2013-05-07



Andrés Torres Queiruga, um teólogo que tem ousado percorrer espaços próprios na busca teológica, manifesta, em entrevista, os caminhos que a teologia actual deveria percorrer:



- O primeiro caminho é, digamos, estrutural: recuperar a liberdade e a criatividade da teologia, voltando ao impulso –fortemente freado nos últimos tempos- do Vaticano II, sem medo ao pluralismo e sem  se assustar perante os possíveis riscos próprios de toda a busca criativa e renovadora. Sobre essa base, será necessário ir assumindo com plena consequência a mudança cultural, sobretudo –insisto uma vez mais no chamado conciliar- reconhecendo a "autonomia” da criação e reformulando a partir dela a compreensão das verdades fundamentais da fé. Ressaltaria algumas tarefas mais urgentes:
 - Reformular o esquema da história da salvação, vendo-a como crescimento da criatura, frágil, débil e pecadora; porém, sustentada pelo amor incansável de um Deus sempre ao nosso lado contra o mal, evitando portanto continuar mantendo uma dialética de queda original como fato histórico, com todo o horror do mal como consequência de um castigo imposto por Deus;
- Redefinir as relações entre a moral e a religião, evitando uma sangria de abandonos da Igreja por uma confusão entre a autonomia humana em relação às normas (comuns em princípio a crentes e não crentes) e a motivação, fundamentação e apoio divino sobre o seu cumprimento;
- Recuperar a humanidade de Jesus, o Cristo, como modelo e revelação da mais radical e autêntica humanidade;
E, em geral, repensar todas as grandes verdades a partir da nova situação cultural, em diálogo com as religiões e com o pensamento secular.

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