2013-07-28

mark rothko - new forms

porque hoje é domingo



Também vos digo:
Pedi e dar-se-vos-á;
procurai e encontrareis;
batei à porta e abrir-se-vos-á.
Porque quem pede recebe;
quem procura encontra
e a quem bate à porta, abrir-se-á.

Lc, 11 


Mas agora, disse ela, como quem volta ao que interessa,  diga-me o que  espera da vida, além de fama e fortuna, que são o óbvio. Eu respondi: Não sei o que espero. Sei o que gostaria. Eu gostaria de ser adulto.”  (Truman Capote, Monstros Imaculados)

2013-07-27

"era algo para lá de todo e qualquer tipo de contentamento"


Não são necessárias muitas palavras para expressar o que foi a apresentação do livro do Henrique: celebração da Vida! E basta de palavras, o melhor é deixar o Henrique a falar disso:

ANTONIA POZZI


Um dia acordei invisível e tudo me pareceu suportável. Andei pelas ruas como um anjo na terra, não atormentei ninguém, nem deixei que me atormentassem os olhos dos outros. Estava bom tempo. Sentei-me numa esplanada e abri um livro sobre a mesa. Quem olhasse para aquela mesa não me veria, iria apenas reparar num livro que julgaria perdido. Era o meu livro. Folheava-o. Passava as páginas como se fosse o vento, as pontas dos meus dedos sopravam as páginas de um lado para o outro. Quem olhasse as páginas a passarem de um lado para o outro julgaria que era o vento. E era, porque eu era o vento.
Foi no dia em que acordei invisível, a três de Dezembro. Apanhei as pessoas distraídas e servi-me de um copo de cerveja. Uma bênção. Que estranho, pensavam as pessoas que passavam e olhavam para uma mesa vazia. Sobre a mesa, apenas aquele copo de cerveja e um livro aberto. Ninguém me via. Fui bebendo a cerveja. O copo ia ficando vazio. Quem o olhasse estranharia, pensaria que ali se passava um acelerado processo de evaporação. E passava. Eu era vapor, nos meus lábios o vapor de um dia, da minha boca para fora uma nuvem de vapor que ninguém via. Apenas eu, que ali sentado folheava um livro e bebia uma cerveja.
Eu era um vapor redundante na boca do vento, exagerava talvez esse esforço inútil a que nos dedicamos sempre que pretendemos meter nas palavras a areia que nelas não cabe. As palavras estão cheias de si, nada lhes podemos acrescentar que elas não tenham já.
Então vi Antonia passar. Fui atrás dela. Não como que perseguindo-a, porque não a perseguia. Na verdade, pouco me ralava onde iria, o que fazia, apenas queria saber se estava bem. E invisivelmente persegui Antonia até uma nova realidade. Antonia tinha uma caminhada encantadora. Entrou numa imagem, e dessa imagem saltou para outra imagem, atravessou túneis longínquos de imagens fantasiosas, tinha a voz de um anjo, o rosto engenhoso de quem sonha e não se importa de oferecer alegria aos olhos. Eu amava Antonia, amo-a. Penso nela a todas as horas do dia. Mas não quis fazê-la sofrer, deixei-me ficar invisível e meti-me por atalhos obscuros, pensei que talvez pudesse ser salvo pela tristeza. De uma atmosfera assim, tudo o que podemos esperar é indiferença.
Trouxe à flor da pele a revolução disfarçada de um corpo. Senti-me triunfante. Já não estava tão invisível, se bem que ninguém reparava em mim. Voltei à mesma esplanada, à mesma mesa, com o mesmo livro e o mesmo copo de cerveja. Agora qualquer pessoa podia ver-me, mas ninguém notava. Era como se eu não estivesse ali, como se a mesa permanecesse desocupada. Na verdade, eu retirara graça a uma mesa vazia. Eu era a esfinge que destoava numa paisagem toldada.
Idiota, disse a mim mesmo. Para quê pretender um corpo que ninguém toca, que ninguém vê, que ninguém suporta?
Fui para casa ouvir música. Eu era outra coisa quando ouvia música. Já não era o vento nem um vapor na boca do vento, nem sequer era um corpo, era algo para lá de todo e qualquer tipo de contentamento. Era a finíssima dor do silêncio quando é atravessada pelo som,
era uma linha ténue que separa o dentro do fora,
era essa pele esticada de onde retiraste o baque de um coração espontâneo,
era um ritmo que não glosa o tempo,
nem a luz que no imo
desse tempo se faz treva e ilumina,
era uma coisa cheia de vazio,
a nuvem de pó que se levanta
quando à passagem da tempestade as raízes de um coro de árvores
gritam em uníssono pelas folhas arrancadas,
e as flores choram o pólen que parte para lugares insondáveis e de lá nunca mais volta.

Henrique Manuel Bento Fialho in Suicidas



2013-07-25

é já amanhã





A melhor coisa da chamada blogosfera é conhecer pessoas. E passar dos contactos virtuais, para momentos de encontro presencial, já me proporcionou conhecer pessoas que enriqueceram, e muito, a minha vida.
É por isso que amanhã não posso faltar à apresentação do novo livro do Henrique.


2013-07-22

caminhos







Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo.
Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente.

 
Milan Kundera, in "A Imortalidade"

2013-07-21

saber escolher a melhor parte

Marta reprimands her Sister Mary Orazio Gentileschi 1620 Munich

porque hoje é domingo



Continuando o seu caminho, Jesus entrou numa aldeia. E uma mulher, de nome Marta, recebeu-o em sua casa. Tinha ela uma irmã, chamada Maria, a qual, sentada aos pés do Senhor, escutava a sua palavra. Marta, porém, andava atarefada com muitos serviços; e, aproximando-se, disse: «Senhor, não te preocupa que a minha irmã me deixe sozinha a servir? Diz-lhe, pois, que me venha ajudar.» O Senhor respondeu-lhe: «Marta, Marta, andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária. Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada.» (Lucas 10, 38-42)


Andamos sempre atormentados. No decorrer de uma semana, a gravidade e quantidade de coisas que deixamos que nos preocupem um pouco, ou talvez muito, é verdadeiramente notável.

Como a pessoa obesa que, sem dar conta, petisca constantemente aqui e ali, espantando-se quando no final do dia verifica o quanto engordou, a maior parte de nós ficaria surpreendida se o peso das nossas preocupações pudesse ser também ser visível numa balança.

A preocupação rouba as melhores partes das nossas vidas, mas não tem que ser assim. É por isso que Jesus diz firmemente a Marta: “Andas inquieta e perturbada com muitas coisas; mas uma só é necessária”.

Temos a capacidade de escolher aquilo a que damos a nossa atenção. O desafio é ver e eleger o que é merecedor do nosso tempo e do nosso coração. Não desperdice a vida com aquilo que no fim se converte em nada. Deixe que Deus lhe mostre “a melhor parte”, a única “que é necessária”.


2013-07-20

não, não é por muito se falar



Sem grandes surpresas, li esta entrevista de Manuel Clemente, o novo patriarca de Lisboa. Às perguntas correntes, responde de forma previsível. Sobre a falta de vocações, que ele até sugere que, no caso masculino, nem é tão mau quanto isso. As vocações femininas é que estão em grande decréscimo. Não lança grandes pistas (também é uma entrevista, não uma análise aprofundada), mas eu até extraio aspectos positivos nessa falta de vocações de consagração feminina. Talvez um forte sinal de que, às mulheres em Portugal, não estão destinadas apenas as duas vias tradicionais: serem mães de família ou uma vocação de consagração religiosa. Sem tirar algum valor às duas situações, parece-me bem mais salutar, para toda a sociedade e para as mulheres em particular, a valorização e realização das mulheres em diferentes papéis profissionais, que anteriormente eram eminentemente masculinos.
Se cruzarmos este tema, com este artigo do mesmo jornal, melhor se compreende como esta não é uma questão menor nem desprezível.




2013-07-18

da "descrição de uma luta"


O rio era largo e as suas ondas pequenas e barulhentas reflectiam a luz. Na outra margem havia prados que, mais ao longe, se fundiam em arbustos, por trás destes, já bem distantes, podíamos ver alamedas de árvores de fruto que conduziam a colinas verdes.
Feliz com esta vista, permaneci deitado, tapando os ouvidos contra o ruído horrível dos soluços e pensei:"Aqui podia ser feliz. Pois é um sítio recatado e lindo. Não era necessário ser-se muito corajoso para se viver aqui. Terei que lutar aqui como em qualquer outro lugar mas, pelo menos, não terei que me preocupar em fazer movimentos graciosos. Isso não será necessário. Pois aqui há somente montanhas e o vasto rio, e eu tenho o bom senso de pensar neles como inanimados. Sim, quando durante a noite caminhar inseguro e sozinho entre os prados, estarei tão abandonado como as montanhas, a única diferença é que serei capaz de sentir esse abandono. Mas, penso que até isso irá passar".
Por conseguinte brinquei com a minha vida futura e tentei obstinadamente esquecer. E todo o tempo olhei o céu, que tinha uma cor fora do vulgar, piscando os olhos. Já passara muito tempo desde que eu o tinha notado assim daquela cor; estava comovido e recordei outros tempos em que pensava tê-lo visto daquela forma. Tirei as mãos dos ouvidos, estiquei os braços e deixei-os cair na erva.
Ouvia alguém a soluçar baixinho, ao longe. Um vento começou a soprar forte e um monte de folhas, que eu não vira antes, levantou-se lutando no ar. Fruta verde foi arrancada intensamente das árvores com um ruído surdo, caindo no chão. Nuvens hediondas elevavam-se por trás da montanha. As ondas batiam no rio e afastavam-se do vento.
Levantei-me rapidamente. O meu coração doía-me, pois agora parecia impossível fugir do meu sofrimento. Estava prestes a regressar à minha vida antiga e a abandonar esta região, quando me ocorreu a seguinte ideia:"Como é estranho que até aos nossos dias, pessoas distintas sejam transportadas pelo rio deste modo complicado. A única explicação é tratar-se de uma tradição já antiga". Abanei a cabeça, pois estava surpreendido.


Franz Kafka in "Descrição de uma Luta"

2013-07-16

fé e compromisso


Acabei de saber que o Zé Dias morreu. Apenas o conhecia através de um amigo comum e da escrita no blogue, que tinha como título "fé e compromisso" e subtítulo "divórcio ou casamento eterno?".
Por aquilo que escreveu e pelos testemunhos que me chegaram, nele, a fé e compromisso eram um casamento eterno. 


2013-07-13

mulheres do jardim, Malala

o resgate que urge



6O jejum que me agrada é este:
libertar os que foram presos injustamente,
livrá-los do jugo que levam às costas,
pôr em liberdade os oprimidos,
quebrar toda a espécie de opressão,
7*repartir o teu pão com os esfomeados,
dar abrigo aos infelizes sem casa,
atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão.
8*Então, a tua luz surgirá como a aurora,
e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se.



Isaías, 58 6-8


 

2013-07-08

a igreja também é isto







"Peçamos ao Senhor a graça de chorar sobre a nossa indiferença, sobre a crueldade que há no mundo, em nós, também naqueles que no anonimato tomam decisões sócio-económicas que abrem a estrada para dramas como este".




2013-07-07

a fé sem novidade





A  Carta Encíclica Lumen Fidei vem como autoria do Papa Francisco. Mas notoriamente foi escrita  pelo Papa anterior, agora emérito, Bento XVI. Confessa-o claramente  o Papa Francisco:“assumo o seu precioso trabalho, limitando-me a acrescentar ao texto alguma nova contribuição”(n.7). E assim deveria ser, pois caso contrário não teria a nota do magistério papal. Seria apenas um texto teológico de alguém que, um dia, foi Papa.

       Bento XVI queria escrever uma trilogia sobre as virtudes cardeais. Escreveu sobre a esperança e o amor. Mas faltava sobre a fé, o que fez agora com pequenos complementos do Papa Francisco.

       A Encíclia não traz nenhuma novidade espetacular que chamasse a atenção da comunidade teológica, do conjunto dos fiéis e do grande publico. É um texto de alta teologia, rebuscado no estilo e carregado de citações bíblicas e dos Santos Padres. Curiosamente cita autores da cultura ocidental como Dante, Buber, Dostoiewsky, Nietzsche, Wittgensstein, Romano Guardini e o poeta Thomas Eliot. Vê-se claramente a mão de Bento XVI, especialmente, em discussões refinadas de difícil compreensão até para os teólogos, manejando expressões  gregas e hebraicas, com soe fazer um doutor e mestre.

       É um texto dirigido para dentro da Igreja. Fala da luz da fé  para quem já se encontra dentro no mundo iluminado pela fé. Nesse sentido é uma reflexão intrasistêmica. Ademais possui uma diccção tipicamente ocidental e européia. No texto só falam autoridades européias. Não se toma em consideração o magistério das igrejas continentais com suas tradições, teologias, santos e testemunhos da fé. Cabe apontar esse solipsismo pois na Europa vivem apenas 24% dos católicos; o resto se encontra fora, 62% dos quais no assim chamado Terceiro e Quarto Mundo. Posso me imaginar um católico sulcoreano, ou indiano, ou angolano ou moçambicano ou mesmo um andino lendo esta Encíclica. Possivelmente todos estes entenderão muito pouco do que lá se escreve, nem se encontram espelhados naquele tipo de argumentação.

       O fio teológico que perpassa a argumentação é típico do pensamento de Joseph Ratzinger como teólogo: a preponderância do tema da verdade, diria, de forma quase obsessiva. Em nome desta verdade, se contrapoõe frontalmente com a modernidade. Tem dificuldade em aceitar um dos temas mais caros do pensamento moderno: a autonomia do sujeito e o  uso que faz da luz da razão. J. Ratzinger a vê como uma forma de substituir a luz da fé.

       Não demonstra aquela atitude tão aconselhada pelo Concílio Vaticano II que seria: nos confrontos com as tendências culturais, filosóficas e ideológicas contemporâneas, cabe primeiramente identificar a pepitas de verdade que nelas existem e a partir dai organizar o diálogo, a crítica e a complementariedade. Seria blasfemar contra o Espírito Santo imaginar que os modernos somente pensaram  falsidades e inverdades.

       Para Ratzinger o próprio amor vem submetido à verdade, sem a qual não superaria o isolamento do “eu”(n.27). Contudo sabemos que o amor tem a suas próprias razões e obedece a outra lógica, diversa sem ser contrária, àquela da verdade. O amor pode não ver claramente, mas ve com mais profundidade  a realidade.  Já Agostinho na esteira de Platão dizia que só compreendemos verdadeiramente o que amamos. Para Ratzinger, o “amor é a experiência da verdade”(n.27) e “sem a verdade a fé não salva”(n.24).

       Esta afirmação é problemática em termos teológicos pois toda a Tradição, especialmente, os Concílios tem afirmado que somente salva “aquela verdade, informada pela caridade”(fides caritate informata). Sem o amor a verdade é insuficiente para alcançar a salvação. Numa linguagem pedestre diria: o que salva não são prédicas verdadeiras mas práticas efetivas.

       Todo documento do Magistério é feito por muitas mãos, tentando contemplar as várias tendências teológicas aceitáveis. No final o Papa confere o seu jeito e lhe dá o aval. Isso vale também para este documento. Na sua parte final, provavelmente, pela mão do Papa Francisco, nota-se uma notável abertura que se compagina mal com as partes anteriores, fortemente doutrinárias. Nelas se afirma enfaticamente que a luz da fé ilumina todas as dimensões da vida humana. Na parte final a atitude é mais modesta:”A fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas é uma lâmpada que guia nossos passos na noite e isto basta para o caminho”(n.57). Com exatidão teológica se sustenta que “a profissão de fé não é prestar assentimento a um conjunto de verdades abstratas mas fazer a vida entrar em comunhão plena com o Deus vivo”(45).

       A parte mais rica, no meu entender, se encontra no n. 45 quando se explana o Credo. Ai se faz uma afirmação que desborda a teologia e tangencia a filosofia:”o fiel afirma que o centro do ser, o coração mais profundo de todas as coisas é a comunhão divina”(n.45). E completa:”o Deus-comunhão é capaz de abraçar a história do homem e introduzi-lo no seu dinamismo de comunhão”(n. 45).

       Mas se constata na Encíclia uma dolorosa lacuna que lhe subtrae grande parte da relevância: não aborda as crises da fé do homem de hoje, suas dúvidas, suas perguntas que nem a fé pode responder: Onde estava Deus no tsunami que dizimou milhares de vida ou  em Fukushima? Como crer depois dos massacres de milhares de indígenas feitos por cristãos ao longo de nossa história, dos milhares de torturados e assassinados pelas ditaduras militares dos anos 70-80? Como ainda ter fé depois dos milhões de mortos  nos campos nazistas de extermínio? A encíclica não oferece nenhum elemento para respondermos a estas angústias. Crer é sempre crer apesar de…A fé não elimina as dúvidas e as angústias de um Jesus que grita na cruz:”Pai, por que me abandonaste”? A fé tem que passar por este inferno e transformar-se em esperança de que para tudo existe um sentido,  mas escondido em Deus. Quando se revelará?

Leonardo Boff, aqui




haendel


2013-07-01

da consolação



E ali nunca mais haverá nada maldito. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade e os seus servos hão-de adorá-lo 4e vê-lo face a face, e hão-de trazer gravado nas suas frontes o nome do Cordeiro. 5*Não mais haverá noite, nem terão necessidade da luz da lâmpada, nem da luz do Sol, porque o Senhor Deus irradiará sobre eles a sua luz e serão reis pelos séculos dos séculos.

Apocalipe, 22