2013-02-01

paciência com Deus



Concordo com os ateus em muitas coisas, muitas vezes em quase tudo… exceto no que diz respeito à sua não crença de que Deus existe. Perante o bulício mercantil de artigos religiosos de todo o género, eu, com a minha fé cristã, por vezes, sinto-me mais próximo dos céticos, dos ateus, dos agnósticos, críticos da religião. Com certo tipo de ateus partilho um sentimento de ausência de Deus no mundo. Contudo, considero a sua interpretação de tal sentimento demasiado precipitada, como que uma expressão de impaciência.
...
Há poucas coisas que apontem para Deus e apelem tão instantemente a Deus como a experiência da sua ausência. Essa experiência é capaz de levar alguns a «acusar Deus» e, eventualmente, a rejeitar a fé. No entanto, existem muitas outras interpretações dessa ausência, de modo particular na tradição mística, e outras formas de reconciliação com ela. Sem a dolorosa experiência de um «mundo sem Deus», é difícil para nós apreender o sentido da busca religiosa, bem como de tudo o que queremos dizer acerca da «paciência com Deus» e dos seus três aspetos: fé, esperança e amor.
...
Estou convencido de que uma fé madura deve incorporar essas experiências, a que alguns chamam «a morte de Deus» ou – de forma menos dramática – o silêncio de Deus, embora seja necessário sujeitar essas experiências a uma reflexão interior, além de se lhes submeter e de as ultrapassar com sinceridade e não de uma forma superficial ou fácil. Não pretendo dizer aos ateus que eles estão errados, mas que têm falta de paciência.
...
Se a nossa relação com Deus se baseasse apenas na convicção de que Ele existe, que pode ser adquirida de forma indolor através de uma avaliação emocional da harmonia do mundo ou de um cálculo racional de uma cadeia universal de causas e efeitos, não corresponderia àquilo que eu tenho em mente quando falo de fé.

Sem comentários:

Enviar um comentário