2019-02-14

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O mesmo se pode igualmente dizer das pessoas comuns – todos nós, afinal – que se diluem nas redes sociais no dia-a-dia como forma de dizer ‘eu sou’/‘eu estou aqui’. Quase que deixam de existir todos os dias, para voltarem, na manhã seguinte, a tentar ofegantemente respirar de olhos arregalados num novo post.

Os Toltecas faziam igualmente sacrifícios para que o sol nascesse depois de cada noite. A fé impunha a morte, mas agora o “temor e o tremor” parecem repetir-se. Compreender a fé é na realidade um absurdo, mas ainda mais absurdo é praticar uma fé (dir-se-á que é o caso dessa fé cega que consiste em ‘comunicar por comunicar’) num mundo que dela radicalmente se apeou, para dar lugar à liturgia da atenção inebriada.


Luis Carmelo (aqui)

2 comentários:

  1. É verdade. Tanto silêncio, tanta ausência de quem está presente.

    Pois... e ainda há a questão física, Maria.

    Esta gente que passa o tempo curvada ao telemóvel, de certeza que está a alimentar uma "marreca", para o fim de vida. :)

    abraço

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  2. "Tanto silêncio, tanta ausência de quem está presente." Não é novo, nem surgiu por causa das redes sociais.

    E cada um sabe de si, não é? ;)

    Abraço, Luís.

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