2018-01-23

En passant pelas notícias da actualidade, vi o Papa a pedir desculpa porque "tinha falado sem pensar". Qualquer dos mortais, chegado ao final do dia, e olhando retrospectivamente, dirá que o fez várias vezes. Mas dito em público pelo Papa não se pode dizer que seja algo comum.

2018-01-22

eu que o diga

O sexo é um problema de resolução difícil deixado pela Biologia. Mas o sexo regulamentado pela religião é um problema muito maior. 

ide ler o texto completo ao Ouriquense

2018-01-21

2018-01-19

Por razões várias e diferentes ocupações, a única forma de tomar conhecimento de algumas notícias, foi através do rádio, enquanto conduzia. Sempre em curtos trajectos (sim, sou uma privilegiada, trabalho muito perto de casa). Assim, andei a semana a ouvir pequenos extratos noticiosos que me puseram ao corrente do seguinte: uma operária têxtil ia oferecer um presente/surpresa ao ministro (afinal era um cinto de ligas vermelho e o ministro era o da Economia). O BE está escamado com a Gestão dos CTT (eu também) e vai mandando recados ao Governo para acabar com o regabofe. O LNEC afinal atestou que uma qualquer bancada estava firme e não oferecia perigo. E, pasme-se, a igreja de Braga, pela voz do bispo, anuncia ao mundo que tem uma equipa especializada, para acompanhar casais recasados que queiram integrar-se na igreja. Mas, deixou o aviso, é um percurso longo de discernimento. Voltando ao cinto de ligas vermelho...
Oficina espiritual

Após alguns exercícios de hiper- oxigenação
para respirarmos todos em uníssono,
a mestra pediu que cada qual se apresentasse ao grupo
dizendo acerca de si mesmo alguma qualidade,
"o que quiserem, uma coisa positiva".
Quase toda a gente fluiu airosamente com:
"eu acho-me bonita" ou "gosto de ajudar os outros"
"eu sou um bom amigo" e por aí fora.
Eu disse que fazia muitas asneiras, mas
tinha facilidade em reconhecer os meus erros
e que esta era a única qualidade que possuía
sobre a qual não tinha dúvidas ser algo positivo.
A mestra não gostou.
"Tens orgulho nos teus erros!"
Não sei, é possível, mas duvido que o orgulho
seja, ele mesmo, a qualidade positiva.
Positivo acho que é só reconhecer os erros;
chego a imaginar que se trata da própria ideia de bom de bem.
A mestra arregalou muito os olhos, sem falar.
Aliás, é o que leio na bíblia, no génesis,
quando o criador vai dizendo "que bom"
a cada coisa que cria, vai como que admitindo o erro.
A mestra serrou os dentes:
"O erro não é uma coisa positiva.

Não disseste absolutamente nada de positivo".

João Paulo Esteves da Silva in Tâmaras
edição, douda correria, 2016


2018-01-13


[...] à laia de manifesto alternativo ao das 100: queridos homens, nós, feministas, que não vos odiamos, que gostamos de sexo, estamos com a liberdade e queremos estar convosco. Resta saber onde vocês estão.

Aqui está um repto que eu assino por baixo, embora ressalve o seguinte: Isto não é uma questão de feminismo ou feminismos - porque há vários - e muito menos de vitimização. Até porque ela está presente, de modos diferentes, é certo, em elementos de ambos os sexos.
Há uma nova consciência social de que uma mulher não pode estar sujeita a tudo e vivê-lo em silêncio. Isso não é confundir assédio com sedução. Não vale a pena querer nivelar tudo.

porque hoje é sábado


#Foto de Maciej Dokowicz

2018-01-12


Há qualquer coisa de profundamente doentio, mesmo perverso, em caluniar, num lamento que se julga a si próprio elevado, a linguagem como incapaz de ser o que é, linguagem. Mas, em rigor, o lamento tem origem numa pretensão que lança um voto sobre a linguagem incapaz de reconhecer e de experimentar o que ela é, não uma coisa, não uma pedra nem árvore nem estrela nem homem nem mulher, mas desejo de dizer.
Por isso, mistério é que haja o dizer, não o indizível. O indizível aponta para uma tensão que o dizível transporta, não é um estranho à palavra, pelo contrário, a palavra concentra e guarda, às vezes petrifica de tão glorificado, um movimento, uma promessa, uma inquietação, inerentes a ela mesma e a que só ela pode acudir, que só ela pode engendrar.


Maria Filomena Molder,
Dia Alegre, Dia Pensante, Dias Fatais
Relógio D'Água


A Penumbra da Claridade (para escutar, apenas)

2018-01-10

Elas quiseram mesmo dizer, importunar?

Que as mulheres têm de ser mais autónomas, completamente de acordo, mas importunadas e coagidas, tenham lá juizinho!

Adenda:

Leiam, por favor, este post no Ouriquense.

Adenda 2:

Mais um texto de opinião clarificador. E não, condenar o assédio não é nenhuma campanha contra os homens. Nem põe todas as mulheres em qualquer peanha. Não vele a pena mistificar para não dialogar e mudar comportamentos.

im·por·tu·nar - Conjugar

verbo transitivo

1. Incomodar, enfadar, ser molesto a.

2. Causar transtorno a.

3. Perseguir insistentemente ou com obsessão. = MOLESTAR

"importunar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/importunar [consultado em 10-01-2018].

2018-01-07

Quem passa por este blogue, quase de certeza segue o do Henrique, mas por mil e uma razões, quero destacar o seguinte:

Eis um balanço que está por fazer, o das mulheres que foram assassinadas em 2017 por seus maridos ou namorados, vítimas de um amor sem fundamento, algumas reiteradamente agredidas ao longo dos anos, executadas das mais diversas e cruéis formas depois de tortura prolongada. Foram mártires de uma causa que o Deus das igrejas não reconhece, tão ágil que sempre foi a relegar a mulher para o plano da subjugação. Presas ao matrimónio, escravas do prazer masculino, condenadas à castidade, as mulheres que nascem servas e servas têm de morrer. Que crimes terão cometido? De que males padecerão para que se justifiquem acórdãos de juízes a desculpabilizar os agressores? Mártires de uma praga cultural, civilizacional, essas mulheres que ousaram ser humanas morreram não para que as esqueçamos, mas para que nos lembremos diariamente da maldição há muito sobre nós lançada. Não poderão morrer mudas, para sempre silenciadas, como se tivesse sido por nada o que sofreram.


Ella

2018-01-06

da calma e do silêncio

Quando eu morder a palavra,

por favor,
não me apressem,
quero mascar,
rasgar entre os dentes,
a pele, os ossos, o tutano,
do verbo,
para assim versejar
o âmago das coisas.

Quando meu olhar
se perder no nada,
por favor,
não me despertem,
quero reter,
no adentro da íris,
a menor sombra,
do ínfimo movimento.

Quando meus pés
abrandarem na marcha,
por favor,
não me forcem.
Caminhar para quê?
Deixem-me quedar,
deixem-me quieta,
na aparente inércia.
Nem todo viandante
anda estradas,
há mundos submersos,
que só o silêncio
da poesia penetra.

Conceição Evaristo
(ler mais aqui)

porque hoje é sábado - sol de inverno


2018-01-01


não sendo possível "pedir ao instante que não passe", simula-se capturá-lo.

Feliz Ano Novo, amigos e passantes.