2013-06-08




Agora o homem ainda não é o que deve ser. Haverá um homem novo, feliz e orgulhoso, para o qual será igual viver ou não viver, esse será o homem novo.


Fiódor Dostoievski in "Os demónios"

16 comentários:

  1. mas ainda não chegou...

    beijinhos Maria

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  2. «para o qual será igual viver ou não viver» - Espero bem que este «homem» não se veja, porque é um cínico. E é óbvio que não chega, o que nos vale é que os escritores não percebem nada de matemática e genética. :)

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  3. God is love!

    Catholic blogwalking

    http://emmanuel959180.blogspot.in/

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  4. Carlos Drumond de Andrade diria:



    ........Liberto da herança
    de sangue ou de afecto,
    desconhece a aliança
    de avô com seu neto.
    Pai: macromolécula;
    mãe: tubo de ensaio,
    e, per omnia secula,
    livre, papagaio, sem memória e sexo,
    feliz, por que não?
    pois rompeu o nexo
    da velha Criação,
    eis que o homem feito
    em laboratório
    sem qualquer defeito
    como no antigório,
    acabou com o Homem.
    Bem feito.

    Carlos Drummond de Andrade, in 'Versiprosa'

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  5. sorri com os vossos comentários. (um sorriso genuíno)

    isola-se uma frase de um escritor (tal como fazemos tantas vezes na vida) e parece que se condensou a pessoa na mesma...Dostoievski, de quem se diz - "profundo conhecedor da alma humana" - não faz mais que remexer as cinzas, para ver se o fogo não se extingue. Por vezes, é necessário reabrir as feridas para ajudar à cicatrização.
    O século XXI continua à espera do "homem novo"...sem saber muito bem o que fazer do "velho".

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  6. "Por vezes, é necessário reabrir as feridas para ajudar à cicatrização.
    O século XXI continua à espera do "homem novo"...sem saber muito bem o que fazer do "velho".

    Esse homem novo jamais existirá, porque o que fez de facto o homem de novo foi o progresso, uma civilização com meios e metodos que as antigas não tinham. Mas a nivel de sentimentos e natureza humana não ha nem haverá sentimentos novos, a natureza humana é como é,( invejosa, intriguista, odiosa, amorosa etc etc. qualidades perenes) e tão velha como a vida humana.

    Por isso só um homem novo laboratorial privado dos afectos conhecidos passará de facto a ser algo de novo na natureza humana.

    Ainda assim o Carlos Drumondo insiste:

    ...Restam outros sistemas fora
    Do solar a colonizar.
    Ao acabarem todos
    Só resta ao homem
    (estará equipado?)
    A dificílima dangerosíssima viagem
    De si a si mesmo:
    Pôr o pé no chão
    Do seu coração
    Experimentar
    Colonizar
    Civilizar
    Humanizar
    O homem
    Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
    A perene, insuspeitada alegria
    De conviver.

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  7. Maria, recomendo-lhe que leia, por exemplo, «O Homem Contemporâneo», de Romeu de Melo. Até o Nietzsche, que era um «louco» por «derrotar» a mediocridade do tal «homem velho» (ideia muito clássica que vem da época Vitoriana) com o seu super-homem, eterno retorno e aquela palhaçada mística toda da qual o leitor comum não percebe senão os vértices da orelhas dos livros, contradizia-se ao dizer, no seu infinito aborrecimento, qualquer coisa como: Não há nada de novo, isto é sempre uma repetição de formas.

    Olhe, bem está o Manoel de Oliveira que, certa vez, observou o mesmo: que desde o primeiro filme a alma humana não evoluiu nada (creio até que, no seu pessimismo, pense que retrocedemos em muitos aspectos), é sempre o mesmo filme, os mesmos temas, só as técnicas de filme evoluem. :) Lá está a matemática.

    Isto nada retira a Dostoievski, que, para mim, considero um bom escritor. Mas nada de mais.

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  8. "Mas a nivel de sentimentos e natureza humana não ha nem haverá sentimentos novos, a natureza humana é como é".

    não partilho dessa visão. olhando para a história humana, e à minha volta, vejo a mesma natureza em evolução. Sim, não sabemos porque cresce em nós o mal e seus derivados, mas não estamos encerrados na "caverna".

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  9. D., obrigada pela recomendação de leitura. Não sei se é fácil encontrar o livro, mas vou tentar.

    quanto à evolução...não, ela existe. não são apenas as técnicas que evoluem. Aliás, as mesmas evoluem porque a humanidade evolui.

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  10. “não partilho dessa visão. olhando para a história humana, e à minha volta, vejo a mesma natureza em evolução”.

    Vê uma evolução civilizacional a nivel de direitos, e um combate as suas infracçoes, por exemplo abandonou-se a escravatura como ´método de produção e arranjou-se outras fontes, mas existe, só que é combatida. Abandonou-se a pena de morte mas existe em muitos estados e naqueles onde isso aconteceu há sempre e haverá defensores. E podia continuar.

    Estou a espera que alguém me explique que sentimentos novos entraram na natureza humana que não tenham existido desde que o homem é homem.

    A natureza humana como disse ai um comentador é influenciada por genes e o nos sermos bons, maus, assim assim, tem a ver com isso e com uma componente ambiental, mas não com mudanças na natureza humana, essa é assim desde que o homem é homem nós so nos perpetuamos na medida em que transmitimos os genes de geração em geração.

    Por isso é que a teoria roussoniana do bom selvagem vale o que vale porque retira a componente genetica, (a pessoa seria boa ou ma só pelo meio ambiental). Por outro lado houve um medico italiano no seculo XVIII Lumbroso que influenciou bastante o direito penal e que partia do pressuposto que pela analise de certas caracteristicas somaticas determinavamos a tendencia para o mal ( crime), ou seja uma pessoa era criminosa pela aparencia pela facies pelo aspecto, há uma expressão conhecida, “que mala cara tiene”.

    Portanto uma pessoa muda se tiver uma tendencia a mudança, os seus sentimentos ja existem não são criados de novo, caso contrário não muda. Os sentimentos são os mesmos de sempre, os pais não gostam mais dos filhos agora ou antes, podem ter mais presentes, lazer,(tempo disponivel para estar com eles onde os afectos se podem manisfestar mais intensamente) para oferecer, mas veja a “sentença do salomão” em relação as duas mães. Não odiamos mais nem menos, não amamos mais nem menos, podemos ser mais solidarios porque criamos estruturas como bancos alimentares mas antes as pessoas tembém se auxiliavam como podiam, e isto continuara indefinidamente

    Eu acredito que as pessoas religiosas acreditem na mudança porque de facto as civilizações criaram mecanismos para que fossem respeitados direitos inerentes ao ser humano como ser humano, isso foi um progresso civilizacional, mas não alterou em nada a natureza humana, aqui é que se confundem as coisas. O homem so evoluiu tecnologicamente, faz as coisas de maneira diferente, mais rapidas, melhores, mais eficiente, praticas, etc. por processos tecnologicos. Esse poema do drumond diz que o homem anda tão distraido so com o progresso tecnologico que quando alcançar isso tudo e conquistar tudo o que ha para conquistar nod diversos sistemas solares so lhe resta uma ultima conquista que será conquistar o coração do homem. Aí sim vai ser uma desilusão, quando as pessoas descobrirem que o homem é o lobo do homem.

    Por isso acredito que haja pessoas ate por influencia das profecias dos textos sagrados que estejam a espera do dia em que o lobo possa dormir com o cordeiro irmamente, mas claro, isso sim, significaria uma alteração da natureza humana, e literalmente pegando na frase o lobo passaria a herbivoro.

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  11. muito obrigada pelo diálogo.

    também não serei eu que vou identificar algum sentimento que tenha irrompido de novo na natureza humana. Sou é um bocado avessa a compartimentações. Tenho lido algumas coisas do António Damásio que considero boas pistas para compreendermos que "cordelinhos" nos movem.

    "Por isso acredito que haja pessoas ate por influencia das profecias dos textos sagrados que estejam a espera do dia em que o lobo possa dormir com o cordeiro irmamente, mas claro, isso sim, significaria uma alteração da natureza humana, e literalmente pegando na frase o lobo passaria a herbivoro."

    Não me parece que apenas as pessoas religiosas sejam influenciadas por essas professias, mas adiante...olhando com uma visão alargada, tanto para o mundo que nos rodeia como a história humana, a professia do lobo conviver com o cordeiro, não é uma projecção para um qualquer futuro que não sabemos quando nem onde, mas um desafio a que a mesma se torne real no mundo e na pessoa que cada um é. dentro de cada um também convive o cordeiro e o lobo, não adianta ignorar qualquer dos dois. foi neste sentido que coloquei a frase do Dostoievski (e esperei pelos contraditórios) ;)


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  12. “mas um desafio a que a mesma se torne real no mundo e na pessoa que cada um é. dentro de cada um também convive o cordeiro e o lobo, não adianta ignorar qualquer dos dois. foi neste sentido que coloquei a frase do Dostoievski”

    É verdade que sim concordo consigo, mas isto é outra questão, do bem e do mal. eu mesmo resumi isto quando disse “Portanto uma pessoa muda se tiver uma tendencia a mudança, os seus sentimentos ja existem não são criados de novo, caso contrário não muda. Os sentimentos são os mesmos de sempre”.

    So acrescento para explicar que um dos lados, o lobo ou o cordeiro é preponderante, e isso fará toda a diferença numa possivel mudança. A questão do homem ser lobo de si mesmo da sua propria espécie tem a ver com o egoismo da natureza do ser humano em querer riquezas, poder, disposição para decidir sobre o destino das pessoas, não tem problema em afastar do seu caminho qualquer inconveniente numa continua competição entre si aproveitando-se de tudo e todos.Claro que num deserto não há só deserto e areia sem fim, por vezes no meio de tanta areia há oásis.

    Mas esta questão do bem ou do mal é outra questão. Um meu professor exemplificava-nos esta questão com uma alegoria de uma carroça puxada por dois cavalos um preto ( o mal) e um branco ( o bem ) puxando cada qual para seu lado, seguindo um trilho guiada por um cocheiro ( a razão). Cada cavalo puxa para seu lado e então é o cocheiro que anula a força de um ou outro cavalo mantendo a carroça no trilho. Mas não há nenhum homem novo por natureza, há o mesmo homem mudado para o bem ou para o mal

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  13. pergunto:

    a evolução é coisa do passado? sabemos que foi lenta e progressiva...uma geração, duas, três, muitas, mesmo que quisessem não dariam por ela.

    "cavalo branco e preto"...se fosse assim tão simples.

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  14. “a evolução é coisa do passado?”

    De que evolução esta a falar?Claro que o homem evoluiu mas do que fala, das caracteristicas fisicas entre o homo sapiens e o actual. Eu estou a falar da natureza humana de ser como somos. Agressivos, meigos, odiosos, amorosos, vingativos,ressabiados, invejosos, egoistas ,etc. etc. todas estas nossas caracteristicas são permanentes na natureza humana, não ha novas nem velhas caracteristicas, são sempre iguais não evoluimos temos os mesmos sentimentos. A unica coisa que nos perpetuamos são os genes.

    O cavalo branco cavalo preto é o essencial da questão, ou seja é o jogo dessas pulsoes da nossa natureza ao longo da nossa vida, as nossas emoçoes, os nossos instintos, tudo isso regulado pela razão, melhor dizendo o bem e o mal, ou o lobo e o cordeiro. Mas não ha sentimentos novos, não ha evolução aí. Ha um trilho a percorrer ( a vida) em que podemos ser puxados para um lado ou outro,(o mal ou o bem) e se a razão não funciona correctamente possivelmente vamos ter problemas e sair do trilho nem que a frente o possamos se for caso disso retomar.

    A evolução a nivel de natureza humana não existe, não ha nada de novo que não houvesse na natureza do homem primitivo,não ha sentimentos novos, se me conseguir demonstrar o contrario.....mas não me fale do jogo das emoçoes no ser humano, os tais cavalos, porque isso sempre existiu na natureza do ser humano desde o primitivo, uma luta interior e a destrinça entre o bem e o mal

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  15. "A unica coisa que nos perpetuamos são os genes."

    Perpetuamos os genes mas também produzimos cultura. é nessa teia que nos movemos e existimos.

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  16. A sua interpelação mereceu-me explicação no post mais acima sobre amar o próximo.

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