2018-01-19

Oficina espiritual

Após alguns exercícios de hiper- oxigenação
para respirarmos todos em uníssono,
a mestra pediu que cada qual se apresentasse ao grupo
dizendo acerca de si mesmo alguma qualidade,
"o que quiserem, uma coisa positiva".
Quase toda a gente fluiu airosamente com:
"eu acho-me bonita" ou "gosto de ajudar os outros"
"eu sou um bom amigo" e por aí fora.
Eu disse que fazia muitas asneiras, mas
tinha facilidade em reconhecer os meus erros
e que esta era a única qualidade que possuía
sobre a qual não tinha dúvidas ser algo positivo.
A mestra não gostou.
"Tens orgulho nos teus erros!"
Não sei, é possível, mas duvido que o orgulho
seja, ele mesmo, a qualidade positiva.
Positivo acho que é só reconhecer os erros;
chego a imaginar que se trata da própria ideia de bom de bem.
A mestra arregalou muito os olhos, sem falar.
Aliás, é o que leio na bíblia, no génesis,
quando o criador vai dizendo "que bom"
a cada coisa que cria, vai como que admitindo o erro.
A mestra serrou os dentes:
"O erro não é uma coisa positiva.

Não disseste absolutamente nada de positivo".

João Paulo Esteves da Silva in Tâmaras
edição, douda correria, 2016


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