2017-12-16

que falta de discernimento


Não comento o caso concreto, (por total desconhecimento), nem a validade do juízo (pela mesma razão), mas a redutora observação  de que "uma mulher auto-suficiente e determinada se protegeria a si e aos filhos". 
Esta observação, só me leva a pensar, que quem a profere pode  ser alguém muito inteligente, mas não sabe nadinha da vida e muito menos das dinâmicas da violência doméstica e das suas vítimas.


2 comentários:

  1. (Ai esta Maria...)

    Eu percebi perfeitamente, Maria.

    Na maior parte dos casos de violência doméstica, as mulheres não abandonam os lares por não terem para onde ir nem terem meios de subsistência para si e para os seus filhos.

    É quase sempre esta "dependência" que as faz "comer e calar".

    Claro que o que pode ser discutível, é se aquele argumento tem validade jurídica... Mas é preciso saber o contexto em que aquilo foi dito (o que nunca vem nos jornais).

    abraço

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  2. Ai este Luís... :)

    Para além das descontextualizações, que são o que mais acontece no nosso jornalismo, e não descartando que razões económicas são um forte condicionamento para as vítimas de violência doméstica se libertarem da mesma, este argumento, usado pela juíza e implícito no teu comentário, é tão válido como dizer-se que não é crível que um homem seja também vítima. Pela desproporção de forças físicas, etc.

    Penso que estes argumentos padecem da mesma ingenuidade que eu já vivi de que num futuro próximo estaríamos livres (quase) de este e de outros problemas. Já me curei (disso pelo menos).

    Talvez mais forte de que a dependência económica, é a dependência emocional e psicológica. É o medo da mudança. E quando os filhos são pequenos é o medo de os desproteger ainda mais, de sentir a culpa da ruptura, etc.

    Há demasiadas coisas em jogo.

    Abraço.

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