2013-04-15



É preciso todavia uma grande ingenuidade para crer que gritar e bradar no mundo há-de auxiliar, como se dessa maneira o destino do indivíduo  se modificasse. Aceita-se tal como nos é oferecido, e contorna-se todas as complicações. Na minha juventude, quando ia a um restaurante, dizia então para o criado: um naco bom, um naco muito bom, do lombo, sem ser demasiado gordo. Talvez o criado nem sequer ouvisse o meu clamor, e menos ainda houvesse de nele ter atentado, e menos ainda houvesse a minha voz de conseguir chegar à cozinha e influenciar o cortador, e mesmo que tudo isso acontecesse, talvez não houvesse um bom naco em todo o assado. Agora já não grito mais.


S. Kierkgaard in Ou-Ou. Um fragmento de vida

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