2013-05-19

"um corpo cheio de olhos"





Quero dizer que a multissensorialidade é importante sem duvida, mas que, ao mesmo tempo, no corpo polimorfo multissensorial o olho é ainda antropologicamente dominante. Queria lembrar a análise de Freud sobre a mutação radical do Homo sapiens quando transita de uma centralidade sexual baseada no nariz à afirmação da supremacia do olhar. Homo sapiens é tal porque aprendeu a olhar nos olhos do outro o prazer do amor. O cheiro do (e no) amor é ainda importante, mas a irresistível higienização desodorada do corpo pode ser interpretada como uma declaração de subordinação ao olhar. Os olhos não podem ser higienizados ou “de-olhado”, par inventar um péssimo neologismo. Eu sou o olho que apreende continuamente o desejo intelectual de imaginar o que ainda não existe. Um olho pensante. Olhos “reflitentes”. Agora digo o seguinte: a extrema sensualidade do olho fica na sua impossibilidade de ser acariciado, beijado, penetrado. A história do olho não é só aquela de Bataille: nele – no olho – se coagula o máximo desejo de possuí-lo sem possibilidade nenhuma de conseguir este desejo. Por isso o desejo do olho continua e nunca poderia ser “de-olhado”.


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imagem - Brassai 


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