2013-10-16

e nenhum é de menos, nem demais




o Pedro Mexia diz que ler F. Hölderlin é como ler os evangelhos. bastante.


Vivemos de novo uma alegria. Já cedeu a funesta secura,
E a crueza da luz deixou de queimar as flores.
A sala voltou a abrir-se e o jardim viceja,
E o vale, refrescado pela chuva, rumoreja brilhante,
Alto, cheio de plantas, aumenta o caudal dos ribeiros e as asas
Prisioneiras lançam-se de novo para o reino do canto.
O ar está cheio de seres alegres e a cidade, o bosque, está
Repleto, toda a volta, da satisfação dos filhos do céu.
O encontro é-lhes grato e espraiam-se uns por entro os outros,
Desocupados, e nenhum é de menos, nem demais.
Assim o dispõe o coração e a graça de respirar foi-lhes
Predestinada e concedida por um espírito divino.
Mas os caminhantes seguem também a direcção  certa e trazem
Abundantes grinaldas e cantos, enfeitaram
O sagrado bastão com cachos e folhagem e cobre-os a sombra
Dos abetos; de aldeia em aldeia e de dia para dia passa a felicidade,
E como carroças atreladas a animais selvagens os montes
Avançam e o caminho suporta a carga, apressando-se.

[...]

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