2018-05-01

a ler os outros



Ousar pensar é resistir e saber decifrar os mecanismos, sempre em mudança, da manipulação. Mas não nos movimentamos na direcção da complexidade nem da felicidade e o movimento dado a ver é um simulacro, pois quase tudo apela à imobilidade, condição da mediocridade e da manipulação. Os mais capazes, os mais audazes, aqueles, portanto, que conseguem alcançar a consciência da força libertadora do conhecimento, poderão acabar destruídos pela função praticamente elementar que a linguagem tem já na sociedade; sentir-se-ão, esses que sabem o que significa o pensamento complexo e dele fazem o insubstituível uso, a falar sozinhos num deserto insuportável de ruído estéril onde a comunicação recíproca é elementar e a crítica uma impossibilidade ou uma ousadia punível. Um dia estaremos irreconhecíveis sem nos darmos conta desse vazio, sem nos darmos conta dos significados.



Jorge Muchagato, aqui

2 comentários:

  1. Bom dia, Maria, muito obrigado por ter lido e por ter feito menção do meu caderno. Uma surpresa muito agradável, um abraço e a minha gratidão.

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  2. Ora essa! já que vendemos ao desbarato privacidade e intimidade, o melhor que temos a fazer é desfrutar o que de bom a rede nos oferece. E o que é bom é obrigatório partilhar. Também vou seguindo com gosto o blogue para o centenário de Amália. E ou eu me engano muito ou o Jorge foi professor de uma das minhas filhas. Tenho memória de o nome ser comentado em casa. Este mundo é pequeno mesmo. :)

    Um abraço grato, também.

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