2013-02-25

o essencial



João César das Neves, lamenta que a maioria das pessoas, ao comentarem a renúncia do Papa, passem ao lado do essencial. E o essencial, quanto a ele, é que o Papa é o vigário de Cristo na terra (não explica, mas estou a imaginar o esquema que usa: a Igreja como uma pirâmide, e no topo, o Papa) e não está mais que a obedecer a um mandato divino. Descreve-o do seguinte modo: "o factor mais decisivo (...): Deus. Concorde-se ou não, goste-se ou não da sua convicção, é evidente que Bento XVI tomou a sua decisão diante de Deus." 

Neste particular, estou de acordo com César das Neves. O factor decisivo foi/é Deus. Vou então esquecer tudo o que já se disse, as suspeitas, intuições (o que o próprio Papa nomeou como razões: a doença, as exigências do cargo/serviço...) e contrapor-lhe Deus? Porque parece ser a tentativa de César das Neves.

Na tradição da Igreja e na tradição do texto bíblico, Deus não se serve de fenómenos exteriores aos homens (e um Papa, por mais títulos que se lhe imponham: "Sua Santidade", "Sumo Pontífice", "Vigário de Cristo", está limitado e dispõe dos mesmos meios, que qualquer outro homem) para se comunicar. O que quero dizer, é que foi nas razões que o Papa enumerou, nas que intuímos e talvez nunca venhamos a saber, que Deus se manifestou. O divino que existe em cada homem, não age à margem das debilidades e contingências humanas.

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