2014-09-29
2014-09-27
2014-09-13
de vez em quando dizem-nos num poema
- Yo estoy ausente pero en el fondo de esta ausencia
Hay la espera de mí mismo
Y esta espera es otro modo de presencia
La espera de mi retorno
Yo estoy en otros objetos
Ando en viaje dando un poco de mi vida
A ciertos árboles y a ciertas piedras
Que me han esperado muchos años
Se cansaron de esperarme y se sentaron
Yo no estoy y estoy
Estoy ausente y estoy presente en estado de espera
Ellos querrían mi lenguaje para expresarse
Y yo querría el de ellos para expresarlos
He aquí el equívoco el atroz equívoco.
Angustioso lamentable
Me voy adentrando en estas plantas
Voy dejando mis ropas
Se me van cayendo las carnes
Y mi esqueleto se va revistiendo de cortezas
Me estoy haciendo árbol.
Cuántas cosas me he ido convirtiendo en otras cosas
Es doloroso y lleno de ternura.
Podría dar un grito pero se espantaría la transubstanciación
Hay que guardar silencio. Esperar en silencio.
vicente huidobro
2014-09-08
Baixo os olhos e lembro as discussões com o Reinaldo no tempo em que eu queria sair de casa e ele não deixava. “Sais de casa, mas sais sozinha, sem os miúdos.”, dizia-me e eu ficava sem saber o que fazer. Até que chegou o dia em que dois jovens polícias chegaram e eu pude sair com os meus filhos. Passaram-se apenas alguns anos, mas esse tempo, violento e trágico, parece-me longínquo como se tivesse sido vivido por outra mulher. Já não sinto medo, nem raiva, nem nojo. Serei eu uma mulher diferente? Não sei, mas gosto de acreditar que, se voltasse a passar pelo mesmo, em vez da loucura, dos gestos trágicos, do desespero, saberia agora fazer escutar a minha voz.
daqui
2014-08-29
2014-08-07
Ouve, à noite, como a seda se
rasga
e a taça de chá cai ao chão, sem
ruído,
como por magia,
tu que só tens palavras doces para
os mortos
e levas um ramo de flores na mão
à espera da morte
que cai do seu corcel, ferida por
um cavaleiro
que a prende com os seus lábios
brilhantes
e chora pelas noites pensando que
o amavas,
e diz: vem para o jardim, vê
como as estrelas caem
e falemos em sossego para que
ninguém nos ouça
vem, escuta-me, falemos de nossos
móveis
tenho uma rosa tatuada na face e um
bastão
com um punho em forma de pato
e dizem que chove por nós e que a
neve é nossa
e agora que o poema expira,
como uma criança, te digo :
vem, eu fiz um diadema
(sai ao jardim e verás como a
noite nos envolve)
leopoldo maría panero,
traduzido por Luís Costa, aqui
2014-08-02
2014-07-21
2014-07-12
louvado seja Deus que me deu imediatamente o meu lugar sem que eu tenha de ir procurá-lo. e não lhe peço outro.
eu sou Violaine, tenho dezoito anos, o meu pai chama-se Anne Vercors, a minha mãe chama-se Isabel. a minha irmã chama-se Mara, o meu noivo chama-se Tiago. Pronto, acabou-se, não há mais nada a saber.
tudo é perfeitamente claro, tudo está ordenado desde o princípio e estou muito contente. sou livre e não tenho de me afligir com nada, é o pobre homem, que me conduz e que sabe tudo o que é preciso fazer.
Paul Claudel in "a anunciação de Maria"
#imagem Masao Yamamoto
2014-07-09
2014-06-30
E a morte perderá o seu domínio.
Nus, os homens mortos irão confundir-se
com o homem no vento e na lua do poente;
quando, descarnados e limpos, desaparecerem os ossos
hão-de nos seus braços e pés brilhar as estrelas.
Mesmo que se tornem loucos permanecerá o espírito lúcido;
mesmo que sejam submersos pelo mar, eles hão-de ressurgir;
mesmo que os amantes se percam, continuará o amor;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.
(Dylan Thomas, in A Mão a Assinar Este Papel.
Trad.: Fernando Guimarães. Assírio & Alvim)
Aqueles que há muito repousam sobre as ondas do mar
não morrerão com a chegada do vento;
ainda que, na roda da tortura, comecem
os tendões a ceder, jamais se partirão;
entre as suas mãos será destruída a fé
e, como unicórnios, virá atravessá-los o sofrimento;
embora sejam divididos eles manterão a sua unidade;
e a morte perderá o seu domínio.
E a morte perderá o seu domínio.
Não hão-de gritar mais as gaivotas aos seus ouvidos
nem as vagas romper tumultuosamente nas praias;
onde se abriu uma flor não poderá nenuma flor
erguer a sua corola em direcção à força das chuvas;
ainda que estejam mortas e loucas, hão-de descer
como pregos as suas cabeças pelas margaridas;
é no sol que irrompem até que o sol se extinga,
e a morte perderá o seu domínio.
(Dylan Thomas, in A Mão a Assinar Este Papel.
Trad.: Fernando Guimarães. Assírio & Alvim)
2014-06-15
à espera dos intelectuais de direita
João Pereira Coutinho, Henrique Raposo, Pedro Mexia, João Miguel Tavares ou Pedro Lomba"
Afinal eram cinco os cavaleiros do apocalipse...: "A Peste, a Guerra, a Fome a Morte e o Briefing"...[comenta assim o meu amigo Eduardo Tavares este artigo]
Subscrever:
Mensagens (Atom)






