2014-10-26


# serra dos mangues, 2014




"A abstracção que aceitamos noutras formas de arte - pintura, escultura, música, poesia - também pode ter lugar no cinema. Temos um ditado persa que diz, quando alguém olha com verdadeira intensidade: "Tinha dois olhos e pediu mais dois emprestados."

Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim | Cinemateca Portuguesa, 2004

2014-10-12

uma espiritualidade desligada das tradicionais formas religiosas


Espiritualidad laica significa también – y creo que esto es igualmente esencial- una espiritualidad emancipada de las formas llamadas religiosas. Esto es algo bastante nuevo en la cultura y sociedad occidental, pero es lo que va a ir desarrollándose.  Una espiritualidad que no tiene por qué estar acompañada de creencias, ritos y normas morales “religiosamente” fundadas, ni inspirada en los textos llamados tradicionalmente religiosos. Si a uno le inspira una música, esa música es espiritual. Que sea espiritual no depende de que hable de la Virgen o sea una misa de Mozart. No depende de esas formas religiosas. Cada vez más estamos llamados a abrirnos a una espiritualidad no ligada a lo religioso. Eso significa espiritualidad laica. De la misma manera que en los ritos fundamentales de la vida (como el nacimiento, la boda, la muerte) ya se están desligando de formas religiosas tradicionales. La gente se casa espiritualmente también en la montaña o en el ayuntamiento. Pueden celebrar espiritualmente el nacimiento de un hijo sin bautizarlo. La muerte se acompaña y el duelo se hace espiritualmente sin funerales en la parroquia con misa. Claro que una sociedad laica tiene el reto de crear sus propias formas desligadas de las tradicionales formas religiosas pero que sean inspiradoras para esos momentos fundamentales de la vida. Esto es un reto importante. ¿De qué se trata? La espiritualidad es el arte de vivir, de respirar, de acoger y de infundir espíritu, como “luz que penetra las almas y fuente del mayor consuelo” eso es fundamental y estamos llamados a vivirlo con formas religiosas o no.


daqui

2014-10-10

2014-10-08

por onde se espraia a solidão






Até que  ela me conta as palavras  finais da ruptura de uma  forma que me acordou: ela estava numa cidade, ele noutra. Por telefone? Acabaram por telefone? Diz ela: sim, por sms.
É fantástico como a  tecnologia facilita  a vida, até  a dos  que não a vivem.
 

2014-10-03

desfazer alguns mitos da maternidade


Porque não se ama quem não se conhece. Um filho acabado de nascer, tal como o sentiu Maria, é um desconhecido. Ainda que uma excrescência solta do seu corpo, não deixa de ser um estranho que de repente invade a vida de uma mulher. Uma mãe precisa de tempo para se acostumar a um filho, mais tempo ainda para o amar. Muitas mulheres levam vários anos até finalmente sentirem amor a um filho. Outras nunca chegam a senti-lo. 


Ana Cássia Rebelo

2014-10-01




Ontem estive a ver o filme Mar Adentro, um filme dramático que me pôs a pensar. Para além do tema do suicídio assistido e das questões morais e éticas que levanta, o que me tocou mais de perto, foram as diferentes perspectivas e consequentes atitudes dos familiares próximos, dos amigos e das duas mulheres (três, diria que a cunhada nutria pelo irmão do marido um amor solícito e verdadeiramente oblativo)apaixonadas pelo tetraplégico Ramón Sampedro.

Na tecedura das diferentes relações, é muito pronunciado o imperativo "tu deves", a começar pela personagem central que quer a todo o custo que lhe seja concedido o direito de decidir pela morte e colocar um fim a trinta anos de sofrimento, sofrido e causado aos seus. Até a igreja institucional aparece (como não podia deixar de ser)a julgar tudo e todos, porque a vida é um dom e, se não de aceita isso, só pode ser por desajuste do próprio ou dos que o rodeiam. A vida é um "pouco" mais complicada do que isso. 

É um acto de violência impor a alguém que aceite um sofrimento extremo (uma violência que se acrescenta à que já existe), e é igualmente violento, pretender e impor que alguém aceite que aquele ser que se ama, não quer mais partilhar vida connosco, decidindo morrer. Para de algum modo priorizar necessidades, podemos tentar escolher quem está em situação de maior fragilidade (à primeira vista é o doente que sofre o tormento físico e consequentemente psíquico) mas também pode ser um pai, uma mãe, já fragilizados pela idade. Não quero sugerir nenhuma escolha, até porque acredito que, dentro das diferentes circunstâncias da vida, podemos crescer interiormente e descobrir forças que nem sabíamos que tinhamos. Apenas quero pensar e descobrir modos de lidar com os diferentes imperativos "tu deves..."