2018-03-25






Na primeira tentativa da flor há fealdade e ao mesmo tempo candura; depois, da noite para o dia uma gota de tinta como uma gota de leite. Basta que à névoa se misture o sol, para entreabrir, ainda informe. Todos os seres, antes de se vestir são abortos: têm medo de nascer belos. 
Às vezes basta um dia. De um instante para o outro, poeira azul, entontecimento, sonho...
E isto não é só material. Neste mistério há certa dor, certa tontura, há até espanto. É um olhar que se abre para o mundo. Pela emoção a árvore comunica com o universo e manifesta uma vontade que triunfa sobre a dor inconsciente.

Entre a árvore, o céu e a terra há um compromisso de ternura.


Raúl Brandão in Húmus

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