2014-09-08




Baixo os olhos e lembro as discussões com o Reinaldo no tempo em que eu queria sair de casa e ele não deixava. “Sais de casa, mas sais sozinha, sem os miúdos.”, dizia-me e eu ficava sem saber o que fazer. Até que chegou o dia em que dois jovens polícias chegaram e eu pude sair com os meus filhos. Passaram-se apenas alguns anos, mas esse tempo, violento e trágico, parece-me longínquo como se tivesse sido vivido por outra mulher. Já não sinto medo, nem raiva, nem nojo. Serei eu uma mulher diferente? Não sei, mas gosto de acreditar que, se voltasse a passar pelo mesmo, em vez da loucura, dos gestos trágicos, do desespero, saberia agora fazer escutar a minha voz.

daqui 

 

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