2013-05-08





A proximidade do 13 de Maio, enche os espaços de notícias com as reportagens a levas de peregrinos que caminham e galgam longas distâncias, de diversos pontos do país até Fátima.
O sentimento comum mais partilhado é que tal exercício é uma superação de si próprio. Um teste às capacidades de cada um.
Quem assim fala poderia ser alguém bem instalado na vida. A grande maioria não parece representar tal estado. Porque o faz então? 
Na vida estão presentes a dor, a solidão, a fragilidade. Mas também a alegria, o prazer, a proximidade. Fruir e viver de modo consciente cada um desses estados é o que nos torna pessoas reconciliadas connosco e com os outros. A religiosidade que cultiva o dolorismo mantém as pessoas feridas, longe de si próprias, incapazes de relação.


8 comentários:

  1. Ainda ando a tentar descobrir como uma mãe necessita da dor de um filho feita de caminhadas arrastadas pelos asfaltos, correndo mil e um perigos, para ficar convencida e saciada do amor deste8a) e que numa qualquer espécie de ordenação divina deve receber como troca de algum favor concedido! Que pena que tais torrentes de Fé não sejam correctamente canalizadas para uma maior peregrinação interior no povo de Deus…! Não há mesmo maneira de derrubar todos esses tanques de betesda Senhor!

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  2. porque acreditam ou querem acreditar, Maria.

    alguns também esperam que Deus faça o milagre que tanto necessitam.

    beijinhos

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  3. A dor esta presente em toda a religião, o seu uso também, não só pelo povinho mas a autoflagelação foi e não sei se ainda é um facto. A própria igreja tem como simbolo maximo um ser crucificado,(apesar de a mensagem ser outra) , Um ser que ressuscitou, uma nova vida, uma esperança de uma nova vida.Será porque esta imagem é mais adaptavel a iconografia? Mas o sofrimento e a morte. Sofrer, pois cristo também sofreu esta entroncado na religiosidade popular.

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  4. Peregrino,

    é sempre mais fácil fazermos coisas exteriores (os ídolos) do que a tal peregrinação interior.
    Eu já andei cheiinha dessas coisas até às orelhas ;) nunca muito convencida, mas andei. E houve "copos de água" que dei e dos quais não sinto qualquer arrependimento...mas não é muito fácil (em determinadas circunstâncias) fazer esse discernimento. Depois, temos uma Igreja demasiado clerical, isso explica muita coisa.

    beijus ;)

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  5. eu sei, Luís. Mas o acreditar precisa de alguma racionalidade, para começar. E, no caso dos crentes cristãos (que são também os caminheiros para Fátima) de compreensão do que é a proposta de Jesus Cristo. E não é essa, seguramente.

    beijinhos

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  6. anónimo,

    a dor faz parte da vida, como disse no meu textinho. Inerentemente, na religião também. De autoflagelações, não sei nada. A Igreja tem como símbolo maior o Ressuscitado. É diferente. Na praxis elege-se o dolorismo, de facto. Mas a antropologia também explicará melhor isto.

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  7. "a dor faz parte da vida, como disse no meu textinho"

    Não concordo totalmente. A dor faz parte da vida de muitos de nós, mas isso depende de muita coisa. O meio onde nós nos inserimos pode aliviar as dores fisicas (não as tira)mas pode não nos fazer viver com necessidades basicas nem miseravelmente por exemplo, por outro lado permite-nos comprar ou alugar uma vida prazerosa que também é reconfortante para a alma e aqui neste hedonismo é que entra em combate a religião sempre criticando por exemplo muitos destes tipos de vida o que em alguns casos até concordo. O dinheiro não compra a felicidade mas contribui para não passarmos miseria e necessidades e procurarmos por meio dele quem nos auxilie, como na doença, na velhice pagando a quem cuide de nós sem vivermos da solidariedade ou caridade. A felicidade espiritual ou a dor espiritual, derivada das emoçoes ligada a personalidade essa não se compra e sofrem-na ricos e pobres, mas também depende da sensibilidade de cada um nem todos sofrem de igual modo perante os mesmos factos e ha quem passe pela vida sem "sofrimentos". Mas o exemplo de alguém que dizem veio para nos salvar também sofreu e morreu e nos promete uma vida eterna onde nada disso nos vai faltar é um exemplo (só é preciso ter fé), a que os sofredores desta vida aceitem melhor a dor na vida, quer fisica quer espiritual.
    Por outro lado vejo que concorda com a praxis elegida do dolismo na religião, era esse o meu ponto, a maior parte da simbologia vai nesse caminho. A via dolorosa.

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  8. quando disse que a dor faz parte da vida, não estava a dizer que faz para todos de igual modo. claro que não.
    não, não concordo com a praxis do dolorismo. não sou adepta do "pense positivo" ou qualquer movimento semelhante, mas também não alinho em sublimações do sofrimento. a minha percepção existencial e intelectual (e não por acaso, mas pela minha formação cristã)é de reconhecer que a dor faz parte da vida tal como a alegria e o prazer. E a mensagem de Jesus não é nenhum apelo ao sofrimento, antes à libertação do mesmo.

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