2013-02-02

da ingenuidade à responsabilidade pelo mal



Há uma infinidade de frases - sobre a bondade - ingénuas, que podem ferir de morte qualquer vida, e a vida de uma comunidade humana. Não é que os textos bíblicos não avisem à saciedade que o lobo convive com o cordeiro e trigo e joio têm de crescer juntos.

Esta manhã, ao consultar o site de um semanário, deparei-me com a notícia de mais um caso de um padre suspeito de abusos de menores. Em Portugal e, mais concretamente, na minha Diocese e, dor ainda mais aguda, aparecia a denominação geográfica do Oeste. Bastou com mais um pouco de informação, e a consulta ao site do Patriarcado de Lisboa, para se confirmarem as minhas suspeitas. O padre suspeito é do meu conhecimento. Sublinho que nunca fui paroquiana dele, nem privei com muita proximidade.

Mas não é a minha mágoa, com mais esta nefasta notícia, que  interessa para alguma coisa. Consegui em poucos minutos fazer a ligação da notícia ao "padre X", porque quando ele "abandonou" uma das paróquias do Oeste, ficaram a pairar "no ar" uns rumores. Ora, eu não acredito, mas de modo algum, que D. José Policarpo - que tem casa de família, aqui mesmo onde vivo, localidade próxima  onde estes "rumores" surgiram -, não tivesse conhecimento do caso. E sendo o bispo da Diocese. E única medida que tomou, à semelhança de todos os outros casos conhecidos, foi transferir o padre para uma paróquia de Lisboa, e nos últimos anos, para a Diocese do Algarve. Mas isto, não tem que ter consequências na Igreja? Até quando se pretende manter a ingenuidade de que o mal está todo "fora" da Igreja?

10 comentários:

  1. Eu acho o próprio celibato já um mal.

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  2. Eu não direi que o celibato em si é um mal. É possível viver o celibato de modo responsável e gratificante. Acredito.
    Mas na Igreja católica, essa opção - imposta a quem quer receber o sacramento da Ordem -, pode, em conjunto com a solidão, a cisão entre clero e leigos, gerar nos indivíduos motivações para que ocorram situações como a referenciada no post. E volto a referir a criminosa condescendência dos responsáveis que se limitaram à discrição e ao silenciar das situações quando detectadas.

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  3. Consequências na Igreja? Não me faças rir!
    Beijos

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  4. O esquema tem sido de sucesso, Lino. Mas não me parece que dure muito mais. As comunidades estão envelhecidas. O dinheiro deixa de entrar...e a publicação destes acontecimentos não ajuda nada.

    Beijos

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  5. O celibato é anti-natura... é uma atitude egoísta, no seu fundo mais fundo. Deve estar contra o Evangelho...

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  6. Quais são os argumentos de que o celibato é anti-natura? Tenho uma amiga que diz o contrário:"não nascemos aos pares". :)

    Também não me parece que só por si o celibato seja uma atitude egoísta. Tradicionalmente, na Igreja Católica, é afirmado o contrário.

    Nos Evangelhos não temos nenhuns pronunciamentos de Jesus sobre o celibato ou o casamento, não devia ser uma questão social fundamental. Já Paulo na 1ª carta aos Coríntios, capítulo 7, dá uma série de indicações práticas sobre o tema, e recomenda, para quem puder, o celibato. Sublinhando que é a sua opção pessoal.

    Por uma série de razões práticas, reconheço que uma pessoa que decide viver sozinha (ou circunstancialmente assim acontece)tem muito mais probabilidades de desenvolver e manter atitudes e hábitos egoístas. Mas é como tudo, a vida é um risco.

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  7. Então não é anti-natura??? A reprodução animal é um «programa» genético presente em todas as espécies. Já nem falo da sensualidade do desejo psíquico; todos temos, igualmente nos genes. A razão que subordina o corpo está corrompida, por ideias, alguns filósofos e «iluminados», mas eles chamam-lhe virtude...

    E olhe que é egoísta. :) É tanto que depois dá nestes escabrosos caminhos ou lançam o sémen para a sanita durante toda a vida.

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  8. tanta razão masculina esmaga-me! :)))

    ...então, teremos a mulher destinada a receptora do precioso sémen (para não ter que ir parar à sanita).

    Concordo com o meu amigo, que a razão, muitas vezes, se pretende instalar como senhora absoluta. Mas a perpetuação da espécie não foi entregue aos indivíduos em particular. Nem todos têm ou podem ser continuadores da mesma. Recuso liminarmente qualquer determinismo e esse em primeiro lugar. Em tempo útil já me apoquentaram as hormonas e a pressão social. Agora basta! :)

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  9. Eu acho que a Maria está a misturar as coisas. Depreendo que se nem todos - nem discuto o «têm», porque o sexo não serve exclusivamente para fazer filhos, como a Igreja pretende, e aí sim, a receptora do precioso dom - podem ser perpetuadores da espécie, os estéreis têm de rezar muito pela sua condição. Para mim, é patético como a Igreja olha para o tema sexo, ainda mais pela sua própria conduta. O que diz a Igreja da masturbação? Mais lérias...

    E se a «perpetuação da espécie não foi entregue à espécie, aos indivíduos», o que estamos aqui a fazer? É de quem? A sua visão nem se harmoniza com os textos fundadores, como sabe.

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  10. Penso que não estou a misturar. Reagi com alguma ironia ao seu comentário, só isso.
    Concordo que a Igreja tem uma visão absurda do sexo. A Igreja, na sua vertente mais ortodoxa e doutrinal, porque na prática qualquer pessoa concorda que essa doutrina não é tida em conta. Sobretudo por pessoas que vivem de forma saudável e responsável a sua sexualidade. Casais católicos incluídos.

    E o que está em causa - nessa doutrina - nem é o escândalo que a divulgação dos casos de abusos põe a descoberto, antes que a doutrina da Igreja sobre a sexualidade humana, é desumana e não fomenta o crescimento integral da pessoa.

    Sobre os textos fundadores...O "crescei e multiplicai-vos" (Gen 1,28)é um "mandato" para a Humanidade, não aos indivíduos A e B. Nós estamos a viver que é a coisa mais importante que se pode fazer. :) o resto é por acréscimo.

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