2013-06-11

exemplar


4 comentários:

  1. Vou responder aqui porque vem a proposito, embora a sua citação seja do post abaixo.

    “Perpetuamos os genes mas também produzimos cultura”

    Costuma-se dizer que a procura de sabedoria é um processo que não tem nada a ver com os sentimentos.

    A senhora acha que a cultura muda a natureza humana. Os genes não transmitem nem cultura nem sabedoria, quando morremos la vai tudo, fica o testemunho se o deixarmos. Aqui entra o camoes (“ e aqueles que por obras valorosas da lei da morte se vão libertando”) para aqueles que nascem não começarem tudo de novo, tem os nossos ensinamentos.


    É verdade que produzimos cultura, mas isso é diferente, A senhora não esta a ver a questão, “amar o próximo”, tudo isso faz parte da natureza humana nada mais, não me vai dizer que isso de amar o próximo, para as geraçoes anteriores a essa frase nunca a sentiram, e que isso, esse sentimento foi criado por alguém, porque se diz isso esta enganada, esse alguém só nos mandou por issso em prática o sentimento ja estava esta e estará na natureza humana.


    A cultura e a nossa organização nessa teia(sociedade) fez-nos sair do estado primitivo e passar a viver em comunidades / sociedades, organizando-nos em estados, em que por instinto de sobrevivencia, os poderosos não dominassem os mais fracos, e não andassem sempre em guerra, criou-se aquilo que se chamou de contrato social, todos abdicarem de parte da sua liberdade em favor de uma entidade abstracta o estado para viver em paz e segurança.


    Em segundo lugar, a evolução das ideias e pensamentos não mudou a natureza humana, é claro que nos evoluimos, criamos normas eticas, morais, sociais, educacionais,juridicas estas com um valor superior as outras por tem um valor punitivo, é verdade sim, passamos a ter um comportamento publico e social e um privado, as vezes diferentes, mas não mudamos a nosssa natureza os nossos sentimentos, amamos o proximo? sim, ultimamente passamos até a proteger minorias que antes não tinham protecção,permitimos casamentos entre pessoas do mesmo genero,sim. Permitimos adopções, sim. Abortos igualmente, evoluimos socialmente passamos a amar o proximo novamente? sim, mas mudamos os nossos sentimentos ou estes não existiam antes? Não, existiam, existem, existirão, simplesmente não tinham aplicação na realidade pratica e passaram a ter.


    A senhora vê nisto uma evolução da natureza humana, dos nossos sentimentos, antes não existiam agora sim passaram a existir, mentira, as pessoas ja os tinham sentiam-nos mas não eram válidos socialmente, não existiam socialmente só isso, são avanços civilizacionais tais como com a escravatura, a pena de morte, o voto, a greve. etc etc. Mudamos? Não,civilizamos os nossos relacionamentos, passamos a amar o proximo de facto, de outra maneira. mas somos os mesmos de sempre.


    O homem é o lobo do homem, os sentimentos primitivos estão la todos nem mais nem menos. O amor, o odio, a inveja, o egoismo todos os sentimentos humanos existiam, existem existirão e são praticados no dia a dia. Se ler as fábulas antigas, os antigos filosofos gregos, os assirios, os judeus, os contos da biblia etc etc, encontra la disto tudo em grandes e pequenas doses estes sentimentos humanos, as pessoas é que não distinguem o processo civilizacional e cultural em que o homem gradualmente foi abandonando a pratica de um estado natural e se civilizou, com a natureza humana, e pensam que os sentimentos se criam com a cultura e civilização.

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  2. resposta mui sucinta, mas irei continuar no tema, porque os seus comentários despertam-me interesse.

    tem razão, este post tem ligação com os nossos comentários abaixo. ;)

    referi as leituras que tenho feito do António Damásio: "Sentimento de SI", "erro de Descartes". Foram importantes para distinguir sentimentos e emoções, o papel do cérebro nos mesmos etc. Se não conhece, recomendo.

    "Os genes não transmitem nem cultura nem sabedoria, quando morremos la vai tudo, fica o testemunho se o deixarmos".

    Estudos demonstram o contrário. por exemplo: certos hábitos alimentares, são consequência da herança genética que recebemos, para nos adaptarmos às condições climáticas. A mulher e a maternidade...ui, que carga, genética e cultural. com tempo, darei mais exemplos.

    Genética e meio cultural, é impossível dissociar os dois, somos produtos de ambos. O "meio" influencia-nos e nós influenciamos o meio.


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  3. “Estudos demonstram o contrário. por exemplo: certos hábitos alimentares, são consequência da herança genética que recebemos, para nos adaptarmos às condições climáticas”


    Verdade que sim, mas a senhora esta entrar por territorios muito diferentes na evolução esta a misturar o habitat e as caracteristicas ao habitat com a evolução da matriz da natureza humana.


    É claro que desde que o homem abandonou o seu berço natural segundo consta em africa, essas mudanças foram visiveis na adaptação ao meio e a alimentação, teve que ser por sobrevivencia, caso contrario morreria e os genes desapareceriam e não serviriam para nada. Dizem que mudamos a cor da pele, do cabelo por influencia do clima, mas e o resto deixamos de ser o que eramos? os sentimentos de posse, orgulho, conquista, o amor, o odio, a avareza, o egoismo, o altruismo esses são a nossa matriz humana, o nosso sentir, e como tal não esta sujeita a factores ambientais nem do meio. Por isso somos o que somos.


    Mas claro civilizamo-nos, temos um comportamento adaptativo, mas nunca deixamos de ser bons, maus, assim assim. A sociabilidade, a educação e cultura tem efeito sobre nós, e actuam inibindo algumas das nossas acções e reaçcões, mas no nosso trajecto somos objecto de estimulos que nos fazem revelar o nosso ser, o nosso eu verdadeiro interior, quando essas situaçoes acontecem muitas vezes perdemos o controle dos nossos actos e deixamos de os controlar, como que há uma força para nós ainda estranha que passa a controlar as nossas acções e isso vem nos demonstrar que certos aspectos do comportamento humano são determinados pela genética. Por isso, ser bom ou ruim, muitas vezes não é controlável pela nossa vontade, somos assim, somos o que somos, esta na nossa matriz da natureza humana. Pode-se tentar mudar mas por vezes não dá, não resulta e quando resulta é optimo.


    Tudo isto começou pelo homem novo, não há homem novo, ja foi tema de muito queimar de pestanas na filosofia, conheço o Damásio, mas também conheço Thomas Hobbes, John Locke, Rousseau, Montesquieu etc.


    E para terminar este tema que começou com o homem novo,eu nunca falaria de um homem novo, mas de um homem mudado, modificado,adaptado civilizado, de um novo homem.

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  4. eu também não espero o "homem novo" ali ao virar da esquina. não foi esse o sentido que me moveu a citar Dostoievski.

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