2017-03-27

no dia mundial do teatro



O nosso dia mundial do teatro não pode entretanto ignorar que, entre nós, e na Europa, se assiste a uma regressão do espaço de exercício da sua força institucional, voltando o teatro de novo a exercer-se em circuitos alternativos e marginais, estando por assim dizer acantonado, livre de existir na sua precária condição meio marginal, pelo menos aquele que não se vendeu conformando-se com um formato de existência e produção que de algum modo o nega. Há no teatro também um destino burocrático, mais de ritual da democracia do que ele próprio democratizante. Há muito folclore espectacular no seu lugar, muito não teatro, ou snobeira espectacular, que se faz em seu nome.
Com a austeridade novas formas de censura das liberdades do teatro surgiram e, mais que todas, aquelas que lhe tolhem o passo, pela via dos cortes, da censura económica. A austeridade significou uma limitação das liberdades e dos meios do seu exercício, uma limitação das fronteiras do teatro — também aqui se erguem muros, que, por muito bonitos que sejam são muros. Isso aconteceu ao teatro. E ainda não saímos desse golpe, num país em que, em boa verdade, o teatro, tal como ainda se pratica na Europa alargada que o inventou, desde a origem grega à invenção da encenação entre a França, a Alemanha e a Rússia, nunca teve um verdadeiro direito de cidade, tendo vivido, mesmo desde Abril, em circunstâncias de expressão pública muito limitadas, longe daquelas que devem propulsionar as suas potencialidades democráticas e de gosto estético, como arte social por excelência, como arte pública, como modo de qualificação dos portugueses. Estas potencialidades estão longe de ter sido exploradas de acordo com um verdadeiro propósito de cidadania e de liberdade de experimentação estética. O Estado nunca assumiu uma política cultural como componente da democracia, tal como em outras áreas, da educação à saúde.

da Mensagem do TEATRO DA RAINHA
  no DIA MUNDIAL DO TEATRO

#imagem do Espectáculo Europa 39

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