2013-06-30




Confissão  

De um e outro lado do que sou,
da luz e da obscuridade,
do ouro e do pó,
ouço pedirem-me que escolha;
e deixe para trás a inquietação,
a dor,
um peso de não sei que ansiedade.

Mas levo comigo tudo
o que recuso. Sinto
colar-se-me às costas
um resto de noite;
e não sei voltar-me
para a frente, onde
amanhece. 



Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"


2 comentários:

  1. todos sentimos isto.

    mas poucos o conseguem escrever, pelo menos assim.

    beijinhos Maria

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