2015-02-28




Já perdeu oportunidade o protesto. Afinal a caça é à pornografia ou a algo inexoravelmente mais pornográfico - o dinheiro. Mas, em despique com o Henrique, por aqui é mesmo sem parra. 
A imagem de hoje, é de um projecto artístico com uma temática de nu feminino diferente: a mulher gorda. A autoria é de Leonard Nimoy, recentemente falecido.
  

O moralismo é sempre um arremedo de vida. Infecta aquilo que se propõe a proteger. Fazer-lhe frente, foi sempre a atitude do teólogo Hans Küng, agora num último desafio: como defender a vida na iminência e nos terrores da morte.

Na vida de todos os dias, o indivíduo pode sentir a pequena felicidade de um instante de satisfação, por exemplo, de uma palavra gentil, de um gesto cordial ou do agradecimento por uma boa ação. Às vezes, também pode conhecer a grande felicidade de uma experiência momentânea exaltante, como o transporte da música, o contato avassalador com a natureza ou o êxtase do amor.

Há apenas uma coisa que a pessoa não é capaz de fazer: prolongar o bom humor. A súplica que Fausto dirige no momento da máxima alegria – "Detém-te, és tão belo" – não é pronunciada por acaso e permanece não ouvida.

À pessoa, no entanto, em vez de uma felicidade perpétua, parecia possível outra coisa: uma serenidade de fundo estável que a impeça de perder a esperança, até mesmo nas situações desesperadas, e que alimente a sua confiança.
Em outras palavras, aceitar, em princípio, a vida assim como ela é, mas sem se resignar a tudo. Uma serenidade de fundo, portanto, permite viver em harmonia, em paz consigo mesmo. Pergunto-me, então: tal atitude não pode ser conservada, mesmo diante da fragilidade e da caducidade humanas, até a morte?


daqui

2015-02-24


lee miller by man ray

ah!...eles são isso



A 23 de março, o Blogger deixa de permitir determinados tipos de conteúdos sexualmente explícitos

«Observação: a nudez ainda será permitida se o conteúdo oferecer um benefício público importante, por exemplo, em contexto artístico, educacional, científico ou de documentário.»


Como protesto, até 23 de Março, vamos ter muitos nus por aqui. Se bloquearem o jardim, já sabem que é por uma boa causa.

2015-02-22

primaveras




As portas que batem

As portas que batem 
nas casas que esperam.
Os olhos que passam
sem verem quem está.
O talvez um dia
Aos que desesperam.
O seguir em frente.


O não se me dá.

O fechar os olhos
a quem nos olhou.
O não querer ouvir
quem nos quer dizer.
O não reparar
que nada ficou.
Seguir sempre em frente
E nem perceber.




maria judite de Carvalho 

#imagem-
János Szász. Hungarian (1925 - 2005)

2015-02-14




Assim como as flores murcham
E a juventude cede à velhice,
Também os degraus da Vida,
A sabedoria e a virtude, a seu tempo,
Florescem e não duram eternamente.
A cada apelo da vida deve o coração
Estar pronto a despedir-se e a começar de novo,
Para, com coragem e sem lágrimas se
Dar a outras novas ligações. Em todo
O começo reside um encanto que nos
Protege e ajuda a viver
Serenos transpunhamos o espaço após espaço,
Não nos prendendo a nenhum elo, a um lar;
Sermos corrente ou parada não quer o
espírito do mundo
Mas de degrau em degrau elevar-nos e aumentar-nos.
Apenas nos habituamos a um círculo de vida,
Íntimos, ameaça-nos o torpor;
Só aquele que está pronto a partir e parte
Se furtará à paralisia dos hábitos.
Talvez também a hora da morte
Nos lance, jovens, para novos espaços,
O apelo da Vida nunca tem fim ...
Vamos, Coração, despede-te e cura-te!



Hermann Hesse. In: Degraus


2015-02-07



«Nunca me cansarei de reconhecer, nem de repetir, que tudo é banal e que só o banal interessa.» 


Irene Lisboa