2013-05-27



Não é de hoje, nem de ontem...que os ditos "fiscais da fé" não fazem nem deixam fazer.

Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque fechais aos homens o Reino do Céu! Nem entrais vós nem deixais entrar os que o querem fazer. [Mt23,13]

Ai de vós, doutores da Lei e fariseus hipócritas, porque pagais o dízimo da hortelã, do funcho e do cominho e desprezais o mais importante da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade! Devíeis praticar estas coisas, sem deixar aquelas. [Mt23,23]

Pior do que fechar as portas das igrejas, é fechar o coração e a vida aos outros. Cumpridores rigorosos dos ritos, e impiedosos e surdos aos apelos dos outros. E poderia continuar na observação de quanta frieza, maledicência etc., etc., existem nas comunidades religiosas. Não se muda isso, apenas porque o papa faz uma observação demolidora. Atesta-o o testemunho dos evangelhos, Jesus sempre se insurgiu (com as consequências que conhecemos)contra tal estado de coisas. Não evoluímos nada.

Por vezes, dou por mim a pensar, se não seria mais prudente fechar, para sempre, todas a igrejas. E que cada um abrisse os olhos à sua volta.


7 comentários:

  1. também já tenho pensado nisso, não nesse fecho total, claro.

    o que mais me irrita é o tom de superioridade que os frequentadores quase diários da igreja deixam atrás de si, como se fossem donos do sitio e com lugar assegurado no céu.

    e como gostam de praticar a caridadezinha e de viver num mundo cheio de coitadinhos...

    beijinhos Maria

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  2. Pois... e lá se iam uma datas deles para as filas dos desempregos para saberem de quantas dores se faz as marés das angústias humanas... mas estou seguro que iria fazer muito bem a muita dessa gente que assinou com o coração escondido esses contractos blindados como funcionários de Deus…!

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    1. Peregrino,

      estes não são mesmo dias bons para falar destas coisas, mas repara, eu nem estou só a falar dos funcionários clérigos, estou mesmo a referir as comunidades e a lógica que as move...e não é, a maior parte das vezes, a missão baptismal.
      Mas eu sei que não existem comunidades perfeitas, tal como não existem pessoas assim. como eu não sou assim...mas se um caminho que percorremos não nos leva a outro lado que não à angústia e desalento, há que questionar e mudar...

      abraço

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  3. Luís,

    ontem, na sequência de um telefonema que recebi, escrevi este texto com a ira a escorrer-me dos dedos para o teclado. Não o relato por pudor e porque, ao assumir a minha identidade e localização, não quero expor ninguém.

    Mas eu não desejo que se feche nada. Não me sinto é mais capaz de ajudar, de alguma forma, a que as coisas se mantenham como até aqui.

    No resto, tocas na ferida...

    beijinhos

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Olá Maria,
    Como quase sempre, concordo contigo.
    No entanto, ouvir o Papa referir-se assim ao tema (a alfândega e os fiscais...) parece-me refrescante... :)

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  6. Olá Manel,

    eu já disse num comentário acima, que no dia que escrevi isto estava bastante irritada com uma situação concreta que está a acontecer em determinada comunidade.

    De vez em quando surpreendo-me com algumas das observações do papa. Como esta dos tais que não fazem nem deixam fazer. O próprio Pagola dizia num artigo publicado na Unisinos, que algumas coisas tinha alguma dificuldade em dizê-las, mas agora é o papa que as diz...e isso é surpreendente e refrescante como dizes. Que frutos irá isso produzir na Igreja, não sei...será o suficiente mas dar algum alento aos de "dentro" e cativar e despertar os de "fora"? veremos.

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