2013-03-07

como árvores





Comecei então a entrever até que ponto cada ser humano - cada pessoa, raios - tem de comum com a árvore e as raízes, o tronco e a copa com ramagens de folhas muitíssimas e tenras, feitas para a captação da luz solar. Raízes mergulhadamente em busca dos sucos primitivos, tanto da humidade como da própria história pessoal (é o mesmo). O corpo tronco prolonga-se ofertando ao Alto umas extremidades ultra-sensíveis, ultra-quebradiças, frágeis, insubstituíveis de maravilhosas.
Com uma diferença. É que enquanto o vegetal tem o seu equilíbrio naturalmente garantido, a pessoa precisa em cada instante de se esforçar por não depender da copa a ponto de deixar estiolar raízes, nem depender destas até não aproveitar a copa. E isto ainda: para dar flor e fruto em cada tempo seu, precisa a pessoa de aceitar a morte cíclica da liturgia Primavera, Verão, Outono, Inverno, Primavera.
Durante alguns momentos fiquei como que suspenso sobre o vácuo. Porque vi o meu próprio ser humano sob a forma de árvore que é. Céus, Terra, o desequilibrismo disso.


Nuno Bragança in Square Tolstoi


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