2014-08-29
2014-08-07
Ouve, à noite, como a seda se
rasga
e a taça de chá cai ao chão, sem
ruído,
como por magia,
tu que só tens palavras doces para
os mortos
e levas um ramo de flores na mão
à espera da morte
que cai do seu corcel, ferida por
um cavaleiro
que a prende com os seus lábios
brilhantes
e chora pelas noites pensando que
o amavas,
e diz: vem para o jardim, vê
como as estrelas caem
e falemos em sossego para que
ninguém nos ouça
vem, escuta-me, falemos de nossos
móveis
tenho uma rosa tatuada na face e um
bastão
com um punho em forma de pato
e dizem que chove por nós e que a
neve é nossa
e agora que o poema expira,
como uma criança, te digo :
vem, eu fiz um diadema
(sai ao jardim e verás como a
noite nos envolve)
leopoldo maría panero,
traduzido por Luís Costa, aqui
2014-08-02
2014-07-21
2014-07-12
louvado seja Deus que me deu imediatamente o meu lugar sem que eu tenha de ir procurá-lo. e não lhe peço outro.
eu sou Violaine, tenho dezoito anos, o meu pai chama-se Anne Vercors, a minha mãe chama-se Isabel. a minha irmã chama-se Mara, o meu noivo chama-se Tiago. Pronto, acabou-se, não há mais nada a saber.
tudo é perfeitamente claro, tudo está ordenado desde o princípio e estou muito contente. sou livre e não tenho de me afligir com nada, é o pobre homem, que me conduz e que sabe tudo o que é preciso fazer.
Paul Claudel in "a anunciação de Maria"
#imagem Masao Yamamoto
2014-07-09
2014-06-30
E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.
(Dylan Thomas, in A Mão a Assinar Este Papel.
Trad.: Fernando Guimarães. Assírio & Alvim)
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.
(Dylan Thomas, in A Mão a Assinar Este Papel.
Trad.: Fernando Guimarães. Assírio & Alvim)
2014-06-15
à espera dos intelectuais de direita
João Pereira Coutinho, Henrique Raposo, Pedro Mexia, João Miguel Tavares ou Pedro Lomba"
Afinal eram cinco os cavaleiros do apocalipse...: "A Peste, a Guerra, a Fome a Morte e o Briefing"...[comenta assim o meu amigo Eduardo Tavares este artigo]
2014-06-14
2014-06-07
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