2014-08-07





Ouve, à noite, como a seda se rasga
e a taça de chá cai ao chão, sem ruído,
como por magia,
tu que só tens palavras doces para os mortos
e levas um ramo de flores na mão
à espera da morte
que cai do seu corcel, ferida por um cavaleiro
que a prende com os seus lábios brilhantes
e chora pelas noites pensando que o amavas,
e diz: vem para o jardim, vê como as estrelas caem
e falemos em sossego para que ninguém nos ouça
vem, escuta-me, falemos de nossos móveis
tenho uma rosa tatuada na face e um bastão

                                       com um punho em forma de pato
e dizem que chove por nós e que a neve é nossa
e agora que o poema expira,
como uma criança, te digo :
vem, eu fiz um diadema

(sai ao jardim e verás como a noite nos envolve)

leopoldo maría panero,
traduzido por Luís Costa, aqui



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