2013-05-28

7 comentários:

  1. Um grande filme para mim e ainda mais por gostar de filmes sobre historia e ser baseado numa historia de disputa territorial entre portugal e espanha. Bons actores, robert niro e jeremy irons. Este ultimamente tenho visto numa serie na internet sobre os borgias e a vida da familia borgia e do papa Alexandre VI, uma serie que acompanha um periodo historico do renascimento, ja na terceira temporada. E que por acaso foca não o perdão, mas vingança, o ódio, o crime, praticado pelo papa e pela sua familia. Logo o contrario do perdão, vindo da cupula do vaticano.

    “O fraco jamais perdoa: o perdão é uma das características do forte.” Gandi

    O perdão pressupõe um começo a partir dai, afecta o presente e futuro nunca o passado. este não se pode mudar. O que o perdão faz é abandonarmos a ideia de vingança e odio sem fazermos perguntas ou questão de “justiça” sobre o passado. Quem não consegue perdoar nunca se consegue libertar dessas amarras ao passado. É aqui que a frase do gandhi ganha todo o sentido, quando os papeis se invertem, ou seja quando aquele que passa a ter o poder de represálias, magoar -nos decide perdoar-nos, quando estamos fortes quando nos podemos vingar e não o fazemos, em vez da vingança e do ódio, perdoamos.

    Mas será que isso vai fazer reflectir a pessoa perdoada e muda-la? Será verdade? Ou nada muda na outra pessoa e só nós unilateralmente é que pretendemos perdoar. Quanto a mim admiro o perdão unilateral, é um dos actos basicos da fé cristã mas se não for reciproco não vejo utilidade nenhuma em perdoar alguém que a seguir se puder me quer matar, tem que haver também a necessidade de querer ser perdoado, arrastar os pedregulhos pela cascata acima.

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    1. Também o considero um grande filme. bons actores etc., musica de Ennio Morricone...


      "O perdão pressupõe um começo a partir dai, afecta o presente e futuro nunca o passado. este não se pode mudar." Não. Mas um passado não resolvido torna-se presente e condiciona o futuro.
      Nesta questão do perdão não adianta entrarmos em moralismos. Todos temos algo a perdoar e todos necessitamos ser perdoados.

      A "utilidade" de perdoar alguém é em primeiro lugar para nosso benefício. Não perdoar é também andar carregado com um peso morto e inútil sobre as costas (às vezes leva-se uma vida e mais seis meses a perceber isto). Depois, e citando alguém que reflectiu e escreveu sobre esta temática F. Dostoievski: "Todos somos responsáveis de tudo, perante todos". S. Paulo ao definir a Igreja como um corpo, de que Cristo é a cabeça, explica de modo muito exemplar o significado do que cada um representa no todo.

      E ainda, não podemos ter a pretensão de impor aos outros o "timing" para aceitarem ser perdoados (isso iria subverter o acto)é uma decisão pessoal.

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  2. A "utilidade" de perdoar alguém é em primeiro lugar para nosso benefício. Não perdoar é também andar carregado com um peso morto e inútil sobre as costas (às vezes leva-se uma vida e mais seis meses a perceber isto).

    Parece-me ver neste trecho, o pensamento religioso acerca do perdão dos pecados, “ assim como nos perdoamos a quem nos tem ofendido”. Não é por esta perspectiva que eu estava a encarar o problema. Nisto a religião é boa, ja tinha dito que admirava o perdão unilateral, perdoar independentemente do arrependimento. Há quem como vitima perdoe sem arrependimento da outra parte, não vejo problema nisso se como diz a pessoa tira beneficio disso, por outro lado se a pessoa erra etica e moralmente praticando actos reprováveis, ha processos de lavar a consciencia e esta perdoado, isto passa-se todos os dias, a religião tem estes mecanismos todos de psiquiatria.

    “E ainda, não podemos ter a pretensão de impor aos outros o "timing" para aceitarem ser perdoados (isso iria subverter o acto)é uma decisão pessoal”

    É verdade, mas o timing são acontecimentos ao longo do tempo e da vida. O filme que ai colocou é elucidativo do desenvolvimento do processo de mudança que leva ao perdão.O processo é biunivoco, não univoco, começa no interior de uma pessoa, com o reconhecimento de culpa, arrependimento, e culmina com o perdão do outro lado libertando-nos desse fardo de culpabilidade, começando a partir dai tudo de novo. o passado é passado. Claro que dizem mas ha consequencias que se projectam no futuro, pois sim mas são encaradas numa perspectiva diferente e não da culpabilidade da pessoa, esta foi perdoada.

    Vejamos o filmezinho que pos ai, é esse perdão que me interessa. Este processo não começa porque a pessoa se deu conta que os seus actos eram ética e moralmente reprováveis para com os outros numa primeira fase, mas porque entrou na sua vida um novo sentimento até ai ausente que quase o leva a destruição e o fez reflectir. Ou seja muitas vezes não é a maldade derivada dos nossos principais actos que fazem mal aos outros mas dos quais tiramos uma vantagem que nos fazem mudar, mas sim um outro acto lateral que nos vai afectar e no conjunto nos vai obrigar a reflectir e mudar. No caso foi o ele ter morto alguém de quem gostava, o irmão. Auto pune-se exilando-se num mosteiro, até aceitar o convite de um jesuita para uma solução, estar ao lado daqueles que antes caçava. Tal situação tinha-o levado a um remorso enorme e ao isolamento, agravado por não ter a quem pedir perdão, pois o irmao estava morto, e é desta situação toda e com a ajuda de um missionario jesuita que surge a mudança, indo de encontro aqueles a quem devia e podia pedir perdão pelo mal que lhes tinha causado no passado, arrastando um fardo (culpas)fisicamente falando, atrás de si, (assunção de culpas e arrependimento)que só as suas vitimas poderiam cortar, e é precisamente nesse momento que se dá o perdão, quando estas tendo o poder da vingança, do odio, cortam as amarras ao passado retribuem com o amor e a fraternidade e o libertam para um novo começo, presente e futuro, transformando um caçador de escravos em protector dos mesmos.

    Mas no fundo claro que filosoficamente falando, é muito bonito todos sermos responsáveis de tudo perante todos, e também todos temos algo a perdoar e ser perdoado por alguém, quando mais não seja porque lhe pisamos os calos. Mas tudo isto é inconsequente se não for reciproco.

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  3. Mais uma vez, obrigada pelos comentários.

    O que fica claro, pelo menos para mim, é que se ficarmos neste tema, apenas pelo "filosoficamente falando" e o mesmo não se traduzir em atitudes concretas de vida...pufff. Cada vez sou mais sensível, ou estou muito mais alerta, para aquilo que passo a chamar "elaborações mentais", mas que não se traduzem em acção e atitudes concretas.

    E citando mais uma vez F. Dostoievski (este homem sabe mesmo destas coisas, pelo menos no coração, vertendo-as em escrita):"O homem é infeliz porque não sabe que é feliz, só por isso". Descobrindo o segredo do perdão, descobre-se o resto.

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  4. Quer dizer que o Dostoievski sabia o que era a felicidade.
    Pois então eu digo-lhe já, a felicidade é um conceito relativo e subjectivissimo. Ninguém pode saber o que contribui para a felicidade dos outros senão eles mesmos. Mas sempre admirei as pessoas que tem nas suas mãos e sabem os meios para que os outros sejam felizes, é só seguir a receita. Mas ha frases bonitas, simplesmente são frases.

    O segredo do perdão é a reconciliação consigo mesmo, com os seus actos e com o passado, se se fizer isso esta-se pronto a caminhar para o futuro sem pesos na consciencia.

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  5. "Quer dizer que o Dostoievski sabia o que era a felicidade."

    já li muito sobre as mulheres descrito por homens, de tal modo que, muitas vezes, nem elas sabem de si próprias...que ilações tirar disso?

    Quando escrevi o que escrevi, pensei:"alguém que me conheça menos bem vai pensar que citei o Dostoievski como quem cita algumas daquelas frases retiradas de algum manual de "viver bem" ou "pense positivo" etc...pois, não é mesmo o caso. Não, não tenho receitas de felicidade. nem para mim nem para os outros.

    "O segredo do perdão é a reconciliação consigo mesmo". sim, é um passo fundamental. mas nós somos seres relacionais, precisamos dar e receber o perdão. digo eu...

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  6. "Precisamos dar e receber o perdão. digo eu"

    Sim claro, concerteza. Eu também digo e disse que era um processo biunivoco. Mas o processo de reflexão inicia-se na pessoa procurando reconciliação consigo ( ou seja como disse num seu comentario para beneficio própio) só que isso implica ir de encontro ao outro ao ofendido.

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