2011-10-09
O banquete é para todos. Sem condições
Naquele tempo,
Jesus dirigiu-Se de novo
aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo
e, falando em parábolas, disse-lhes:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei
que preparou um banquete nupcial para o seu filho.
Mandou os servos chamar os convidados para as bodas,
mas eles não quiseram vir.
Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes:
‘Dizei aos convidados:
Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos,
tudo está pronto. Vinde às bodas’.
Mas eles, sem fazerem caso,
foram um para o seu campo e outro para o seu negócio;
os outros apoderaram-se dos servos,
trataram-nos mal e mataram-nos.
O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos,
que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.
Disse então aos servos:
‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos.
Ide às encruzilhadas dos caminhos
e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.
Então os servos, saindo pelos caminhos,
reuniram todos os que encontraram, maus e bons.
E a sala do banquete encheu-se de convidados.
O rei, quando entrou para ver os convidados,
viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial.
E disse-lhe:
‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.
Mas ele ficou calado.
O rei disse então aos servos:
‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores;
aí haverá choro e ranger de dentes’.
Na verdade, muitos são os chamados,
mas poucos os escolhidos».
Jesus dirigiu-Se de novo
aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo
e, falando em parábolas, disse-lhes:
«O reino dos Céus pode comparar-se a um rei
que preparou um banquete nupcial para o seu filho.
Mandou os servos chamar os convidados para as bodas,
mas eles não quiseram vir.
Mandou ainda outros servos, ordenando-lhes:
‘Dizei aos convidados:
Preparei o meu banquete, os bois e os cevados foram abatidos,
tudo está pronto. Vinde às bodas’.
Mas eles, sem fazerem caso,
foram um para o seu campo e outro para o seu negócio;
os outros apoderaram-se dos servos,
trataram-nos mal e mataram-nos.
O rei ficou muito indignado e enviou os seus exércitos,
que acabaram com aqueles assassinos e incendiaram a cidade.
Disse então aos servos:
‘O banquete está pronto, mas os convidados não eram dignos.
Ide às encruzilhadas dos caminhos
e convidai para as bodas todos os que encontrardes’.
Então os servos, saindo pelos caminhos,
reuniram todos os que encontraram, maus e bons.
E a sala do banquete encheu-se de convidados.
O rei, quando entrou para ver os convidados,
viu um homem que não estava vestido com o traje nupcial.
E disse-lhe:
‘Amigo, como entraste aqui sem o traje nupcial?’.
Mas ele ficou calado.
O rei disse então aos servos:
‘Amarrai-lhe os pés e as mãos e lançai-o às trevas exteriores;
aí haverá choro e ranger de dentes’.
Na verdade, muitos são os chamados,
mas poucos os escolhidos».
2011-10-08
cativeiro
Na madrugada do mundo engendrou-se a mais temível condenação: ser a mulher a portadora da esperança.
2011-10-07
2011-10-06
incitação
Obrigada, Steve
Quando adquirimos o Apple IIC, (um dinossauro informático, sem disco rígido - apenas diskette de 5,25" e monitor monocromático), estava eu bem longe de me interessar por quem tinha inventado tal artefacto ou o quanto a informática iria influenciar as nossas vidas e a minha em particular.
A Ana (apenas com oito anos) iniciou-se na informática nesse primeiro computador. Eu nem por isso. Antes manifestava uma forte resistência a dar uma utilização funcional a um equipamento para o qual não objectivava valor significativo.
Mas a informática, impulsionada por criadores e visionários do calibre de Steve Jobs, nunca mais parou de se desenvolver e tornar cada vez mais presente e acessível (tanto economicamente como nas capacidades de desempenho) nas múltiplas dimensões e funções da nossa vida diária.
Os meios de comunicação deram a notícia da morte de Steve Jobs. Sem as tecnologias de informação e comunicação (para os quais contribuiu de forma tão elementar) desconheceríamos um homem que não se deixou surpreender nem pela vida nem pela morte.
Correm por aí algumas frases da sua autoria. Fiquei a pensar nesta:
“Tenho tanto orgulho naquilo que não fazemos como naquilo que fazemos.”
A Ana (apenas com oito anos) iniciou-se na informática nesse primeiro computador. Eu nem por isso. Antes manifestava uma forte resistência a dar uma utilização funcional a um equipamento para o qual não objectivava valor significativo.
Mas a informática, impulsionada por criadores e visionários do calibre de Steve Jobs, nunca mais parou de se desenvolver e tornar cada vez mais presente e acessível (tanto economicamente como nas capacidades de desempenho) nas múltiplas dimensões e funções da nossa vida diária.
Os meios de comunicação deram a notícia da morte de Steve Jobs. Sem as tecnologias de informação e comunicação (para os quais contribuiu de forma tão elementar) desconheceríamos um homem que não se deixou surpreender nem pela vida nem pela morte.
Correm por aí algumas frases da sua autoria. Fiquei a pensar nesta:
“Tenho tanto orgulho naquilo que não fazemos como naquilo que fazemos.”
2011-10-05
2011-10-04
tudo é ilusão
14Vi tudo o que se faz debaixo do Sol
e achei que tudo é ilusão e correr atrás do vento.15*O que é torto não se pode endireitar
e o que é falho não se pode completar.17Apliquei, igualmente, o meu coração a conhecer a sabedoria, a loucura e a insensatez; e reconheci que também isto é correr atrás do vento. 18*Porque na muita sabedoria há muita arrelia, e o que aumenta o conhecimento, aumenta o sofrimento.
Eclesiastes 1
e achei que tudo é ilusão e correr atrás do vento.15*O que é torto não se pode endireitar
e o que é falho não se pode completar.17Apliquei, igualmente, o meu coração a conhecer a sabedoria, a loucura e a insensatez; e reconheci que também isto é correr atrás do vento. 18*Porque na muita sabedoria há muita arrelia, e o que aumenta o conhecimento, aumenta o sofrimento.
Eclesiastes 1
2011-10-01
mulher na Igreja - a indignidade que perdura nos tempos
Eu considero que mais amargo do que a morte
é encontrar uma mulher que é uma armadilha,
cujo coração é uma rede, e cujas mãos são cadeias.
Aquele que é agradável a Deus fugirá dela,
mas o pecador será apanhado por ela. 27Eis o que eu concluí - disse Qohélet -
após ter examinado uma coisa depois da outra,
para lhes encontrar o sentido.28Eis o que a minha alma ainda busca e não descobre:
entre mil homens achei um,
e entre todas as mulheres nem uma só achei.
Eclesiastes 7, 26-28
Aos olhos da ortodoxia católica, ainda prevalece esta visão da mulher. E permanece porque não é assumida. Nem pelas próprias mulheres, que se iludem num activismo subserviente, sem tomarem qualquer atitude de confronto. Pelo contrário, acomodam-se aos modelos que lhes vão sendo impostos, por quem pode alterar e reverter esta situação de humilhante injustiça.
é encontrar uma mulher que é uma armadilha,
cujo coração é uma rede, e cujas mãos são cadeias.
Aquele que é agradável a Deus fugirá dela,
mas o pecador será apanhado por ela. 27Eis o que eu concluí - disse Qohélet -
após ter examinado uma coisa depois da outra,
para lhes encontrar o sentido.28Eis o que a minha alma ainda busca e não descobre:
entre mil homens achei um,
e entre todas as mulheres nem uma só achei.
Eclesiastes 7, 26-28
Aos olhos da ortodoxia católica, ainda prevalece esta visão da mulher. E permanece porque não é assumida. Nem pelas próprias mulheres, que se iludem num activismo subserviente, sem tomarem qualquer atitude de confronto. Pelo contrário, acomodam-se aos modelos que lhes vão sendo impostos, por quem pode alterar e reverter esta situação de humilhante injustiça.
2011-09-30
2011-09-29
descobrimento
Um oceano de músculos verdes Um ídolo de muitos braços como um polvo Caos incorruptível que irrompe E tumulto ordenado. Bailarino contorcido Em redor dos navios esticados Atravessamos fileiras de cavalos Que sacudiam as crinas nos alísios O mar tomou-se de repente muito novo e muito antigo Para mostrar as praias E um povo De homens recém-criados ainda cor de barro Ainda nus ainda deslumbrados Sophia de Mello Breyner Andresen (a foto é do Gabriel. tirou a Maria)
|
2011-09-28
o amor é (...)
"O amor não é um sentimento. É uma capacidade." [a frase é de um filme em que participa a Juliette Binoche. Retive apenas a frase e a Juliette Binoche]
No dicionário Priberam da Língua Portuguesa, capacidade significa (entre outras coisas):espaço interior de um corpo vazio. Vazio para se poder encher da relação com um outro que não eu.
No dicionário Priberam da Língua Portuguesa, capacidade significa (entre outras coisas):espaço interior de um corpo vazio. Vazio para se poder encher da relação com um outro que não eu.
2011-09-27
2011-09-26
O sofrimento que nos faz contar
O título do post é retirado de um poema do José Tolentino de Mendonça. Lembrei-me dele a propósito da minha presença (e não só) neste espaço de comunicação. Desde que iniciei o blogue faço o seguinte jogo mental: "devo?" "não devo!" "devo" "devo" "não devo"...se no início ganhava muitas vezes o "devo", vai ganhando cada vez mais espaço o contrário.
Interiormente nomeio algumas razões para que assim aconteça. Uma delas é que vou conhecendo melhor "o meio".
O Daniel Oliveira também reflecte mais ou menos sobre isto:
Resumindo: temos uma "ferramenta" de comunicação à nossa disposição. Convém conhecê-la e dominá-la para que não nos domine a nós.
2011-09-25
vinte séculos depois isto não escandaliza ninguém. E devia!
Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus. (Mt 21, 31b)
2011-09-24
tal como S. Tomé
(e com sorte ninguém vem ler isto e fica mesmo só para mim) por mais boa vontade, facilidade de expressão, criatividade, transparência, que se empreguem nestas partilhas virtuais, nunca chegarão a traduzir a proximidade que se gera no encontro presencial.
ah, o passado
Ao fim de quatro anos (quando os nomeio desencadeio sinais efusivos de perplexidade) voltei ao bairro onde vivi os dias, durante vinte anos. As reacções que a minha presença provocou, levam a questionar-me: que parte de mim lá deixei e que o espelho não devolve?
2011-09-23
não é um slogan rasca
A crise pode gerar oportunidades:
Durante aquel tiempo recibí alguna propuesta de trabajo para reincorporarme al mundo de la empresa, pero no quise aceptarlas: el nuevo mundo que había descubierto me había atrapado por completo, así que decidí cambiar una maravilla de sueldo y una mierda de trabajo por una maravilla de trabajo y una mierda de sueldo.
aqui
Durante aquel tiempo recibí alguna propuesta de trabajo para reincorporarme al mundo de la empresa, pero no quise aceptarlas: el nuevo mundo que había descubierto me había atrapado por completo, así que decidí cambiar una maravilla de sueldo y una mierda de trabajo por una maravilla de trabajo y una mierda de sueldo.
aqui
2011-09-22
2011-09-20
2011-09-18
2011-09-16
2011-09-15
e quem não sabe desejar?
- Explique-me - repetiu ela. - Porque é que vivemos?
- Não sou um Evangelho - disse eu com algum embaraço.
- Enfim, você sabe porque é que vive. - Abriu os dedos em leque e contemplou-os atentamente: - Eu não sei.
- Há com certeza coisas que você gosta, coisas que deseja...
Ela sorriu:
- Gosto de chocolate e de bicicletas bonitas.
- É melhor que nada.
Olhou de novo os seus dedos; ficara de repente com um olhar triste.
- Quando era pequena, acreditava em Deus, era magnífico; havia qualquer coisa que me era exigida a cada instante; então parecia-me que eu devia de facto existir. Era uma necessidade.
Sorri-lhe com simpatia.
- Creio que o seu problema é imaginar que as suas razões de viver deviam cair do céu já prontas: somos nós que as temos de criar!
- Mas se sabemos que as criamos nós próprios, já não podemos acreditar nelas. Isso não é senão uma maneira de nos iludirmos.
- Porquê? Não se criam de qualquer maneira, no ar; criam-se pela força de um amor, de um desejo; e então o que se criou ergue-se à nossa frente bem sólido, bem real.
Simone de Beauvoir in "O Sangue dos Outros"
2011-09-11
a lógica contabilística não procede de Deus
O SENHOR disse: «Se encontrar em Sodoma cinquenta justos perdoarei a toda a cidade, por causa deles.» 27Abraão prosseguiu: «Pois que me atrevi a falar ao meu Senhor, eu que sou apenas cinza e pó, continuarei. 28Se, por acaso, para cinquenta justos faltarem cinco, destruirás toda
a cidade, por causa desses cinco homens?» O SENHOR respondeu: «Não a destruirei, se lá encontrar quarenta e cinco justos.» 29Abraão insistiu ainda e disse: «Talvez não se encontrem nela mais de quarenta.» O SENHOR disse: «Não destruirei a cidade, em atenção a esses quarenta.» 30Abraão voltou a dizer: «Que o Senhor não se irrite, por eu continuar a insistir. Talvez lá se encontrem trinta justos.» O SENHOR respondeu: «Se lá encontrar trinta justos, não o farei.» 31Abraão prosseguiu: «Perdoa, meu Senhor, a ousadia que tenho de te falar. Talvez não se encontrem lá mais de vinte justos.» O SENHOR disse: «Em atenção a esses vinte justos, não a destruirei.» 32Abraão insistiu novamente: «Que o meu Senhor não se irrite; não falarei, porém, mais do que esta vez. Talvez lá não se encontrem senão dez.» E Deus respondeu: «Em atenção a esses dez justos, não a destruirei.»33Terminada esta conversa com Abraão, o SENHOR afastou-se, e Abraão voltou para a sua morada.
a cidade, por causa desses cinco homens?» O SENHOR respondeu: «Não a destruirei, se lá encontrar quarenta e cinco justos.» 29Abraão insistiu ainda e disse: «Talvez não se encontrem nela mais de quarenta.» O SENHOR disse: «Não destruirei a cidade, em atenção a esses quarenta.» 30Abraão voltou a dizer: «Que o Senhor não se irrite, por eu continuar a insistir. Talvez lá se encontrem trinta justos.» O SENHOR respondeu: «Se lá encontrar trinta justos, não o farei.» 31Abraão prosseguiu: «Perdoa, meu Senhor, a ousadia que tenho de te falar. Talvez não se encontrem lá mais de vinte justos.» O SENHOR disse: «Em atenção a esses vinte justos, não a destruirei.» 32Abraão insistiu novamente: «Que o meu Senhor não se irrite; não falarei, porém, mais do que esta vez. Talvez lá não se encontrem senão dez.» E Deus respondeu: «Em atenção a esses dez justos, não a destruirei.»33Terminada esta conversa com Abraão, o SENHOR afastou-se, e Abraão voltou para a sua morada.
(in)significantes
Os insignificantes
O custo das casas
por incrível que pareça
sugere a possibilidade
de uma outra vida
a alma não mora debaixo do seu tempo
traz de tão longe a fragância
de uma vegetação que cresce
mais abaixo junto à represa
um trecho de sombra
a estação tornou tudo amarelo uma última vez
o pinheiro, o rumor dos caçadores, a corrida atrapalhada
da perdiz
nas vagas recordações
a orla de uma alegria que ninguém viu
os insignificantes flutuam
ao vento contínuo de Deus
Assírio & Alvim
O custo das casas
por incrível que pareça
sugere a possibilidade
de uma outra vida
a alma não mora debaixo do seu tempo
traz de tão longe a fragância
de uma vegetação que cresce
mais abaixo junto à represa
um trecho de sombra
a estação tornou tudo amarelo uma última vez
o pinheiro, o rumor dos caçadores, a corrida atrapalhada
da perdiz
nas vagas recordações
a orla de uma alegria que ninguém viu
os insignificantes flutuam
ao vento contínuo de Deus
José Tolentino Mendonça
"A noite abre meus olhos"Assírio & Alvim
2011-09-09
A importância do olhar
“Antes que eu penetrasse no Zen,
as montanhas nada mais eram senão montanhas
e os rios nada a não ser rios.
Quando aderi ao Zen,
as montanhas não eram mais montanhas
nem os rios eram rios.
Mas, quando compreendi o Zen,
as montanhas eram só montanhas
e os rios, só rios”
(Sentença Zen)
(Num artigo de Faustino Teixeira, aqui)
complacência
Ao eu julgador opõe uma remediada complacência:"Ninguém se faz!". Abstenho-me de comentar. Existo de modo diverso.
2011-09-07
2011-09-06
boa desculpa
Se o mundo nasceu de um capricho de Deus, então a mulher é o ser em que o Supremo artífice quis manifestar da melhor maneira o lado imprevisível da sua insondável natureza.
Arthur Schopenhauer in "A arte de lidar com as mulheres"
Arthur Schopenhauer in "A arte de lidar com as mulheres"
em boa verdade
Um mestre disse a outro: Sabes tu o que Deus é? Não, disse ele, eu não sei o que Deus seja. O tanto que sei dele é que sei o que ele não é, pois ninguém pode conhecer a Deus a não ser na natureza de Deus.
Mestre Eckhart, Sermão 95
Mestre Eckhart, Sermão 95
2011-09-05
As Caldas - um olhar de emoção e razão
I.C.: Gosto das Caldas, sim. Sinto-me triste com o presente mas há que ter esperança no futuro. Afinal as Caldas é uma cidade igual a tantas outras cidades de dimensão semelhante neste país que, em certo período, se deslumbraram com um aparente desenvolvimento, um sub-urbanismo descaracterizador, esquecendo que os seus centros são as suas verdadeiras marcas existenciais. Talvez ainda seja possível repensar a opção adoptada e valorizar o que nos torna diferentes, seja a Praça da Fruta, as trouxas, o Parque, as cavacas, a Senhora do Pópulo, o CCC, as termas, a cerâmica… Façamo-nos valer do que faz a nossa diferença e não apostemos na boçalidade banal.
Isabel Castanheira em entrevista, aqui
Isabel Castanheira em entrevista, aqui
O infinito
Sempre gratas me foram esta colina tão só
E esta sebe alta e extensa
Que não me deixa ver o último horizonte.
Mas quando me demoro a contemplá-la
O meu espírito gera para além dela
Intermináveis espaços, silêncios sobre-humanos
Uma paz escura, profunda; e pouco falta
Para o terror me assaltar o coração. E quando
Ouço o vento sussurrar nas plantas
Comparo o infinito de tanto silêncio
A esta voz, e lembro-me da eternidade
Das estações mortas, do tempo presente
E vivo, do seu murmúrio brando. Assim
Se aniquila o meu espírito na imensidão:
E é-me grato naufragar neste mar.
Giacomo Leopardi
Trad. Ernesto Sampaio
Sempre gratas me foram esta colina tão só
E esta sebe alta e extensa
Que não me deixa ver o último horizonte.
Mas quando me demoro a contemplá-la
O meu espírito gera para além dela
Intermináveis espaços, silêncios sobre-humanos
Uma paz escura, profunda; e pouco falta
Para o terror me assaltar o coração. E quando
Ouço o vento sussurrar nas plantas
Comparo o infinito de tanto silêncio
A esta voz, e lembro-me da eternidade
Das estações mortas, do tempo presente
E vivo, do seu murmúrio brando. Assim
Se aniquila o meu espírito na imensidão:
E é-me grato naufragar neste mar.
Giacomo Leopardi
Trad. Ernesto Sampaio
2011-09-04
porque hoje é domingo #2
5Acaso é esse o jejum que me agrada,
no dia em que o homem se mortifica?
Curvar a cabeça como um junco,
deitar-se sobre saco e cinza?
Podeis chamar a isto jejum
e dia agradável ao SENHOR?6O jejum que me agrada é este:
libertar os que foram presos injustamente,
livrá-los do jugo que levam às costas,
pôr em liberdade os oprimidos,
quebrar toda a espécie de opressão,7*repartir o teu pão com os esfomeados,
dar abrigo aos infelizes sem casa,
atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão.8*Então, a tua luz surgirá como a aurora,
e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se.
A tua justiça irá à tua frente,
e a glória do SENHOR atrás de ti.9Então invocarás o SENHOR e Ele te atenderá,
pedirás auxílio e te dirá: «Aqui estou!»
Se retirares da tua vida toda a opressão,
o gesto ameaçador e o falar ofensivo,10se repartires o teu pão com o faminto
e matares a fome ao pobre,
a tua luz brilhará na tua escuridão,
e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio dia.
(Isaías 58, 5-10)
no dia em que o homem se mortifica?
Curvar a cabeça como um junco,
deitar-se sobre saco e cinza?
Podeis chamar a isto jejum
e dia agradável ao SENHOR?6O jejum que me agrada é este:
libertar os que foram presos injustamente,
livrá-los do jugo que levam às costas,
pôr em liberdade os oprimidos,
quebrar toda a espécie de opressão,7*repartir o teu pão com os esfomeados,
dar abrigo aos infelizes sem casa,
atender e vestir os nus e não desprezar o teu irmão.8*Então, a tua luz surgirá como a aurora,
e as tuas feridas não tardarão a cicatrizar-se.
A tua justiça irá à tua frente,
e a glória do SENHOR atrás de ti.9Então invocarás o SENHOR e Ele te atenderá,
pedirás auxílio e te dirá: «Aqui estou!»
Se retirares da tua vida toda a opressão,
o gesto ameaçador e o falar ofensivo,10se repartires o teu pão com o faminto
e matares a fome ao pobre,
a tua luz brilhará na tua escuridão,
e as tuas trevas tornar-se-ão como o meio dia.
(Isaías 58, 5-10)
porque hoje é domingo
Furto
Roubaram Deus.
O céu está vazio.
O ladrão ainda não foi
(Nunca será) detido.
Giorgio Caproni
traduzi
Roubaram Deus.
O céu está vazio.
O ladrão ainda não foi
(Nunca será) detido.
Furto
Hanno rubato Dio.
Il cielo è vuoto.
Il ladro non è ancora stato
(non lo sarà mai) arrestato.
Giorgio Caproni
traduzi
2011-09-03
A era moderna trouxe consigo a glorificação teórica do trabalho, e resultou na transformação efectiva de toda a sociedade numa sociedade operária. Assim, a realização do desejo, como sucede nos contos de fadas, chega num instante em que só poder ser contraproducente. A sociedade que está para ser libertada dos grilhões do trabalho é uma sociedade de trabalhadores, uma sociedade que já não conhece essas actividades superiores e mais importantes em benefício das quais valeria a pena conquistar essa liberdade. Dentro desta sociedade, que é igualitária porque é próprio do trabalho nivelar os homens, já não existem classes nem uma aristocracia de natureza política ou espiritual da qual pudesse ressurgir a restauração de outras capacidades do homem. Até mesmo presidentes, reis e primeiros-ministros concebem os seus cargos como tarefas necessárias à vida da sociedade; e, entre os intelectuais, somente alguns indivíduos isolados consideram ainda o que fazem em termos de trabalho, e não como meio de ganhar o próprio sustento. O que se nos depara, portanto, é a possibilidade de uma sociedade de trabalhadores sem trabalho, isto é, sem a única actividade que lhes resta. Certamente nada poderia ser pior.
Hannah Arendt in "A Condição Humana"
Hannah Arendt in "A Condição Humana"
diminuindo o homem anula-se o próprio Deus
Num acto religioso ouvi, sem surpresa, dizer que a discussão sobre "se há Deus" "não há Deus"; "não interessa nada".
Pretender negar a possibilidade de alguém questionar e discutir das razões para acreditar no transcendente ou não, é tornar a própria fé um acto desencarnado da vida e contrário à própria experiência biblíca.
Pretender negar a possibilidade de alguém questionar e discutir das razões para acreditar no transcendente ou não, é tornar a própria fé um acto desencarnado da vida e contrário à própria experiência biblíca.
religião
...Ao contrário da ideia corrente, no domínio religioso, Deus não é figura primeira e determinante a não ser para um determinado tipo de religião: a religião monoteísta. É célebre, neste contexto, a afirmação de Leeuw: "Deus é um fruto tardio na história religiosa." O conteúdo central da religião é o absoluto, o transcendente, o abrangente, o numinoso.
(...)
Para o homem religioso, a realidade não se esgota na sua imediatidade empírica: para a sua compreensão adequada, a realidade mesma aparece-lhe como incluindo uma Presença que não se vê em si mesma, mas implicada no que se vê. Mediante certas características - a contingência radical, a morte e o protesto contra ela, a exigência de sentido -, a própria realidade se mostra implicando essa Presença sagrada, divina, como seu fundamento e sentido últimos.
Anselmo Borges, in DN
(...)
Para o homem religioso, a realidade não se esgota na sua imediatidade empírica: para a sua compreensão adequada, a realidade mesma aparece-lhe como incluindo uma Presença que não se vê em si mesma, mas implicada no que se vê. Mediante certas características - a contingência radical, a morte e o protesto contra ela, a exigência de sentido -, a própria realidade se mostra implicando essa Presença sagrada, divina, como seu fundamento e sentido últimos.
Anselmo Borges, in DN
2011-09-02
legado
Hoje presenteei-me com um livro da Hannah Arendt (A condição humana). Não sei o que me vai ensinar sobre as criaturas que somos. Sei, sim, o que aprendi nestes últimos anos de convivência com a Maria da Conceição que enterrámos hoje. Aos noventa e dois anos vivia de forma autónoma e com um grande amor pela vida, expresso no cuidado da pequena horta e jardim.
Aprendi dela que o cuidado amoroso vale por si só, independentemente dos ecos que provoque.
Aprendi dela que o cuidado amoroso vale por si só, independentemente dos ecos que provoque.
2011-09-01
é ele que diz. eu só tenho um aperto no peito. palavras nenhumas
Ficar sem uma costela no Paraíso até se admite: a causa era boa. Ser privado de uma parcela de intelecto na Terra é algo que o macho considera intolerável. A sua tese de furto, apesar de obtusa, leva-o a clamar por justiça e a usar a força para que a justiça seja feita. Os crimes passionais – e as diversas formas de violência contra as mulheres – constituem, em grande parte, a expressão indirecta dessa radical, perversa e insuportável sede de vingança.
daqui,
um blogue dos bons, descobri através deste, que é o espelho de um homem magnífico (não estou tão mal como pensava)!
daqui,
um blogue dos bons, descobri através deste, que é o espelho de um homem magnífico (não estou tão mal como pensava)!
1, 2, 3...experiência
o blogger promete uma interface actualizada. eu não prometo nada. por uns dias, vou entregar o corpo e a alma à preguiça. E seja o que Deus quiser...
2011-08-31
2011-08-28
porque hoje é domingo
Vós me seduzistes, Senhor, e eu deixei-me seduzir;
Vós me dominastes e vencestes.
Em todo o tempo sou objecto de escárnio,
toda a gente se ri de mim;
porque sempre que falo é para gritar e proclamar:
«Violência e ruína!»
E a palavra do Senhor tornou-se para mim
ocasião permanente de insultos e zombarias.
Então eu disse:
«Não voltarei a falar n’Ele,
não falarei mais em seu nome».
Mas havia no meu coração um fogo ardente,
comprimido dentro dos meus ossos.
Procurava contê-lo, mas não podia.
Vós me dominastes e vencestes.
Em todo o tempo sou objecto de escárnio,
toda a gente se ri de mim;
porque sempre que falo é para gritar e proclamar:
«Violência e ruína!»
E a palavra do Senhor tornou-se para mim
ocasião permanente de insultos e zombarias.
Então eu disse:
«Não voltarei a falar n’Ele,
não falarei mais em seu nome».
Mas havia no meu coração um fogo ardente,
comprimido dentro dos meus ossos.
Procurava contê-lo, mas não podia.
(Jer 20, 7-9)
2011-08-27
a metanoia necessária...
A expressão “para que todos sejam um”, em João 17, indicativa do propósito da unidade, não significa uniformidade, mas fidelidade ao núcleo central: o exercício do amor a Deus e ao próximo.
daqui
daqui
2011-08-26
As Cores Do Sol
Ao cair da tarde
Penso sempre mais
E a luz que me invade
São as cores naturais
Cada figura
que passa por mim
nem me perturba
e eu fico assim
Longe me leva este silêncio
é o sentir que se altera
são as cores do sol
E eu fico encantada
e eu sinto-me a arder
quando o dia se apaga
deixa tanto por ver
Penso sempre mais
E a luz que me invade
São as cores naturais
Cada figura
que passa por mim
nem me perturba
e eu fico assim
Longe me leva este silêncio
é o sentir que se altera
são as cores do sol
E eu fico encantada
e eu sinto-me a arder
quando o dia se apaga
deixa tanto por ver
2011-08-23
a considerar: a questão não é a crença em diferentes deuses, mas aprender a considerar as diferentes expressões religiosas
A pluralidade religiosa é um dos traços mais característicos do século XXI. Não há como desconsiderar ou relativizar o traço da diversidade religiosa no tempo atual. Trata-se de um fenômeno irreversível, que tende a sublinhar a presença diversificada do outro como provocação permanente para a construção da identidade. O grande desafio está em compreender essa pluralidade religiosa não como um dado conjuntural passageiro ou fruto de cegueira problemática dos seres humanos, mas como um mistério transbordante, um dom que corresponde a um misterioso desígnio de Deus para a humanidade. A espiritualidade é um dos caminhos frutuosos para a percepção do valor da diversidade. Ela possibilita a afirmação da humildade, da abertura desarmada para o outro e igualmente uma consciência viva da vulnerabilidade dos caminhos que levam a Deus no tempo. Talvez seja um dos campos mais propícios para a percepção do valor da interreligiosidade, da dinâmica de dom que envolve a relação e a comunhão entre as diversas religiões, preservando os traços essenciais que as distinguem.
Faustino Teixeira, aqui
Faustino Teixeira, aqui
2011-08-22
relativismo? talvez não.
2011-08-21
porque hoje é domingo
Luz e sombras de amor ressuscitado
Tristemente convivo com a tua ausência
sobrevivo à distância que nos nega
enquanto contorno a fronteira entre os
dois mundos
sem decidir qual deles pode dar-me
a calma que me exijo para amar-te
sem sofrer pela tua indiferença.
A minha retirada preventiva
duma batalha que já sei perdida
resoluto a não mais entrar em ti
mas não à tortura de evitar-te.
Lois Pereiro (tradução minha)
2011-08-18
Depois da cinza morta destes dias
Depois da cinza morta destes dias,
Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim onde me invento.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Depois da cinza morta destes dias,
Quando o vazio branco destas noites
Se gastar, quando a névoa deste instante
Sem forma, sem imagem, sem caminhos,
Se dissolver, cumprindo o seu tormento,
A terra emergirá pura do mar
De lágrimas sem fim onde me invento.
Sophia de Mello Breyner Andresen
2011-08-17
2011-08-16
e assim se perde o cristianismo...
“Estamos num tempo em que é preciso poupar e levar um estilo de vida diferente, as pessoas vivem acima das suas possibilidades e precisam de alguém que as chame à realidade"
Surpreendo-me com as declarações do Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, Carlos Azevedo, que fala para uma realidade que não é única no país, nem sequer devia ser a que lhe merecia mais atenção. Da Igreja, espera-se que, em primeiro lugar, tenha atenão aos mais pobres. Carlos Azevedo foi o promotor da iniciativa de criar um fundo de apoio aos mais carenciados neste contexto de crise económica. Mas com estas declarações lá fico com a imagem da caridadezinha. É diferente uma opção de acção pelos mais pobres e medidas extemporâneas de quem dá o que lhe sobra.
Surpreendo-me com as declarações do Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social, Carlos Azevedo, que fala para uma realidade que não é única no país, nem sequer devia ser a que lhe merecia mais atenção. Da Igreja, espera-se que, em primeiro lugar, tenha atenão aos mais pobres. Carlos Azevedo foi o promotor da iniciativa de criar um fundo de apoio aos mais carenciados neste contexto de crise económica. Mas com estas declarações lá fico com a imagem da caridadezinha. É diferente uma opção de acção pelos mais pobres e medidas extemporâneas de quem dá o que lhe sobra.
2011-08-15
2011-08-07
A Casa de Deus (está assente no chão)
Sophia de Mello Breyner Andresen
Desenho de Arpad Szenes.
A casa de Deus está assente no chão
Os seus alicerces mergulham na terra
A casa de Deus está na terra onde os homens estão
Sujeita como os homens à lei da gravidade
Porém como a alma dos homens trespassada
Pelo mistério e a palavra da leveza
Os homens a constroem com materiais
Que vão buscar à terra
Pedra vidro metal cimento cal
Com suas mãos e pensamento a constroem
Mãos certeiras de pedreiro
Mãos hábeis de carpinteiro
Mão exacta do pintor
Cálculo do engenheiro
Desenho e cálculo do arquitecto
Com matéria e luz e espaço a constroem
Com atenção e engenho e esforço e paixão a constroem
Esta casa é feita de matéria para habitação do espírito
Como o corpo do homem é feito de matéria e manifesta o espírito
A casa é construída no tempo
Mas aqui os homens se reunem em nome do Eterno
Em nome da promessa antiquíssima feita por Deus a Abraão
A Moisés a David e a todos os profetas
Em nome da vida que dada por nós nos é dada
É uma casa que se situa na imanência
Atenta à beleza e à diversidade da imanência
Erguida no mundo que nos foi dado
Para nossa habitação nosssa invenção nosso conhecimento
Os homens constroem na terra
Situada no tempo
Para habitação da eternidade
Aqui procuramos pensar reconhecer
Sem máscara ilusão ou disfarce
E procuramos manter nosso espírito atento
Liso como a página em branco
Aqui para além da morte da lacuna da perca e do desastre
Celebramos a Páscoa
Aqui celebramos a claridade
Porque Deus nos criou para a alegria
Páscoa de 1990
(in Igreja de Santa Maria,
Marco de Canaveses; poema
oferecido por Sophia à igreja;
in «Correntes D'Escritas», nº.
2, Fevereiro, 2003)
imagem daqui
2011-08-06
jamais alguém O viu
Naqueles dias,
o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb,
e passou a noite numa gruta.
O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo:
«Sai e permanece no monte à espera do Senhor».
Então, o Senhor passou.
Diante d’Ele, uma forte rajada de vento
fendia as montanhas e quebrava os rochedos;
mas o Senhor não estava no vento.
Depois do vento, sentiu-se um terramoto;
mas o Senhor não estava no terramoto.
Depois do terramoto, acendeu-se um fogo;
mas o Senhor não estava no fogo.
Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa.
Quando o ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto,
saiu e ficou à entrada da gruta.
o profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb,
e passou a noite numa gruta.
O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo:
«Sai e permanece no monte à espera do Senhor».
Então, o Senhor passou.
Diante d’Ele, uma forte rajada de vento
fendia as montanhas e quebrava os rochedos;
mas o Senhor não estava no vento.
Depois do vento, sentiu-se um terramoto;
mas o Senhor não estava no terramoto.
Depois do terramoto, acendeu-se um fogo;
mas o Senhor não estava no fogo.
Depois do fogo, ouviu-se uma ligeira brisa.
Quando o ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto,
saiu e ficou à entrada da gruta.
(1 Reis 19,9a.11-13a)
2011-08-03
2011-08-02
la luna
A María Kodama
Hay tanta soledad en ese oro.
La luna de las noches no es la luna
que vio el primer Adán. Los largos siglos
de la vigilia humana la han colmado
de antiguo llanto. Mírala. Es tu espejo.
Jorge Luis Borges - Poesía completa
Hay tanta soledad en ese oro.
La luna de las noches no es la luna
que vio el primer Adán. Los largos siglos
de la vigilia humana la han colmado
de antiguo llanto. Mírala. Es tu espejo.
Jorge Luis Borges - Poesía completa
2011-07-28
um Deus terno
Entretanto, Eu ensinava Efraim a andar,
trazia-o nos meus braços,
mas não reconheceram
que era Eu quem cuidava deles.Segurava-os com laços humanos,
com laços de amor,
fui para eles como os que levantam
uma criancinha contra o seu rosto;
inclinei-me para ele para lhe dar de comer.
Oseias (11, 3-4)
imagem- Marc Chagall (Sacrifício de Isaac)
2011-07-27
2011-07-26
2011-07-25
Ladrões de Bicicletas: Consciência
Ladrões de Bicicletas: Consciência: "Na semana passada, duas figuras relevantes do mundo católico português deram voz a perspectivas diametralmente opostas sobre a crise. No Pró..."
2011-07-23
o lugar do coração
Se Deus nos aparecesse em sonhos e dissesse: “Pede o que quiseres”, que quereríamos? A saúde para nós ou para quem amamos, o euromilhões para ter uma vida descansada, um emprego, uma casa digna, fama e poder? Necessidades ou excessos, que bem justificaríamos. O rei Salomão, muito novo e inexperiente, pediu “um coração inteligente, para saber distinguir o bem do mal”. Ainda que jovem, já descobrira que o projecto de Deus não é escolher em vez de nós, nem dar-nos aquilo que podemos alcançar, mas erguer-nos à grandeza de escolhas livres e responsáveis. O coração, no contexto bíblico, não é apenas o lugar da afectividade e dos sentimentos. É o centro da identidade pessoal, onde se unem a capacidade de amar, o conhecimento e a inteligência. O que Salomão pede é uma inteligência fundada no amor, capaz de ver para além do imediato e da aparência, e assim melhor servir o seu povo.
P. Vitor Gonçalves, aqui
P. Vitor Gonçalves, aqui
2011-07-20
A Tua imagem está nos meus olhos e Tua recordação em minha boca,
e Tua morada em meu coração, aonde, então, Te escondes?
e Tua morada em meu coração, aonde, então, Te escondes?
2011-07-19
parece uma questão marginal
mas não é. Pertinente, é também, a incapacidade para ler e entender um texto (que algumas pessoas demonstram nos comentários) que é claro quanto à sua forma e conteúdo. Um mal que se entenderia em pessoas menos letradas e com baixo nível de escolaridade, mas que se encontra em pessoas com elevados graus académicos. Surpreendente.
2011-07-17
com paciência
26É assim que também o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. 27E aquele que examina os corações conhece as intenções do Espírito, porque é de acordo com Deus que o Espírito intercede pelos santos.
Rm 8, 26-27
Rm 8, 26-27
2011-07-16
mulher a ler
1. Existe um livro que relerias várias vezes?
Existem vários. Já o fiz e penso continuar a fazê-lo. Por diversas razões. Sendo a principal que o diálogo entre mim e ele(s) não está encerrado.
2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Mais do que numa primeira impressão enumeraria. Alguns não desisti deles. Estão ainda à espera de nova(s) oportunidade(s).
3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
3A. Se escolhesses uma vida para meter num livro, qual seria?
Aqui vou esticar-me um bocadinho. Numa vida cabem vários livros. Mas nenhuma vida caberia num livro. (A pergunta pressupõe um ponto de vista redutor)
4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Mas quem é que inventou este questionário?! Se não li, como é que sei que gostaria de ter lido? Tenho uma lista mental de livros que quero ler. Uns lerei outros não.
4A. Que livro gostarias de não ter lido mas que, por algum motivo, leste?
Já li algum lixo (classificação própria) e que foram tratados como tal (quando fiz mudanças ou precisei de espaço nas prateleiras). Mas se não é abuso perguntar: que fixação será esta do livro único.
5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Assim, de repente, e mesmo forçando muito, não estou assim a ver "cena final" nenhuma. Lembro-me de algumas "cenas" e das repercussões que tiveram em mim.
6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Aprendi a ler aos sete anos. Entrava-se na escola no dia sete de Outubro de cada ano.
Mas ainda não me entregava a muitas leituras. Com dez anos, sim. Comecei com o vício. Que já perdi. Vou dizer do que não gostava: biografias. Durante muito tempo achei que era um disparate encher livros a contar a vida das pessoas. E perder tempo a lê-los. Mudei de opinião, e, mesmo atendendo à resposta que dei na pergunta 3A, comecei a gostar de conhecer pessoas através da autobiografia ou biografia que fizeram, e fazem, delas.7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim. Porquê?
Se fosse só um! (Que mania) A razão é que fico sempre à espera que apareça o instante da redenção. Umas vezes tenho alguma sorte. A maioria das vezes, não.
7A. Qual o livro que achaste tão bom tão bom tão bom mas que ainda assim o mandaste logo para o lixo ?
Passo.
8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Não posso. Estão vários nas prateleiras atrás de mim. Citar alguns e deixar os outros, não me parece apropriado. Nem sequer um autor. O gosto expresso nas minhas leituras são como o meu coração - ecléctico.
8A. Que livro é que incluirias no plano internacional de leitura?
As minhas influências não vão para além da família e amigos. Vou oferecendo alguns na esperança de que os leiam.
9. Que livro estás a ler?
9A. Que livro é que não estás a ler?
2011-07-15
2011-07-14
profetas do quotidiano
Santa Teresa fala de pessoas que têm uma vida muito ativa, dispersa numa multiplicidade de empenhos, e que, no entanto, conseguem uma vitalidade espiritual. Há, de facto, um mal-entendido de séculos que opõe, no interior da nossa cultura, para não dizer da nossa própria consciência, a contemplação à ação. Como se a vida ativa necessariamente nos desertificasse, atirando-nos para longe de nós próprios e de Deus. Ora, falando às suas irmãs contemplativas, Santa Teresa critica esta ideia e diz que a exterioridade pode até fecundar a experiência espiritual mais profunda. Mesmo o gesto exterior mais comezinho ou ínfimo, mesmo os gestos sem nenhum relevo como são os da rotina da cozinha (serão mesmo sem relevo?), ainda esses devem ser compreendidos de outra forma, pois o Deus Todo-Poderoso, o Grande Senhor do Universo move-se pela nossa cozinha, entre púcaros, vasilhas e panelas. Fomos habituados a pensar a vida espiritual como uma representação, um enredo que se passa unicamente num espaço nobre e ordenado, um intervalo sobreposto à vida. A existência quotidiana, ínfima, banal, rotineira achamos que não é para Deus, nem a consideramos capaz de ligar-nos a isso que é o sagrado. Contudo, diz-nos Santa Teresa: “Deus move-se entre os tachos”.
aqui
aqui
2011-07-12
2011-07-10
o amor não engana: aqui sou feliz
Começou por ser uma bola e o excesso é apenas aparente. Porque também está um piu-piu, um gato, o pai, a mãe...um peixe, uma cobra e a avó.
2011-07-08
Paris, 8 de Julho de 1921
“Se eu fosse guiado só pela luz da razão, diria que o mundo vai rumo à catástrofe. Mas, na história da humanidade, existe o imprevisto, o facto inesperado que muda o curso das coisas. Eis porque, no fundo, sou optimista.”
Edgar Morin
2011-07-07
2011-07-03
uma luta nada light
A que travo com os melros. Aqui fica a ilustração dos despojos, resgatados à voracidade dos malvados.
Onde está o meu Deus
«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos" (Mt 11,28)
A forma que as religiões têm encontrado para se impor, é contrapondo a finitude, a perplexidade, a fragilidade do viver humano, ao poder divino. Para ser mais específica: Opondo Natureza e Graça.
Para o homem ser digno aos olhos de Deus, não lhe chega ser homem: tem de ser santo.
São secundárias as relações humanas, os instantes de gozo, as circunstâncias comezinhas da vida, porque tudo isso é nada frente ao poder de Deus.
Mas este discurso da maioria das religiões, e, sobretudo, do cristianismo, colide com o testemunho de vida de Jesus Cristo. E resume-se o mesmo a que Deus não é alheio, indiferente, distante da natureza humana, de cada homem.
As lutas que cada pessoa, individualmente e socialmente, trava, não são entre a natureza humana e o poder divino. São consequência daquilo que somos: finitos. Mas se esta finitude nos impede de viver de forma plena, não quer dizer que nos estejam vedados instantes de redentora eternidade. O caminho é combater os discursos formatados, venham de onde vierem. Centrar a nossa vida no instante presente. Descobrir quem somos...e viver de coração aberto. Rasgado, mesmo!
A forma que as religiões têm encontrado para se impor, é contrapondo a finitude, a perplexidade, a fragilidade do viver humano, ao poder divino. Para ser mais específica: Opondo Natureza e Graça.
Para o homem ser digno aos olhos de Deus, não lhe chega ser homem: tem de ser santo.
São secundárias as relações humanas, os instantes de gozo, as circunstâncias comezinhas da vida, porque tudo isso é nada frente ao poder de Deus.
Mas este discurso da maioria das religiões, e, sobretudo, do cristianismo, colide com o testemunho de vida de Jesus Cristo. E resume-se o mesmo a que Deus não é alheio, indiferente, distante da natureza humana, de cada homem.
As lutas que cada pessoa, individualmente e socialmente, trava, não são entre a natureza humana e o poder divino. São consequência daquilo que somos: finitos. Mas se esta finitude nos impede de viver de forma plena, não quer dizer que nos estejam vedados instantes de redentora eternidade. O caminho é combater os discursos formatados, venham de onde vierem. Centrar a nossa vida no instante presente. Descobrir quem somos...e viver de coração aberto. Rasgado, mesmo!
2011-07-02
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