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2012-07-17

diário da alma #3


Levanto os meus olhos para ti, SENHOR,
para ti que habitas nos céus.
 
2*Como os olhos do servo se fixam nas mãos do seu amo,
e como os da serva, nas mãos da sua ama,
assim os nossos olhos estão postos no SENHOR, nosso Deus,
até que tenha piedade de nós.
 
3*Tem piedade de nós, SENHOR, tem piedade de nós,
porque estamos saturados de desprezo.
 
4A nossa alma está saturada da troça dos arrogantes
e do desprezo dos orgulhosos!


Salmo 123

2012-07-15

diário da alma #2



14. Sair da igreja

Sair da igreja
deixar a celebração
porque não se aguenta mais
porque não podemos continuar
por causa do excesso de intensidade e de sobranceria
do que é considerado dever aí ser feito
em contraste com o desaire aflitivo do que de facto se passa
deixar sem escândalo, sem contestação, com tristeza
e o desejo resistente que de novo se eleve
como? como?
a luz do grande poema onde se inauguram todas as coisas.



as outras 16 aqui

2012-07-12

diário da alma #1


A sabedoria clama nas ruas,
eleva a sua voz nas praças,
grita por sobre os muros,
faz ouvir sua voz à entrada das portas da cidade:
«Até quando, ó simples, amareis a ingenuidade?
Até quando os néscios se deleitarão em zombar
e os insensatos odiarão o saber?»


Provérbios 1, 20-22

2012-06-21

onde nos leva o olhar

7*Mas o SENHOR disse a Samuel: «Que te não impressione o seu belo aspecto, nem a sua alta estatura, pois Eu rejeitei-o. O que o homem vê não importa; o homem vê as aparências, mas o SENHOR olha o coração.» 8

1ª Samuel 16 7-8

2012-06-20

Abrir o olhar


Perante o Mal há tantas coisas que desconhecemos, para as quais não temos uma explicação, nem ninguém a pode dar. Mas será que para o Bem  temos respostas? Não é ele também um enigma e um enigma ainda maior? Tome-se o Livro de Job. Há aquele momento central em que Deus o manda apertar o cinto e pôr-se de pé, porque vai interrogá-lo. É de facto uma ocasião fantástica: Job está cheio de razões, num protesto aparentemente justíssimo contra Deus e agora ouve: «Cinge os teus rins como um homem; vou interrogar-te e tu me responderás» (Jb 40,7). E Deus diz-lhe uma coisa de todo inesperada: «Vê o hipopótamo que criei como a ti...Os seus ossos são como tubos de bronze, a sua estrutura é semelhante a pranchas de ferro. É a obra prima de Deus.» (Jb 40,15.18-19).

É uma pedagogia que Deus inaugura. Ao mandar Job olhar para o hipopótamo, Deus abre o seu olhar (o nosso olhar), escancara-o a tudo o que é grande e imenso, a tudo o que nos escapa, mostrando-lhe que, se o mal não tem resposta, o Bem menos ainda. A maravilhosa obra do Criador também não tem resposta. O amor e o espanto, o riso e o dia, a alegria e a dança são sem porquê. Porque fazemos então depender tudo de uma reposta para o Mal, se o Bem é igualmente um mistério, e um mistério infinitamente maior?

«Olha de frente  tudo o que é grande» - é o desafio que Deus faz a Job, o repto que nos faz a nós. Perante isto, Job responde ao Senhor: «Falei de maravilhas que superam o meu saber...Os meus ouvidos tinham ouvido falar de ti, mas agora vêem-te os meus próprios olhos, por isso me retrato» (42, 1-6). Ele tinha ouvido falar de Deus, mas agora viu Deus. Viu o mistério do Criador, fixou o coração na sua grandeza, reparou de frente na imensidão. Há um silêncio que é o princípio da transformação da vida.



José Tolentino Mendonça in "Pai-Nosso que estais na Terra"

2012-06-18

2012-06-11

nem no pecado


É espiritualmente desastrosa a ideia que se espalhou na visão corrente da existência cristã, segundo a qual, quando pecamos, Deus se afasta de nós. Que acontece como que um eclipse de Deus. Pode lá ser! Pelo contrário: é preciso dizer, que quando pecamos Deus agarra-se ao nosso pescoço. Deus não nos deixa; Deus aumenta o seu amor por nós. Deus derrama a sua ternura, Deus acena, Deus suplica que abramos os olhos, que caiamos em nós e nos recordemos daquilo que somos, recobrando as forças...E é exactamente porque Deus se agarra ao nosso pescoço, como alguém que nos ama absolutamente, alguém que - di-lo a parábola - nos «cobre de beijos» (Lc 15,20), que podemos voltar ao abraço paterno.


José Tolentino Mendonça -
"Pai-Nosso que estais na terra"

2012-06-03

porque hoje é domingo

Alvorninha, Junho 2012


Ide, pois...E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos. (Mt 28, 19-20)

Ide: não vos instaleis nas dores e nas alegrias que vos calharam em sorte. Ide: sabendo que é no caminhar que é possível o encontro. Ide: sem esquecer nunca que o mistério que vos habita, está igualmente presente no outro que ides encontrar.