2015-02-28

  

O moralismo é sempre um arremedo de vida. Infecta aquilo que se propõe a proteger. Fazer-lhe frente, foi sempre a atitude do teólogo Hans Küng, agora num último desafio: como defender a vida na iminência e nos terrores da morte.

Na vida de todos os dias, o indivíduo pode sentir a pequena felicidade de um instante de satisfação, por exemplo, de uma palavra gentil, de um gesto cordial ou do agradecimento por uma boa ação. Às vezes, também pode conhecer a grande felicidade de uma experiência momentânea exaltante, como o transporte da música, o contato avassalador com a natureza ou o êxtase do amor.

Há apenas uma coisa que a pessoa não é capaz de fazer: prolongar o bom humor. A súplica que Fausto dirige no momento da máxima alegria – "Detém-te, és tão belo" – não é pronunciada por acaso e permanece não ouvida.

À pessoa, no entanto, em vez de uma felicidade perpétua, parecia possível outra coisa: uma serenidade de fundo estável que a impeça de perder a esperança, até mesmo nas situações desesperadas, e que alimente a sua confiança.
Em outras palavras, aceitar, em princípio, a vida assim como ela é, mas sem se resignar a tudo. Uma serenidade de fundo, portanto, permite viver em harmonia, em paz consigo mesmo. Pergunto-me, então: tal atitude não pode ser conservada, mesmo diante da fragilidade e da caducidade humanas, até a morte?


daqui

2 comentários:

  1. http://www.publico.pt/tecnologia/noticia/google-volta-atras-e-permite-conteudos-sexuais-no-blogger-1687561

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