveu seguindo mais ou menos os mesmo raciocínios. Há uns anos li um dos livros que escreveu sobre o tema e, para mim, muitas coisas fizeram sentido.

    Ele descrevia um determinado perfil psicológico que era comum à maioria dos padres. E ele fazia mesmo análise a vários. Também a mulheres consagradas. Passa-se o mesmo em relação às mulheres.

    Não leves a mal o que vou dizer, mas quem nasceu, como eu, no meio do século passado, viveu muito de perto em comunidades eclesiais, percebe de modo diferente estas coisas. Enfim, há muita gente que anda por lá e não "pesca" nada do que se passa.

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  3. Você confunde-me :) Há uns posts atrás, quando «falamos» do celibato e eu disse que o achava um acto egoísta e anti-natura, você parecia respeitar o celibato em toda a sua largura e altura (e profundidade, que é do que se trata). O Espiritismo também parece ver com bons olhos a abstenção, desde que não haja egoísmo nela e seja por caridade que se faz o «sacrifício». Ora, para mim, o egoísmo está implícito no celibato, sempre, nem entendo quem fala de amor (até ao céu, meu Deus...) se o desrespeita na sua base mais primária.

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  4. :) com frequência sou considerada mulher de contradições...mas não é o caso.

    O nome do tal teólogo analista é: Eugene Drewermann. (esqueci de escrever no coment anterior)

    E continuo a respeitar o celibato e a crer que há quem o viva, mulheres e homens, com toda a responsabilidade e verdade. Não defendo é o celibato obrigatório. Há muitos anos já o fiz. Nisso mudei de ideias.

    W., o egoísmo não está de modo nenhum implícito em qualquer estado de vida. As pessoas podem casar, ou viver numa outra qualquer relação, e serem profundamente egoístas. O que não falta é também, no estado de casados, muitas mulheres e homens que o escolheram por razões de insegurança e egoísmo.
    Alguém que é introvertido/a e com dificuldades de relacionamento e assumir compromissos, pode muito bem decidir casar logo à primeira oportunidade para não ter que lidar com essas dificuldades.

    Um dos argumentos dos defensores do celibato obrigatório, é precisamente que o amor da pessoa celibatária é uma amor "superior". Acho este argumento um absurdo, porque o amor é só um. Não há grandes nem pequenos amores. Há, sim, varias formas do amor se exprimir e relacionar. O amor é sempre relacional. Quando de inicia uma relação amorosa com alguém não de fecham nem inibem todas as outras formas de amor. Embora (isto é um aparte)quando se está dominado pela paixão, parece que o objeto da mesma preenche toda a nossa vida. Em altura, largura, profundidade etc. Depois passa...e ainda bem. :)

    Mas o que quero mesmo que fique claro, é que, se o celibato não faz automaticamente um egoísta transformar-se em amoroso, o contrário também não.

    E, como já referi neste coment, o amor não se exprime e consome apenas na relação "conjugal" e erótica...

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  5. bem, mas o que o texto traduz, e eu subscrevo, é que (e vou buscar o tal exemplo que dei sobre quem casa na primeira oportunidade para se defender de certas inseguranças)o celibato pode muito bem ser o estado que melhor se adequa a certo perfil psicológico, com determinadas patologias, claro.

    Mas é óbvio que isso não faz do celibato, em si, um estado que só é possível a esse tipo de pessoas. Creio que isto é claro.

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