2014-10-27
2014-10-26
# serra dos mangues, 2014
"A abstracção que aceitamos noutras formas de arte - pintura, escultura, música, poesia - também pode ter lugar no cinema. Temos um ditado persa que diz, quando alguém olha com verdadeira intensidade: "Tinha dois olhos e pediu mais dois emprestados."
Abbas Kiarostami, in Duas ou três coisas que sei de mim | Cinemateca Portuguesa, 2004
2014-10-18
que o ofício de pensar, não nos faça ignorar isto:
Mas ainda não cresceram o suficiente para perceber o obscuro e labiríntico universo da argumentação e da contra-argumentação, que não passa de uma sublimação dos nossos desejos.
2014-10-15
2014-10-13
2014-10-12
uma espiritualidade desligada das tradicionais formas religiosas
Espiritualidad laica significa también – y creo que esto es igualmente
esencial- una espiritualidad emancipada de las formas llamadas
religiosas. Esto es algo bastante nuevo en la cultura y sociedad
occidental, pero es lo que va a ir desarrollándose. Una espiritualidad
que no tiene por qué estar acompañada de creencias, ritos y normas
morales “religiosamente” fundadas, ni inspirada en los textos llamados
tradicionalmente religiosos. Si a uno le inspira una música, esa música
es espiritual. Que sea espiritual no depende de que hable de la Virgen o
sea una misa de Mozart. No depende de esas formas religiosas. Cada vez
más estamos llamados a abrirnos a una espiritualidad no ligada a lo
religioso. Eso significa espiritualidad laica. De la misma manera que en
los ritos fundamentales de la vida (como el nacimiento, la boda, la
muerte) ya se están desligando de formas religiosas tradicionales. La
gente se casa espiritualmente también en la montaña o en el
ayuntamiento. Pueden celebrar espiritualmente el nacimiento de un hijo
sin bautizarlo. La muerte se acompaña y el duelo se hace espiritualmente
sin funerales en la parroquia con misa. Claro que una sociedad laica
tiene el reto de crear sus propias formas desligadas de las
tradicionales formas religiosas pero que sean inspiradoras para esos
momentos fundamentales de la vida. Esto es un reto importante. ¿De qué
se trata? La espiritualidad es el arte de vivir, de respirar, de acoger y
de infundir espíritu, como “luz que penetra las almas y fuente del
mayor consuelo” eso es fundamental y estamos llamados a vivirlo con
formas religiosas o no.
daqui
2014-10-11
2014-10-10
na vida
tanto é preciso a seriedade
quanto o delírio
se tiveres mais do que um pão
vende-o
e compra um lírio
Li Bai
2014-10-09
2014-10-08
por onde se espraia a solidão
Até que ela me conta as palavras finais da ruptura de uma forma que me acordou: ela estava numa cidade, ele noutra. Por telefone? Acabaram por telefone? Diz ela: sim, por sms.
É fantástico como a tecnologia facilita a vida, até a dos que não a vivem.
2014-10-05
2014-10-03
desfazer alguns mitos da maternidade
Porque não se ama quem não se conhece. Um filho acabado de nascer, tal como o sentiu Maria, é um desconhecido. Ainda que uma excrescência solta do seu corpo, não deixa de ser um estranho que de repente invade a vida de uma mulher. Uma mãe precisa de tempo para se acostumar a um filho, mais tempo ainda para o amar. Muitas mulheres levam vários anos até finalmente sentirem amor a um filho. Outras nunca chegam a senti-lo.
Ana Cássia Rebelo
2014-10-01
Ontem estive a ver o filme Mar Adentro, um filme dramático que me pôs a pensar. Para além do tema do suicídio assistido e das questões morais e éticas que levanta, o que me tocou mais de perto, foram as diferentes perspectivas e consequentes atitudes dos familiares próximos, dos amigos e das duas mulheres (três, diria que a cunhada nutria pelo irmão do marido um amor solícito e verdadeiramente oblativo)apaixonadas pelo tetraplégico Ramón Sampedro.
Na tecedura das diferentes relações, é muito pronunciado o imperativo "tu deves", a começar pela personagem central que quer a todo o custo que lhe seja concedido o direito de decidir pela morte e colocar um fim a trinta anos de sofrimento, sofrido e causado aos seus. Até a igreja institucional aparece (como não podia deixar de ser)a julgar tudo e todos, porque a vida é um dom e, se não de aceita isso, só pode ser por desajuste do próprio ou dos que o rodeiam. A vida é um "pouco" mais complicada do que isso.
É um acto de violência impor a alguém que aceite um sofrimento extremo (uma violência que se acrescenta à que já existe), e é igualmente violento, pretender e impor que alguém aceite que aquele ser que se ama, não quer mais partilhar vida connosco, decidindo morrer. Para de algum modo priorizar necessidades, podemos tentar escolher quem está em situação de maior fragilidade (à primeira vista é o doente que sofre o tormento físico e consequentemente psíquico) mas também pode ser um pai, uma mãe, já fragilizados pela idade. Não quero sugerir nenhuma escolha, até porque acredito que, dentro das diferentes circunstâncias da vida, podemos crescer interiormente e descobrir forças que nem sabíamos que tinhamos. Apenas quero pensar e descobrir modos de lidar com os diferentes imperativos "tu deves..."
2014-09-29
2014-09-27
2014-09-13
de vez em quando dizem-nos num poema
- Yo estoy ausente pero en el fondo de esta ausencia
Hay la espera de mí mismo
Y esta espera es otro modo de presencia
La espera de mi retorno
Yo estoy en otros objetos
Ando en viaje dando un poco de mi vida
A ciertos árboles y a ciertas piedras
Que me han esperado muchos años
Se cansaron de esperarme y se sentaron
Yo no estoy y estoy
Estoy ausente y estoy presente en estado de espera
Ellos querrían mi lenguaje para expresarse
Y yo querría el de ellos para expresarlos
He aquí el equívoco el atroz equívoco.
Angustioso lamentable
Me voy adentrando en estas plantas
Voy dejando mis ropas
Se me van cayendo las carnes
Y mi esqueleto se va revistiendo de cortezas
Me estoy haciendo árbol.
Cuántas cosas me he ido convirtiendo en otras cosas
Es doloroso y lleno de ternura.
Podría dar un grito pero se espantaría la transubstanciación
Hay que guardar silencio. Esperar en silencio.
vicente huidobro
2014-09-08
Baixo os olhos e lembro as discussões com o Reinaldo no tempo em que eu queria sair de casa e ele não deixava. “Sais de casa, mas sais sozinha, sem os miúdos.”, dizia-me e eu ficava sem saber o que fazer. Até que chegou o dia em que dois jovens polícias chegaram e eu pude sair com os meus filhos. Passaram-se apenas alguns anos, mas esse tempo, violento e trágico, parece-me longínquo como se tivesse sido vivido por outra mulher. Já não sinto medo, nem raiva, nem nojo. Serei eu uma mulher diferente? Não sei, mas gosto de acreditar que, se voltasse a passar pelo mesmo, em vez da loucura, dos gestos trágicos, do desespero, saberia agora fazer escutar a minha voz.
daqui
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