2014-06-30
E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.
(Dylan Thomas, in A Mão a Assinar Este Papel.
Trad.: Fernando Guimarães. Assírio & Alvim)
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.
(Dylan Thomas, in A Mão a Assinar Este Papel.
Trad.: Fernando Guimarães. Assírio & Alvim)
2014-06-15
à espera dos intelectuais de direita
João Pereira Coutinho, Henrique Raposo, Pedro Mexia, João Miguel Tavares ou Pedro Lomba"
Afinal eram cinco os cavaleiros do apocalipse...: "A Peste, a Guerra, a Fome a Morte e o Briefing"...[comenta assim o meu amigo Eduardo Tavares este artigo]
2014-06-14
2014-06-07
2014-05-27
2014-05-25
2014-05-24
2014-05-17
2014-05-11
2014-05-10
O SONHO DE UMA LÍNGUA COMUM
VIII.
Consigo ver-me há anos em Sunion,
doendo-me de um pé infectado, Filoctetes,
em forma de mulher, coxeando o longo caminho,
deitada num promontório sobre o mar escuro,
olhando pelas rochas vermelhas até onde uma espiral silenciosa
de brancura me dizia que uma onda tinha rebentado,
imaginando a força daquela água lá das alturas,
sabendo que suicídio deliberado não era comigo,
mas o tempo todo cuidando, medindo aquela ferida.
Pois bem, tudo isso acabou. A mulher que prezava
o seu sofrimento está morta. Sou a sua descendente.
Amo o tecido cicatrizado que me legou,
mas quero partir daqui contigo
combatendo a tentação de fazer da dor uma carreira.
doendo-me de um pé infectado, Filoctetes,
em forma de mulher, coxeando o longo caminho,
deitada num promontório sobre o mar escuro,
olhando pelas rochas vermelhas até onde uma espiral silenciosa
de brancura me dizia que uma onda tinha rebentado,
imaginando a força daquela água lá das alturas,
sabendo que suicídio deliberado não era comigo,
mas o tempo todo cuidando, medindo aquela ferida.
Pois bem, tudo isso acabou. A mulher que prezava
o seu sofrimento está morta. Sou a sua descendente.
Amo o tecido cicatrizado que me legou,
mas quero partir daqui contigo
combatendo a tentação de fazer da dor uma carreira.
Adrienne Rich in Uma Paciência Selvagem
#imagem - Flor Garduño
#imagem - Flor Garduño
2014-05-06
2014-05-02
2014-05-01
E estas dores, as mais antigas, não deviam
enfim dar-nos mais frutos? Não é tempo de, amando,
nos libertarmos do amado e de, a estremecer, levarmos a melhor:
como a seta vence a corda para, concentrada no desferir-se,
ser mais do que em si mesma. Porque deter-se é em nenhures.
Elegias de Duíno - Primeira
Rainer Maria Rilke
Vasco Graça Moura
imagem, daqui
2014-04-26
2014-04-25
Há quem pense, e talvez com
certa razão, que a mulher deve entrar no mundo da política para, dentro
desse universo, desenvolver as suas ideias e a sua acção. Mas eu penso
que quando uma mulher entra nesse mundo, ela própria é obrigada a
submeter-se a padrões que ameaçam toda a sua natureza, a natureza da sua
cultura. Ela é levada a transigir, torna-se numa cópia daquilo que já é
mau nos homens. Eu penso que a acção da mulher deve desenvolver-se
fora da política do Poder. Uma acção política de contra-poder. Pela
recusa.
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?!
Natália Correia
O que é a poesia se não uma magia branca, para fazer recuar as forças tenebrosas que querem destruir a vida?!
Natália Correia
A Natália Correia disse isto, nove anos depois do 25 de Abril de 1974. Há trinta e um anos. Não se pode dizer que a escritora não fosse uma mulher esclarecida e politizada.
Na actual Europa das liberdades, uma mulher com um cargo de poder na política - mais mexerico menos mexerico -, anda deste modo a dar que falar ao mundo.
Haverá um modo próprio e adequado para as mulheres exercerem o poder que os cargos políticos lhes outorgam? Ou, pela própria natureza feminina, as mulheres nunca encontrarão no exercício do poder político a sua identidade feminina? Mas esta tal de identidade feminina é determinada por padrão único ou vai evoluindo, como tudo o que é vivo e consciente de si?
Sem querer precipitar-me nas conclusões, deduzo que não existe um papel feminino e outro masculino de participação e exercício do poder. Existem tantos papéis quantos os intervenientes activos. Sejam homens de "barba rija" ou mulheres belas, como a governante socialista francesa, que acaba por se mostrar frágil e insegura.
Sem querer precipitar-me nas conclusões, deduzo que não existe um papel feminino e outro masculino de participação e exercício do poder. Existem tantos papéis quantos os intervenientes activos. Sejam homens de "barba rija" ou mulheres belas, como a governante socialista francesa, que acaba por se mostrar frágil e insegura.
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