2017-01-13
2017-01-12
"é a solidão que dissipa o outro..."
O que nos torna desprezíveis? Certamente não serão os gestos
repetidos dos dias, voltar para trás a verificar se fechámos correctamente as
portas, aproveitar nesgas de calor para secar a roupa, passear o animal
doméstico, mudar um pneu furado, oferecer ajuda a quem dela nos pareça
precisado. O que nos torna desprezíveis é não termos com quem partilhar
silêncios, é a solidão que dissipa o outro impondo distâncias, é não estarmos
inclinados para jogos de tabuleiro nem fazermos o mínimo esforço na direcção do
que se nos opõe.
daqui
daqui
Europa 2017
Reuters /
Monday, January 09, 2017
Migrants stand in line to receive free food outside a derelict customs warehouse in Belgrade, Serbia.
REUTERS/Marko Djurica
REUTERS/Marko Djurica
2017-01-11
2017-01-10
as redes vivem disso
O parabolano tem pelo menos o mérito de nos
fazer pensar os ínvios caminhos do moralismo na actualidade, a
lógica rasteira, abstrusa e capciosa, diria mesmo burra do mais burro que pode
haver, dos detentores da pós-verdade, enfim a palermice, o infantilismo, a
patetice generalizada nas redes que proíbem maminhas ao léu mas aceitam todo o
tipo de dejectos que um esgoto aceita sem que se verifique grandes incómodos
com o estado da situação. De resto, são inúmeras as pessoas que tendem a aderir ao
esgoto com evidente gosto e falta de espírito crítico. O que as torna apenas
ainda mais coerentes com as suas práticas murídeas. Uma coisa é certa, quando morrerem ninguém o
lamentará.
2017-01-09
2017-01-07
2017-01-06
quem sabe, sabe
Vós outros andais muito solícitos em redor do próximo, e a vossa solicitude exprime-se em belas palavras. Mas eu vos digo: o vosso amor ao próximo é apenas o vosso mau amor por vós próprios.
É para fugirdes de vós que andais em volta do próximo, e quereríeis converter isso numa virtude; mas pus a claro o vosso «desinteresse».
F. Nietzsche in "Assim falava Zaratustra
2017-01-04
2017-01-03
há sempre um livro que me lê
Passaram velozes os meus dez anos de cárcere, já o disse.
De resto, a vida na prisão onde cumpri a minha sentença não era das mais duras. Os meses corriam serenamente iguais.
Tínhamos uma longa cerca onde, a certas horas, podíamos passear, sempre sob a vigilância dos guardas, que nos vigiavam misturados connosco e que às vezes até nos dirigiam a palavra.
A cerca terminava num grande muro, um grande paredão sobre uma rua larga - melhor: sobre uma espécie de largo onde se cruzavam várias ruas. Em frente - pormenor que se me gravou na memória - havia um quartel amarelo (ou talvez uma prisão).
O prazer maior de certos detidos, era de se debruçarem do alto do grande muro, e olharem para a rua; isto é: para a vida. Mas os carcereiros, mal os descobriam, logo brutalmente os mandavam retirar.
Eu poucas vezes me acercava do muro; apenas quando algum dos outros prisioneiros me chamava com insistência, por grandes gestos misteriosos, pois nada me poderia interessar do que havia para lá dele.
Mesmo, nunca soubera evitar um arrepio árido de pavor ao debruçar-me a esse paredão e ao vê-lo esgueirar-se, duma grande altura - enegrecido, lezardento, escalavrado, - sobre raros indícios duma velha pintura amarela.
Mário de Sá-Carneiro - Verso e Prosa
Assírio & Alvim
2017-01-02
2017-01-01
2016-12-31
2016-12-30
2016-12-28
2016-12-27
Madrigal
Herdei uma floresta densa onde raramente ponho os pés. Mas lá chegará o dia em que os defuntos e os viventes troquem de lugares. É então que a floresta se põe em movimento. Não perdemos ainda toda a esperança. Os maiores crimes continuam ainda por desvendar, malgrado o esforço de tantos polícias.Do mesmo modo, algures nas nossas vidas, há um grande amor por revelar. Herdei uma floresta densa, mas hoje entro numa outra, plena de claridade. Tudo o que vive canta, serpenteia, abana, rasteja! É primavera, e o ar que respiramos é fortíssimo. Tenho um exame na universidade do olvido, e as mãos tão vazias como a camisa pendurada na corda de secar roupa.
Tomas Tranströmer, 50 Poemas
Trad. Alexandre Pastor
Relógio D'Água
imagem - Artur Pastor, Nazaré
2016-12-23
Que Natal?
Natal não tive. Ou tivesó o Natal que tiveram
minhas filhas. Esse vive
como as coisas que viveram
mas já não são. Que Natal
tenho hoje? Que alegria,
que festa, neste final,
nesta descida sombria?
Diz Natal quem diz começo,
ou chegada, ou descoberta...
Onde estou, só há tropeço,
terra fria e deserta.
Se, no fim, recomeçasse!
Se, descendo, eu subisse!
Se, parando, não parasse!
Ressuscitar... quem o disse?
Eugénio Lisboa
[Para quem passa e vê o seu Natal descrito no poema do Eugénio Lisboa, um forte abraço. E para todos os outros também.]
2016-12-22
2016-12-21
A FOME
Aqui, onde a mão
não alcança o interruptor da vida, aqui
só brilha a solidão.
Desfazem-se as lembranças contra os vidros.
Aqui, onde a brancura dum lenço é a brancura do infortúnio,
aqui a solidão
não brilha, apenas
se estorce.
A fome fala através das feridas.
Luís Miguel Nava. Vulcão,
Quetzal, 1994
2016-12-20
2016-12-19
2016-12-17
2016-12-15
Retrato de Mulher
Deve ser para todos os gostos,
Mudar só para que nada mude.
É fácil, impossível, difícil, vale tentar.
Seus olhos são, se preciso, ora azuis, ora cinzentos,
negros, alegres, rasos d'água sem nenhuma razão.
Dorme com ele como a primeira que aparece, a única no mundo.
Dá-lhe quatro filhos, nenhum filho, um.
Ingénua, mas a que melhor aconselha.
Fraca, mas aguenta.
Não tem cabeça, pois vai tê-la.
Lê Jaspers e revistas de mulher.
Não entende de parafusos mas constrói uma ponte.
Jovem, como sempre jovem, ainda jovem.
Segura nas mãos um pardalito de asa partida
seu próprio dinheiro para uma viagem longa e longínqua
um cutelo para carne, uma compressa, um cálice de vodka.
Corre para onde, não está cansada.
Claro que não, só um pouco, muito, não importa.
Ou ela o ama ou é teimosa.
Para o bem, para o mal e para o que der e vier.
Wislawa Szymborska
2016-12-12
2016-12-11
2016-12-10
porque hoje é sábado
é possível que a luz não seja, de facto, o sempre máximo da consciência
Maria Gabriela Llansol,
PARASCEVE,
Relógio D'Água
2016-12-09
2016-12-07
2016-12-06
2016-12-05
2016-12-04
talvez esperança
[...]
Oiço dentro de casa que lá fora chove
dizes somente a solitária lágrima
que te humedece os olhos caminhamos
e há em nossos ombros numerosas folhas
Nasço subitamente há mundos no teu rosto
antes de ti ninguém na verdade houve
chove posso dizer pela primeira vez que chove
Esperar por ti não é esperar por ti
esperar por ti é ter talvez esperança
ou é esperar com minudenciosa paciência
e desenhar teu rosto em cada rosto que vejo surgir
na minha alvoroçada vizinhança dos teus passos
Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas nas múltiplas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado
Quando te vejo e embora exista o vento
nenhuma folha nas múltiplas árvores se move
ver-te é logo todas as coisas começarem é
tudo ser desde sempre anterior a tudo
Ver-te é sem tu me veres eu sentir-me visto
sentir no meu andar alguma segurança mínima
caminhar pelo ar a meio metro da terra
e tudo flutuar e ser ainda mais aéreo do que o ar
ver-te é nem mesmo pensar que deixarei de ver-te
ver-te é sentir pousar mais que um olhar
uma mão muito calma sobre a minha vida
ver o teu rosto é ter toda a certeza de que existo
[...)
Ruy Belo
A margem da Alegria
2016-12-03
2016-12-02
libertação
[Acabei de ler. É mesmo um grande romance. Tocou-me por dentro, por fora, no presente, no passado e no futuro. Ao ler o texto que se segue, fiquei com os olhos húmidos. Imagino (ou não) as lágrimas, a dor, o desespero que geraram, por fim, a libertação.]
A casa escuta. Respira fundo, fecha os olhos e deixa-se levar na melodia das vozes gravadas no lugar para sempre, com as quais poderá ainda contar quando chegar o fim do mundo.
É noite alta. Só eu. Ninguém mais respira dentro. Ninguém pensa ou fala. O coração bombeia o sangue que circula nas minhas veias, pum-pum, pum-pum, pum-pum. Só o escuto eu e a casa, com as suas grandes orelhas de abano. Toco as suas paredes, estendo-me no chão com a cadela e absorvo a frescura do soalho. Toco o meu corpo, as minhas queridas mamas volumosas, que tombam para o lado quando tiro o sutiã. O meu corpo ainda grande, que passei a amar como é. Tal como é. Que bonito é o meu corpo! Que gorda tão doce! E que poder! Como é que não percebi antes, como é que pude escutá-los todos aqueles anos?! Por que lhes dei ouvidos, sabendo que era eu quem estava certa? A troça recairia sobre o trocista, caso eu nunca a tivesse aceitado como aceitei. Que bela mulher eu sempre fui! Um corpo tão perfeito, tão imponente, como pude desamá-lo tanto?!
Isabela Figueiredo, A Gorda
Caminho
2016-12-01
2016-11-29
2016-11-26
2016-11-24
Com muita vontade de ler este livro da Isabela que acaba de ser publicado. Um livro que, como se diz no artigo, sendo de ficção é pura realidade.
Sendo mais ou menos da idade da Isabela e tendo sido formatada no princípio de que os inimigos da "alma" são o mundo, o demónio e a carne, terei de viver mais uns cinquenta anos para desaprender de recear inimigos, afinal tão próximos.
2016-11-23
considerando
voltei a usar com maior assiduidade este espaço, depois de me escapar de outra rede, vai prevalecer a linguagem através das imagens e alguns poemas. palavras o menos possível, há que domesticar as paixões. para quem passa, sinta-se em casa, como sempre.
2016-11-22
2016-11-21
2016-11-20
2016-11-19
2016-11-18
Não Fora o Mar!
Não fora o mar,e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.
Não fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena angústia, pequeno prazer.
Não fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sabão,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto — pingos de água em minha mão.
Não fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga música ao sol pôr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.
Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.
Não fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.
Não fora o mar
e o meu canto seria flor e mel,
asa de borboleta, rouxinol,
e não rude halali, garra cruel,
Águia Real que desafia o sol.
Não fora o mar
e este potro selvagem, sem arção,
crinas ao vento, com arreio,
meu altivo, indomável coração,
Não fora o mar
e comeria à mão,
não fora o mar
e aceitaria o freio.
Fernanda de Castro, in "Trinta e Nove Poemas"
o melhor mesmo é desligar o botão
Em França são conhecidos como os panélistes, os indivíduos que circulam pelos inúmeros painéis, onde fazem de intelectuais politólogos, sociólogos e psicólogos e outros “logos”. Estes comunicadores são a elite do “agir comunicacional” contemporâneo, mas, em ocasiões como a das eleições americanas, sentem-se no dever de restituir ao Homem Médio a palavra que lhe foi confiscada. Falam muito de populismo e fizeram dele uma palavra-maná, um significante flutuante, uma “coisa”; apontam-no como um fenómeno temível do nosso tempo, mas participam convictamente e sem má consciência na lógica e nas manifestações do populismo cultural.
António Guerreiro
2016-11-16
Que deves tu à ciência
Senão o reconhecimento
Da tua própria, e a dela,
Limitação?
Que deves ao ar que respiras
Além da inquietude
De te manteres vivo
Mais um dia?
E ao amor, que deves
Que não seja
A causa primeira
De estares limitado a viver?
Rui Almeida in Muito Menos
Companhia das Ilhas, setembro 2016
2016-11-15
É preciso estabelecer que a religião é um direito dos seres humanos. O homem tem o direito de procurar qualquer coisa que possa resolver os seus problemas com o desconhecido, com o além, com a morte. Ele tem esse direito e é preciso defender esse direito. Dito isto, ninguém tem o direito de institucionalizar a sua religião e impô-la a toda uma sociedade. Tal como temos o direito de acreditar, temos o direito de não acreditar. E nessa perspetiva é preciso separar o Estado, que é comum a todos, da religião, que é pessoal, um assunto tão pessoal como o amor, e que não compromete se não a própria pessoa.
Aqui
2016-11-14
2016-11-11
Leonard Cohen : "Sisters Of Mercy"
Oh the sisters of mercy, they are not departed or gone.
They were waiting for me when I thought that I just can't go on.
And they brought me their comfort and later they brought me this song.
Oh I hope you run into them, you who've been travelling so long.
Yes you who must leave everything that you cannot control.
It begins with your family, but soon it comes around to your soul.
Well I've been where you're hanging, I think I can see how you're pinned:
When you're not feeling holy, your loneliness says that you've sinned.
Well they lay down beside me, I made my confession to them.
They touched both my eyes and I touched the dew on their hem.
If your life is a leaf that the seasons tear off and condemn
They will bind you with love that is graceful and green as a stem.
When I left they were sleeping, I hope you run into them soon.
Don't turn on the lights, you can read their address by the moon.
And you won't make me jealous if I hear that they sweetened your night:
We weren't lovers like that and besides it would still be all right,
We weren't lovers like that and besides it would still be all right.
créditos, Sony Music
They were waiting for me when I thought that I just can't go on.
And they brought me their comfort and later they brought me this song.
Oh I hope you run into them, you who've been travelling so long.
Yes you who must leave everything that you cannot control.
It begins with your family, but soon it comes around to your soul.
Well I've been where you're hanging, I think I can see how you're pinned:
When you're not feeling holy, your loneliness says that you've sinned.
Well they lay down beside me, I made my confession to them.
They touched both my eyes and I touched the dew on their hem.
If your life is a leaf that the seasons tear off and condemn
They will bind you with love that is graceful and green as a stem.
When I left they were sleeping, I hope you run into them soon.
Don't turn on the lights, you can read their address by the moon.
And you won't make me jealous if I hear that they sweetened your night:
We weren't lovers like that and besides it would still be all right,
We weren't lovers like that and besides it would still be all right.
créditos, Sony Music
2016-11-10
Se nos encontrarmos, um dia, eu e a mulher, e ela me perguntar o que mais me importa, dir-lhe-ei que de sobremaneira me importa viver, vencer a morte, e saber se se confirma que só o amor é maior do que esse colapso. Gostaria que, nesse momento, nos reconhecêssemos textuantes, gente que, no mistério da realidade, não tem necessariamente muito a partilhar salvo esse pequeno diálogo que transportamos de lugar em lugar.
Maria Gabriela Llansol
PARASCEVE
Relógio D'Água
#imagem - S. Martinho do Porto, Outubro 2016
2016-11-09
2016-11-07
2016-11-06
2016-11-05
"a dor é o que há de mais humano"
A dor é o que há de mais humano
em deus, a luz que o pontifica.
Quando crescemos no interior
de uma ausência permanente,
o sagrado que se oculta
por detrás da nossa pressa
tende a mergulhar num mar
profundo de incógnitas.
Procurar respostas é humano,
inspirar dúvidas é divino.
Mas a dor, a dor é o que há
de mais humano em deus.
Não importa quem começou o quê.
Certo é terem havido homens
mais próximos dessa condição
que dizemos sagrada,
do que todos os deuses do mundo
numa orgia de perfeição.
Sei que na dor nós vencemos
.Sei que pela dor nós crescemos
até ao mais alto dos céus: a obra
que fica na carne da língua.
Não será essa a nossa condição?
Um sacrifício de sangue, uma prisão
de desejos, uma força de criar?
Resta-nos uma vida, um adeus.
Henrique Manuel Bento Fialho,
in Um Poema Para Fiama,
coordenação de Maria Teresa Dias Furtado e de Maria do Sameiro Barroso,
Editora Labirinto,
Amarante, Maio de 2007.
2016-11-03
fantasias #1
Durante algum tempo julgávamos que a abundância de informação disponível através dos novos meios de comunicação (canais por cabo, redes sociais, podcasts) nos tornaria mais lúcidos e racionais. Puro engano. Os piores instintos da populaça tomaram de assalto quase todos os espaços da opinião informada.
daqui
2016-08-17
2016-08-09
2016-08-04
rendição
«Dou-te o meu corpo maleável para exprimires a tua linguagem. Vê o que fazes de mim».
Maria Gabriela Llansol in PARASCEVE
2016-07-22
Descrever um lugar indescritível é torná-lo inamovível para o resto da minha vida, que certamente decorrerá ao lado da árvore, como sempre tem decorrido no jardim que o pensamento permite. O jardim não é criado pelo pensamento, o jardim permite pensar, tem a sua forma de pensar o pensamento. O Grande Maior tem as mesmas propriedades. Apenas não pensa do mesmo modo. Na verdade, aprofundar a intensidade de viver e deixá-la à natureza, é morrer menos. Falo do meu ponto de vista de visitante, porque ali não havia morte; não sei se não tinham palavras para isso ou se simplesmente não precisavam dela. Havia uma fonte que a seiva molhava a meio de uma Praça - um rasgão no céu -, e, paradoxalmente, seres se sentavam nessa seiva onde, imergindo, tomavam rosto que uma humana como eu reconhecesse. As mãos fremiam. Foi a primeira parte do corpo deles que reconheci. Eu não tinha aceite a sua hospitalidade com a intenção de lhes contar quem era, mas para os ouvir falar sobre a sua própria pessoalidade.
Maria Gabriela Llansol in PARASCEVE
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