2013-03-10

descobrir a alegria




Não é de aceitação simples a imagem de "Deus Amor". Não tem sido, tantas vezes, essa a mensagem dos diferentes grupos religiosos. Nem a vida, nas suas múltiplas circunstâncias, propicia a adesão a esse modo de olhar Deus.
Mas ser difícil, não quer dizer que seja impossível. Há seres humanos que, nas piores circunstâncias, conseguem abrir-se à alegria, que não depende de se estar contente, ou ter uma vida fácil. 
Quando penso em conversão - é nesta adesão à alegria e ao amor - que encontro o significado mais completo. 
Etty Hillesum, uma jovem judia que morreu em Auschwitz, escreveu no seu diário: "A guerra, os campos de concentração (...) tudo isso existe, eu sei, mas, num momento de abandono, encontro-me no peito nu da vida, e os seus braços  circundam-me tão doces e protectores, e as batidas do seu coração que ainda não sei descrever: tão lento e regular e tão doce, quase abafado, nunca tão fiel, como se nunca tivesse que parar, e também tão bom e misericordioso".
Nem todos temos capacidade de amar assim. E de nos sentirmos amados. Ou não ousamos?


2 comentários:

  1. Tenho um texto dela, pena que não tenho scanner para passar a você. Faz 30 anos que guardo esse texto!

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  2. Em Portugal editaram o "Diário". Comprei e já li. E continua a marcar-me muito a vida desta mulher...obrigada.

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