2012-11-29
2012-11-28
da maioria silenciosa à participação activa
Para melhorar a igualdade entre homens e mulheres na Igreja, é preciso permitir uma verdadeira cidadania das mulheres na Igreja. É urgente que as mulheres que estão privadas da palavra – de maneira equivalente à privação dos direitos cívicos por muito tempo vivida na sociedade civil – se tornem sujeitos da palavra. Certamente, há mulheres nos conselhos pastorais ou que leccionam na faculdade de teologia... Mas as homilias dominicais – lugar de formação cristã para 95% dos católicos – estão fechadas para elas.
daqui
ser
Precisamos de uma mística do quotidiano. Deus não vem ao nosso encontro numa praça que nunca visitámos nem bate a uma porta onde não estamos. [José Tolentino de Mendonça]
2012-11-25
ignorar não resolve nada
No dia 25 Novembro celebra-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) assinala esta efeméride lançando uma campanha de sensibilização sobre violência contra as mulheres.
Esta campanha da APAV, como as anteriores campanhas, é, pois, uma forma de combate a um dos problemas mais graves das famílias e, por conseguinte, da sociedade, no qual são violados os direitos essenciais da pessoa humana e, em particular, os direitos das crianças, que, em muitos casos, assistem aos atos de violência.
retirado daqui
2012-11-22
a mística da felicidade
Aquilo que nós, cristãos, mais urgentemente necessitamos é assumir e tornar nossa a mística da felicidade. Até ao presente momento, pregaram-nos, de forma entediante, a mística da renúncia e do sacrifício, a mística do heroísmo e da entrega. Há muita coisa verdadeira em tudo isso, mas desde que se entenda correctamente. Pois o problema não está no facto de que o que agrada a Deus é a dor e o sacrifício. Aquilo que agrada a Deus é que nós, seus filhos, sejamos felizes e vivamos gostosamente a vida, na medida em que isso for possível. Todavia, o que acontece é que nós devemos proporcionar-nos reciprocamente a felicidade. Somos nós que devemos fazer-nos felizes. Não é Deus quem nos dará a felicidade como uma espécie de maná que vai cair dos céus. A felicidade é a grande tarefa dos cristãos e, evidentemente, de todos os seres humanos. Acontece que é mais exigente e difícil proporcionar felicidade aos outros do que vencer-se a si próprio, vencer os próprios vícios e paixões. Pois, para proporcionar felicidade aos outros, a pessoa tem que começar por ser ela mesma uma pessoa feliz. E, sobretudo, tem que tornar-se sensível de tal modo àquilo que agrada aos outros que terá de renunciar a muitas coisas que lhe agradam para que os outros se sintam bem.
(...)
A felicidade não se impõe por decreto nem se ensina como doutrina. A felicidade contagia-se, isto é, aquele que é feliz torna felizes aqueles que o cercam e com ele convivem. A capacidade de contagiar felicidade é determinante para quem quer falar de Deus.
José Mª Castillo in "Espiritualidade para insatisfeitos"
2012-11-21
de promessas
“Quando o imperador se diviniza e reivindica qualidades divinas, a política ultrapassa os próprios limites e promete aquilo que não pode cumprir”. São palavras do Papa, no novo livro sobre Jesus. Não será difícil que as mesmas acolham simpatia, ao serem lidas e difundidas. Pergunto-me é se, nelas, está implícito algum exame de consciência em relação ao poder papal - nas vertentes do poder temporal e espiritual.
Espaço para uma canção
As noites desmedidas de novembro
abertas sobre a queixa rígida das árvores
inauguram o outono sobre a terra
Adeus ó meu verão impiedoso
ó limpidez da água sobre as pedras
ó inúmeros galos da manhã
ó tempestade agreste de alegria
É o país da música é a fome da noite
impossível estar só razoável rapaz
meu príncipe da própria juventude
Nos cabelos de vento do mar morto do destino
fundo antigo de água conchas e areias
no centro solitário deste solo
ante a solenidade sensual do sono
eu olho os paralelipípedos do nada
não me detenho nos umbrais das trevas
caminho numa mesma direcção
Onde o cheiro da esteva sobre a vila
o trigo para o campo do olhar
as estrelas abertas pelo céu?
Ponho os pés sobre as folhas no asfalto
espero por dezembro mês para morrer
evoco a luz discreta das doenças de outrora
Aqui os cisnes são da cor da cinza
e o vento devasta o país dos pauis
quando perto do chão a última cigarra
anuncia a definitiva solidão
Que é momentos puros de outra vida
da luminosa luz como ferro em fusão
do silêncio como a nossa melhor obra?
Eu te saúdo outono punitivo
sinal desse silêncio que me não permite
desistir de cantar enquanto vivo
Que o vento a névoa a folha e sobretudo o chão
caibam dentro do espaço da minha canção
Ruy Belo
As noites desmedidas de novembro
abertas sobre a queixa rígida das árvores
inauguram o outono sobre a terra
Adeus ó meu verão impiedoso
ó limpidez da água sobre as pedras
ó inúmeros galos da manhã
ó tempestade agreste de alegria
É o país da música é a fome da noite
impossível estar só razoável rapaz
meu príncipe da própria juventude
Nos cabelos de vento do mar morto do destino
fundo antigo de água conchas e areias
no centro solitário deste solo
ante a solenidade sensual do sono
eu olho os paralelipípedos do nada
não me detenho nos umbrais das trevas
caminho numa mesma direcção
Onde o cheiro da esteva sobre a vila
o trigo para o campo do olhar
as estrelas abertas pelo céu?
Ponho os pés sobre as folhas no asfalto
espero por dezembro mês para morrer
evoco a luz discreta das doenças de outrora
Aqui os cisnes são da cor da cinza
e o vento devasta o país dos pauis
quando perto do chão a última cigarra
anuncia a definitiva solidão
Que é momentos puros de outra vida
da luminosa luz como ferro em fusão
do silêncio como a nossa melhor obra?
Eu te saúdo outono punitivo
sinal desse silêncio que me não permite
desistir de cantar enquanto vivo
Que o vento a névoa a folha e sobretudo o chão
caibam dentro do espaço da minha canção
Ruy Belo
2012-11-19
A fé é um exercício muito concreto de confiança na narrativa de Deus que Jesus nos relata com a sua própria vida, com o seu próprio corpo, os seus gestos, o seu silêncio, a sua história, a poética da sua humanidade. Que se pode concluir então? Que Deus, por exemplo, não bate a uma porta que nós não temos, mas está à nossa porta e bate; que Deus não está numa época passada ou futura simplesmente, mas Deus emerge no nosso presente histórico e é aí (é aqui!) que o encontro com Ele se torna para nós decisivo.
daqui
2012-11-18
2012-11-17
que assim seja
«Mais do que converter, a Igreja deseja sair dos seus muros, projetos e conceitos, para dialogar com a cultura, como sendo um dos grandes desafios da tão desejada nova-evangelização»
Jorge Ortiga, arcebispo de Braga
2012-11-16
O Juízo Final
Chegou o miserável milionário no céu e, impacientemente, esperou a sua vez de ser julgado. Introduziram-no numa sala, noutra sala, noutra sala, até que se viu frente a uma luz ofuscante, na qual pouco a pouco foi dintinguindo a figura santa do pai dos Homens. Em voz tonitroante este, tendo à direita, Pedro, e, à esquerda, uma figura que ele não conhecia, julgou sumariamente dois outros pecadores que estavam à sua frente. E, afinal, dirigiu-se a ele:
- Que fez você de bom na sua vida ?
- Bem, eu nasci, cresci, amei, casei, tive filhos, vivi.
- Ora - disse o Senhor - isso são actos sociais e biológicos a que você estava destinado. Quero saber que bondade específica e determinada você teve para com o seu semelhante.
- Bem - disse o milionário - eu criei indústrias, comprei fazendas, dei emprego a muita gente, melhorei as condições sociais de muita gente.
- Não, isso não serve - disse o Todo-Poderoso - essas acções estavam implícitas ao acto de você enriquecer. Você as praticou porque precisava viver melhor. Não foram intrinsecamente boas acções, desprendidas, não servem.
O milionário escarafunchou o cérebro e não encontrou nada. Em verdade, passara uma vida egoísta, pensando apenas em si mesmo. Nunca o preocupara seu semelhante, nunca olhara para o ser humano a seu lado senão como uma fonte de lucro para as suas indústrias. Mas, de repente, lemboru-se das obras de filantropia.
- Ah - disse, puxando uma caderneta - aqui está. Uma vez dei cem cruzeiros para uma velhinha da Casa dos Artistas, outra vez contribuí com duzentos cruzeiros para o Hospital dos Alienados e outra vez contribuí com quinhentos cruzeiros para a Fundação das Operárias de Jesus.
- Só ? - perguntou Deus.
- Só - disse o milionário contrafeito.
- Josué! - gritou o Todo-Poderoso -, dê oitocentos cruzeiros ao cavalheiro aqui e que vá para o Inferno.
Moral: Amor com amor se paga e o dinheiro com dinheiro também.
Millôr Fernandes, in "Pif-Paf"
Daqui
Chegou o miserável milionário no céu e, impacientemente, esperou a sua vez de ser julgado. Introduziram-no numa sala, noutra sala, noutra sala, até que se viu frente a uma luz ofuscante, na qual pouco a pouco foi dintinguindo a figura santa do pai dos Homens. Em voz tonitroante este, tendo à direita, Pedro, e, à esquerda, uma figura que ele não conhecia, julgou sumariamente dois outros pecadores que estavam à sua frente. E, afinal, dirigiu-se a ele:
- Que fez você de bom na sua vida ?
- Bem, eu nasci, cresci, amei, casei, tive filhos, vivi.
- Ora - disse o Senhor - isso são actos sociais e biológicos a que você estava destinado. Quero saber que bondade específica e determinada você teve para com o seu semelhante.
- Bem - disse o milionário - eu criei indústrias, comprei fazendas, dei emprego a muita gente, melhorei as condições sociais de muita gente.
- Não, isso não serve - disse o Todo-Poderoso - essas acções estavam implícitas ao acto de você enriquecer. Você as praticou porque precisava viver melhor. Não foram intrinsecamente boas acções, desprendidas, não servem.
O milionário escarafunchou o cérebro e não encontrou nada. Em verdade, passara uma vida egoísta, pensando apenas em si mesmo. Nunca o preocupara seu semelhante, nunca olhara para o ser humano a seu lado senão como uma fonte de lucro para as suas indústrias. Mas, de repente, lemboru-se das obras de filantropia.
- Ah - disse, puxando uma caderneta - aqui está. Uma vez dei cem cruzeiros para uma velhinha da Casa dos Artistas, outra vez contribuí com duzentos cruzeiros para o Hospital dos Alienados e outra vez contribuí com quinhentos cruzeiros para a Fundação das Operárias de Jesus.
- Só ? - perguntou Deus.
- Só - disse o milionário contrafeito.
- Josué! - gritou o Todo-Poderoso -, dê oitocentos cruzeiros ao cavalheiro aqui e que vá para o Inferno.
Moral: Amor com amor se paga e o dinheiro com dinheiro também.
Millôr Fernandes, in "Pif-Paf"
Daqui
2012-11-15
Mera luz
Que invade a tarde cinzenta
E algumas folhas deitam sobre a estrada
O frio é o agasalho que esquenta
O coração gelado quando venta
Movendo a água abandonada
Restos de sonho
Sobre o novo dia
Amores nos vagões
Vagões nos trilhos
Parece que invade a ferrovia
Que mesmo não te vendo te vigia
Como mãe, como mãe
Que dorme olhando os filhos
Com os olhos na estrada
E no mistério
Solitário da penugem
Vê-se a vida correndo, parada
Como se não existisse chegada
Na tarde distante ferrugem
Ou nada
Djavan e Orlando Moraes
2012-11-14
excelente repto
O medo de muitos intelectuais cristãos é precisamente o medo de um mundo fortemente tecnológico e científico onde Deus já nem sequer consegue ser uma sombra ou um fantasma assustador para um ser humano entregue a si mesmo e habitando um cosmos onde Deus foi esquecido. Pelo contrário, enquanto ateus e cristãos discutirem, continuaremos a viver no humano, suficientemente humano velho mundo de sempre. Sem isso, resta-nos apenas um mundo que, podendo continuar a ser humano, será de uma humanidade que se basta a si própria, seja para se salvar, seja para se condenar, limitando-se a substituir a imagem do crucificado por uma crucificação de si mesma.
2012-11-13
Deus e a vida
Para tornar claro onde se encontra o centro da espiritualidade cristã, a primeira coisa que precisamos fazer é tomar consciência de que nós, que temos (ou pretendemos ter) crenças religiosas, estabelecemos, com demasiada frequência e sem dar-nos conta disso, uma relação dialética entre Deus e a vida. Quero dizer: para muitas pessoas, Deus e a vida são duas realidades dissociadas uma da outra. Porém, não só dissociadas, mas sobretudo duas realidades opostas. Porque, em última instância, são muitas as pessoas que vêem na vida, com os seus males, sofrimentos e as suas contradições, a grande dificuldade para acreditar em Deus. E porque, em sentido contrário, são abundantes também as pessoas que vêem em Deus o grande obstáculo para viver, desenvolver, usufruir a vida em toda a sua plenitude e com todas as potencialidades. Ou seja, por um lado, a vida neste "vale de lágrimas" representa nada menos que o problema do mal, isto é, o obstáculo insuperável para aceitar que exista um Deus infinitamente bom e infinitamente poderoso. Porém, por outro lado, esse Deus que nos manda e nos proíbe, ameaça e castiga, traduz-se e concretiza-se no problema da religião, que para muitas pessoas se torna intolerável pela ideia segundo a qual, para aproximar-se de Deus, é preciso sacrificar o entendimento, aceitando dogmas que não entendemos, sacrificar a vontade, submetendo-se a mandatos que resultam difíceis, e vencer-se o mais possível em tudo aquilo que nos agrada, porque assim parecemo-nos mais com Cristo que, com a sua dor, paixão e morte, nos mostrou como é preciso caminhar pela vida.
José Mª Castillo in "Espiritualidade para Insatisfeitos"
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