2018-05-28

porque não há escolhas limpinhas, limpinhas


[...]não deixo de refletir em relação a um mundo e uma sociedade em que se vão inscrevendo supostos direitos individuais enquanto se ignoram direitos coletivos. Numa prática ideológica que consagra a atomização do indivíduo e a sua responsabilização por todas as situações sociais, como se elas não decorressem de uma determinada sociedade. Será despenalizada a morte assistida, mas não são responsabilizados política e socialmente aqueles que destroem o Serviço Nacional de Saúde e antecipam, de facto, a morte de milhões de pessoas por falta de cuidados de saúde. Saúde, educação, habitação, emprego são direitos que deixaram de o ser. São considerados heranças arcaicas de uma sociedade não livre. Livre é o mercado. Liberalizar o mercado de emprego significa despedir livremente. A palavra “liberdade” transformou-se nas regras que garantem o poder dos mais fortes e que liquidam os direitos da maioria da população, que muitas vezes foram falsamente trocados por “direitos” individuais.

Nuno Ramos de Almeida, aqui

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