2018-01-07

Quem passa por este blogue, quase de certeza segue o do Henrique, mas por mil e uma razões, quero destacar o seguinte:

Eis um balanço que está por fazer, o das mulheres que foram assassinadas em 2017 por seus maridos ou namorados, vítimas de um amor sem fundamento, algumas reiteradamente agredidas ao longo dos anos, executadas das mais diversas e cruéis formas depois de tortura prolongada. Foram mártires de uma causa que o Deus das igrejas não reconhece, tão ágil que sempre foi a relegar a mulher para o plano da subjugação. Presas ao matrimónio, escravas do prazer masculino, condenadas à castidade, as mulheres que nascem servas e servas têm de morrer. Que crimes terão cometido? De que males padecerão para que se justifiquem acórdãos de juízes a desculpabilizar os agressores? Mártires de uma praga cultural, civilizacional, essas mulheres que ousaram ser humanas morreram não para que as esqueçamos, mas para que nos lembremos diariamente da maldição há muito sobre nós lançada. Não poderão morrer mudas, para sempre silenciadas, como se tivesse sido por nada o que sofreram.


Sem comentários:

Enviar um comentário