2016-12-31
2016-12-30
2016-12-28
2016-12-27
Madrigal
Herdei uma floresta densa onde raramente ponho os pés. Mas lá chegará o dia em que os defuntos e os viventes troquem de lugares. É então que a floresta se põe em movimento. Não perdemos ainda toda a esperança. Os maiores crimes continuam ainda por desvendar, malgrado o esforço de tantos polícias.Do mesmo modo, algures nas nossas vidas, há um grande amor por revelar. Herdei uma floresta densa, mas hoje entro numa outra, plena de claridade. Tudo o que vive canta, serpenteia, abana, rasteja! É primavera, e o ar que respiramos é fortíssimo. Tenho um exame na universidade do olvido, e as mãos tão vazias como a camisa pendurada na corda de secar roupa.
Tomas Tranströmer, 50 Poemas
Trad. Alexandre Pastor
Relógio D'Água
imagem - Artur Pastor, Nazaré
2016-12-23
Que Natal?
Natal não tive. Ou tivesó o Natal que tiveram
minhas filhas. Esse vive
como as coisas que viveram
mas já não são. Que Natal
tenho hoje? Que alegria,
que festa, neste final,
nesta descida sombria?
Diz Natal quem diz começo,
ou chegada, ou descoberta...
Onde estou, só há tropeço,
terra fria e deserta.
Se, no fim, recomeçasse!
Se, descendo, eu subisse!
Se, parando, não parasse!
Ressuscitar... quem o disse?
Eugénio Lisboa
[Para quem passa e vê o seu Natal descrito no poema do Eugénio Lisboa, um forte abraço. E para todos os outros também.]
2016-12-22
2016-12-21
A FOME
Aqui, onde a mão
não alcança o interruptor da vida, aqui
só brilha a solidão.
Desfazem-se as lembranças contra os vidros.
Aqui, onde a brancura dum lenço é a brancura do infortúnio,
aqui a solidão
não brilha, apenas
se estorce.
A fome fala através das feridas.
Luís Miguel Nava. Vulcão,
Quetzal, 1994
2016-12-20
2016-12-19
2016-12-17
2016-12-15
Retrato de Mulher
Deve ser para todos os gostos,
Mudar só para que nada mude.
É fácil, impossível, difícil, vale tentar.
Seus olhos são, se preciso, ora azuis, ora cinzentos,
negros, alegres, rasos d'água sem nenhuma razão.
Dorme com ele como a primeira que aparece, a única no mundo.
Dá-lhe quatro filhos, nenhum filho, um.
Ingénua, mas a que melhor aconselha.
Fraca, mas aguenta.
Não tem cabeça, pois vai tê-la.
Lê Jaspers e revistas de mulher.
Não entende de parafusos mas constrói uma ponte.
Jovem, como sempre jovem, ainda jovem.
Segura nas mãos um pardalito de asa partida
seu próprio dinheiro para uma viagem longa e longínqua
um cutelo para carne, uma compressa, um cálice de vodka.
Corre para onde, não está cansada.
Claro que não, só um pouco, muito, não importa.
Ou ela o ama ou é teimosa.
Para o bem, para o mal e para o que der e vier.
Wislawa Szymborska
2016-12-12
2016-12-11
2016-12-10
porque hoje é sábado
é possível que a luz não seja, de facto, o sempre máximo da consciência
Maria Gabriela Llansol,
PARASCEVE,
Relógio D'Água
2016-12-09
2016-12-07
2016-12-06
2016-12-05
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