2014-02-08




Costumo poisar os dedos, tactear
Até ser o homem que volta para casa

Costumo abrir as mãos com o ferrolho da porta
Costumo estendê-las continuamente


A rua também passa à minha frente
Cada dia e não sabe quando vens




 


Daniel Faria, "Dos Líquidos"


6 comentários:

  1. Já vi uma crítica a um livro deste «poeta» (está entre aspas para não ser redutor) muito mimalha. Este texto é bom.

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    1. Olá, Diogo. :) não sei se conheces a história de vida (e concretamente como morreu) este poeta. é extraordinária. No caso concreto acho que a vida "ditava" a poesia.

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    2. Sim, sei que morreu cedo, mas pormenores da vida e morte, nada sei. Beijinhos, Maria. :)

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    3. há uns bons anos tomei contacto com a poesia de Daniel Faria, por causa de um artigo no suplemento do jornal Público. Já ele tinha morrido. O artigo contava a trajectória de vida o ir para o mosteiro de Singeverga...e o que me impressionou foi a leitura da poesia e a forma como morreu (durante a noite levantou-se, escorregou, bateu com a cabeça e veio a morrer por causa disso), talvez hoje isso já não me "toque" tanto, mas lê isto (mas há muito mais):

      "O meu projecto de morrer é o meu ofício
      Esperar é um modo de chegares
      Um modo de te amar dentro do tempo"

      Beijinhos e óptima semana, Diogo :)

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    4. A crítica ao livro também é do ido 2009 ou 2010, um ano de Inverno muito frio, este último. No JL. É daí que o conheço. :)

      Tenha uma excelente semana e, um beijinho.

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    5. coitado do inverno, está apenas a cumprir-se... :)

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