2017-05-05
Porque o Melhor, Enfim
Porque o melhor, enfim,É não ouvir nem ver...
Passarem sobre mim
E nada me doer!
_ Sorrindo interiormente,
Co'as pálpebras cerradas,
Às águas da torrente
Já tão longe passadas. _
Rixas, tumultos, lutas,
Não me fazerem dano...
Alheio às vãs labutas,
Às estações do ano.
Passar o estio, o outono,
A poda, a cava, e a redra,
E eu dormindo um sono
Debaixo duma pedra.
Melhor até se o acaso
O leito me reserva
No prado extenso e raso
Apenas sob a erva
Que Abril copioso ensope...
E, esvelto, a intervalos
Fustigue-me o galope
De bandos de cavalos.
Ou no serrano mato,
A brigas tão propício,
Onde o viver ingrato
Dispõe ao sacrifício
Das vidas, mortes duras
Ruam pelas quebradas,
Com choques de armaduras
E tinidos de espadas...
Ou sob o piso, até,
Infame e vil da rua,
Onde a torva ralé
Irrompe, tumultua,
Se estorce, vocifera,
Selvagem nos conflitos,
Com ímpetos de fera
Nos olhos, saltos, gritos...
Roubos, assassinatos!
Horas jamais tranquilas,
Em brutos pugilatos
Fraturam-se as maxilas...
E eu sob a terra firme,
Compacta, recalcada,
Muito quietinho. A rir-me
De não me doer nada.
Camilo Pessanha, in 'Clepsidra'
2017-05-04
2017-05-03
uma vez sem exemplo
Diz-se que "não se cospe no prato em que se comeu" (quem acompanha este blogue desde o início percebe a que me refiro), mas é com indiferença total que vou lendo e vendo as diferentes notícias sobre Fátima -, visita do papa, canonização das crianças Francisco e Jacinta e demais folclore. Deus me guarde no caminho do deserto...e me permita saborear o silêncio dentro e fora de mim. Ámen!
2017-04-29
2017-04-28
O homem da cidade vive numa ficção climática para crianças e já não sabe
quando e quanto deve chover. Ele acha, aliás, que nunca devia chover
nem fazer frio. E que o céu devia ser azul para sempre. Ao serviço do
homem da cidade, da sua ignorância e irresponsabilidade nesta matéria,
estão os jornais, a televisão, a rádio, a publicidade, toda a
informação, os poderes públicos, o poder político. Todas estas vozes —
unânimes — o persuadiram de que um mundo feliz é aquele em que nem uma
gota de água cai do céu e nem uma nuvem o escurece para vir perturbar os
momentos de lazer ou dificultar a chegada ao emprego.
A emoção não justifica (não pensa) a realidade: acolhe-a como intimação perigosa ou como harmonia afectuosa e cordial, como se o mundo estivesse a enviar sinais para a consciência. Na emoção, a realidade fala directamente com e para a consciência. No acto emotivo, não existe constatação e construção do real, mas acolhimento ameaçante ou cordial.
Miguel Real in "Nova Teoria do Pecado"
2017-04-26
[...]
E nós: espectadores, em toda a parte,
sempre a tudo voltados, nunca fora!
Isso inunda-nos. Pomo-lo em ordem. Cai.
Damos-lhe ordem de novo e então ruímos.
Quem nos virou assim do avesso, que
o que quer que façamos temos ar
de alguém que se vai embora? Como esse
que se volta na colina mais distante
para ver todo o vale inda uma vez -,
assim vivemos sempre num adeus.
Rainer Maria Rilke, da 8ª elegia
Trad. Vasco Graça Moura
2017-04-25
mas faria muito bem o Tony se, antes de rezar, meditasse nisto:
Todos nós damos vontade de rir. Somos uns pobres diabos. Usando um termo grosseiro: muita cagança, muita cagança e para quê? Somos pequeníssimos. Não é que uma pessoa tenha que aceitar a sua pequenez, mas parece-me bastante triste a vaidade, a presunção, o orgulho, tudo isso com que pretendemos ou queremos mostrar que somos mais do que efectivamente somos. Não será caricato ou ridículo, mas bastante triste.
uma contradição nada incomum
uma:
“Não faz sentido nenhum [dizer que censurei o Saramago]”, afirma. “O homem ficou rico à minha custa. E ganhou o prémio Nobel à minha custa. Eu sou acusado é de ter promovido o senhor Saramago a prémio Nobel. Tenho qualquer quota-parte nessa causa.”
e outra:
“Disseram-me: ‘És muito miúdo. Não sabes que há verdades que não se podem dizer?’ Fez-se clique. Olhei para o gajo e disse assim: ‘Mas comigo é que não’.”
Daqui
“Não faz sentido nenhum [dizer que censurei o Saramago]”, afirma. “O homem ficou rico à minha custa. E ganhou o prémio Nobel à minha custa. Eu sou acusado é de ter promovido o senhor Saramago a prémio Nobel. Tenho qualquer quota-parte nessa causa.”
e outra:
“Disseram-me: ‘És muito miúdo. Não sabes que há verdades que não se podem dizer?’ Fez-se clique. Olhei para o gajo e disse assim: ‘Mas comigo é que não’.”
Daqui
2017-04-24
NÃO HÁ OUTRO CAMINHO
para o Vítor
Os poemas podem ser desolados
como uma carta devolvida,
por abrir. E podem ser o contrário
disso. A sua verdadeira consequência
raramente nos é revelada. Quando,
a meio de uma tarde indistinta, ou então
à noite, depois dos trabalhos do dia,
a poesia acomete o pensamento, nós
ficamos de repente mais separados
das coisas, mais sozinhos com as nossas
obsessões. E não sabemos quem poderá
acolher-nos nessa estranha, intranquila
condição. Haverá quem nos diga, no fim
de tudo: eu conheço-te e senti a tua falta?
Não sabemos. Mas escrevemos, ainda
assim. Regressamos a essa solidão
com que esperamos merecer, imagine-se,
a companhia de outra solidão. Escrevemos,
regressamos. Não há outro caminho.
Rui Pires Cabral, in Morada, ed. Assírio & Alvim
2017-04-22
2017-04-21
2017-04-20
2017-04-18
2017-04-14
2017-04-13
2017-04-12
2017-04-09
nem o Eça ousaria tanto
É que habitualmente fala-se dos três pastorinhos, mas na verdade há dois processos a decorrer em fases muito distintas. Quando as pessoas rezam e relatam esses presumíveis milagres, referem-se aos três pastorinhos, ou só ao Francisco e à Jacinta, ou só à Lúcia?
Essa pergunta é interessantíssima, e se tiver a resposta agradeço-lhe imenso (risos)! Esta é a minha dificuldade agora, porque no nosso imaginário são os três pastorinhos, é muito difícil distinguir. Só ao Francisco ou só à Jacinta já há pouca gente a fazê-lo, até porque o meu papel é mesmo este, é difundir a santidade e dizer que eles estão juntos, e de facto as pessoas já os veem como os dois pastorinhos. O problema é que também incluem a Lúcia. Então, o meu papel é fazer perceber às pessoas que a Lúcia não é pastorinha, a Lúcia é Irmã Lúcia. É difícil, mas esta é a minha missão enquanto postuladora das duas causas. É mesmo dizer que se pedem aos três, em termos processuais, fico sem saber o que fazer. Não posso introduzir o caso.
2017-04-08
porque hoje é sábado
Henri Cartier-Bresson
“Chez Gégène”, Joinville-le-Pont, France, 1938
From Images à la Sauvette (Verve, 1952), p. 16
© Henri Cartier-Bresson / Magnum Photos
2017-04-06
mulheres de Abril
A liberdade que nunca se imaginara poder ser tão grande, as esperanças quase sem limites dos tempos que se seguiram. Sim, tudo isso, mas foi longo o caminho de muitos para lá chegarem – e o meu também foi.
[Joana Lopes, aqui]
2017-04-05
"o fruto permitido"
a ler os outros:
Em suma, perdemos a liberdade, a espontaneidade, a irresponsabilidade do
animal. O fruto existe e por isso sabemos que não podemos arriscar
tudo, comendo o que quisermos e a quantidade que quisermos. Há, pois,
limites e precauções a tomar. Mas também sabemos que, não sendo clara a
indicação do fruto, nada nos obriga a prescindir de qualquer um deles,
sem termos de ficar presos à camisa de forças da culpa. Somos e não
somos livres, somos e não somos racionais, somos e não somos totalmente
conscientes do que fazemos, em simultâneo. Ser humano sempre foi assim e
é assim que irá continuar a ser. Bom proveito.
2017-04-04
FÁTIMA
Estive na festa de Fátima. Vendo como se empurravam nas bermas
cães, burros, jornalistas, embaixadores, turistas,
e ao longo das estradas, de joelhos ligados,
em todo o asfalto, de cabeça perdida o povo se arrastava.
Com imprecações, gritos, lágrimas, gemidos,
por poças, montes de esterco, cacos de vidro,
arrastava-se para que a bênção de Fátima
viesse ao povo e o pudesse ajudar.
Arrastam-se camponeses, amargura no rosto enrugado
como haveria na mãe de Jesus Cristo
quando lhe devolveram, por fim, o filho crucificado,
tocando-lhe ao descer o seu corpo branco da cruz.
Arrastavam-se Madalenas, torciam-se, gemiam, ofegavam,
e semeavam lágrimas, confiando nessa sementeira,
mas só sorriam anjos rubros e impertinentes
arrastando a sementeira às costas, como rapazes traquinas.
E nos automóveis pretos, louvados os Apóstolos,
com buzinas que passavam pelos saloios arrastando-se na poeira,
corriam, como para o futebol, os ideólogos do andar de rastos,
os polícias de casse-tête sendo super-indulgentes.
E no estádio, com a voz forte da Phillips,
o comércio da fé deixava cair a sua palavra quente
sobre o mar de cabeças confusas e chapéus de jornal,
oscilando trémulas como um prato de pudim.
Apelava o comércio, estendendo as mãos bem cuidadas,
na altura em que nas estradas de Deus pejadas,
que se arrastavam ao longe sobre joelhos invisíveis,
o poente se mostrava através duma neblina como sangue através de ligaduras.
E o povo arrastava-se. E os tristes camponeses não sabiam
que os pastores de rebanho, de submissa e simples fé,
não só não podem — tudo podem os grandes no mundo! —
como não pensam tirar os seus filhos da cruz...
Yevgeny Yevtushenko, traduzido por Manuel de Seabra, in Antologia da Poesia Soviética, Editorial Futura, pp. 166-167, 1973.
obrigada, Henrique
2017-04-03
A mulher inclina-se na raiz da praia,
rente à espuma. Espera que a água lhe
suba pelos pés, atingindo a ponta das
saias. O seu corpo é surpreendido pelo
vento. O sol cresta-lhe as mãos molhadas
desde a manhã. O cão aguarda ______
protege-a da maré viva que se aproxima,
olha à sua volta e roda, afugentando as
gaivotas. Da colina que se encolhe para
dentro do mar, uma força estranha
vem cobrir a mulher de claridade e só
depois a envolve com um véu, fazendo-a
relembrar um naufrágio.
Jaime Rocha
"mulher inclinada com cântaro"
Ed. volta d'mar
2017-04-02
2017-04-01
2017-03-30
2017-03-28
assino por baixo
Se pesquisarmos Igreja portuguesa + violência doméstica obtemos os
mesmos resultados que obteríamos se pesquisássemos Igreja portuguesa+dildos . Por outro lado, todos nos habituámos a ver e a ouvir clérigos
portugueses a falar sobre tudo: política, troika, futebol, drogas etc.
Sendo que a grande maioria dos crimes contras as mulheres são cometidos
em zonas rurais ou semi-rurais, isto talvez cause admiração. Nas
pessoas com défice de atenção.
A Igreja não usa o poder político e mediático de que dispõe porque não
quer. E não quer porque está historicamente vinculada às bases mentais e
culturais na quais assenta o pressuposto. A mulher tradicional, a mãe
de família, tem por obrigação a obediência ao marido. O divórcio, a
maior causa da morte das mulheres é, ainda, um inimigo da Igreja. Como
dos maridos assassinos.
2017-03-27
no dia mundial do teatro
O nosso dia mundial do teatro não pode entretanto ignorar que, entre nós, e na Europa, se assiste a uma regressão do espaço de exercício da sua força institucional, voltando o teatro de novo a exercer-se em circuitos alternativos e marginais, estando por assim dizer acantonado, livre de existir na sua precária condição meio marginal, pelo menos aquele que não se vendeu conformando-se com um formato de existência e produção que de algum modo o nega. Há no teatro também um destino burocrático, mais de ritual da democracia do que ele próprio democratizante. Há muito folclore espectacular no seu lugar, muito não teatro, ou snobeira espectacular, que se faz em seu nome.
Com a austeridade novas formas de censura das liberdades do teatro surgiram e, mais que todas, aquelas que lhe tolhem o passo, pela via dos cortes, da censura económica. A austeridade significou uma limitação das liberdades e dos meios do seu exercício, uma limitação das fronteiras do teatro — também aqui se erguem muros, que, por muito bonitos que sejam são muros. Isso aconteceu ao teatro. E ainda não saímos desse golpe, num país em que, em boa verdade, o teatro, tal como ainda se pratica na Europa alargada que o inventou, desde a origem grega à invenção da encenação entre a França, a Alemanha e a Rússia, nunca teve um verdadeiro direito de cidade, tendo vivido, mesmo desde Abril, em circunstâncias de expressão pública muito limitadas, longe daquelas que devem propulsionar as suas potencialidades democráticas e de gosto estético, como arte social por excelência, como arte pública, como modo de qualificação dos portugueses. Estas potencialidades estão longe de ter sido exploradas de acordo com um verdadeiro propósito de cidadania e de liberdade de experimentação estética. O Estado nunca assumiu uma política cultural como componente da democracia, tal como em outras áreas, da educação à saúde.
2017-03-26

NEFTA
Chegas ao oásis de Nefta
e num oásis
passa a haver dois.
Escorpiões e cobras
dormem sobre as pedras
- o horizonte é mais que infinito.
Confundo-te com uma palmeira:
bebo o teu sumo
e embriago-me do teu néctar.
No turbante de índigo
os teus olhos azuis
- e o amarelo brilhante do deserto sem fim.
Também o encantador de serpentes
se encantou
por ti.
Não disse a voz do profeta
que nas dunas do teu corpo
não há limites?
Inquieto-me quando te preparas para dormir
- sei bem de que sonhos
o meu desejo se alimenta.
Amadeu Baptista
"Fragmentos Tunisinos"
Ed. volta d'mar
#imagem - Edward Steichen
2017-03-25
2017-03-24
Não há cigarras nas árvores. Os besouros
fugiram. Apenas os grilos vêm beber aos
degraus das casas. O cão rodopia sobre
si mesmo encantado com a luz, mas a
mulher vive indiferente a tudo isso____
Se houvesse aqui monumentos antigos
junto ao mar, ruínas arcos, cemitérios,
mas não, não existe nada,
diz a mulher.
É o seu corpo agora que se enrola no
vento à procura de um espaço pequeno
onde possa esconder os objectos e rezar.
Jaime Rocha
"Mulher inclinada com cântaro"
Ed. volta d'mar
2017-03-23
2017-03-22
a explicação do espiritual
O azul move-se em colunas entre o mar e o céu,
espesso como o som das cigarras o dia inteiro.
Linguagens humanas várias movem-se
leves na mesma conversa;
as mulheres nadam ao largo,
os homens ficaram a falar em casa,
os do mar cuidam dos de terra,
os de terra cuidam dos do mar,
os conhecidos dos desconhecidos
e sobre todos paira a cítara que Hara lida no terraço.
O sol amassa todo o arquipélago num único ponto do tempo,
fora do presente.
Isto e nada mais são todos os deuses do Olimpo.
A explicação do espiritual é tão simples como uma salada grega:
a diversidade é o logos da unidade.
(Tinos, 28 de Julho de 2014)
Imagem: Ísis em Delos. © Porfírio Silva
daqui
2017-03-20
2017-03-19
as palavras têm o seu peso
quando dizemos amor
a palavra levita como uma pena
no regaço de uma brisa de verão
quando dizemos ódio
a palavra cai na terra e levanta pó
é como uma pedra
arremessada sem perdão
mas se dissermos silêncio
quem por nós erguerá tamanho peso?
é palavra tão sem medida
que mil braços humanos não chegariam
para levantá-la um milímetro que fosse
desse chão onde o ódio nos espatifa
queria uma grua que levantasse o silêncio
à altura do nosso amor
para que daqui onde me encontro
pudesse continuar a olhar-te
à distância de um sonho
onde fosse autêntico como um punhal
cada vocábulo deste triste quadro
os teus lábios são um navio de esperança
a minha boca um porto de abrigo
e à deriva andamos ambos na ausência um do outro
enquanto reclamamos
de ser tudo como dantes:
tão indolente que parece morto
tão indolente que parece morto
do olhar do Henrique sobre uma grua numa obra abandonada. Um olhar particular sobre objectos e paisagens quotidianas, mas também sobre a cidade dos homens e os paradoxos que os habitam.
Antes de ler "A GRUA", poder ouvir ontem os versos lidos pelo autor e pelo actor Fernando Mora Ramos, bem como ouvir do Henrique as motivações para a composição poética, é saborear com redobrado deleite cada imagem poética que nos é oferecida generosamente pelo poeta.
2017-03-18
2017-03-17
2017-03-16
2017-03-15
2017-03-14
POEMA DE AMOR
Os segredos de amor têm profundezas difíceis de alcançar,
tal como a chuva que hoje cai e nos molha na calçada a face,
nos olhando triste uma saudade imensa
num corpo de mulher metamorfoseada.
Sou demasiado são para me esquecer
do tempo apaixonado que vivi nos teus braços
e bebo no teu um coração meu
adormecido no mar do meu cansaço
ou no rio das minhas secas lágrimas.
Tardará muito, se é que as horas contam,
ver-te, de novo, perto de mim, longe,
mas eu espero, sou paciente e, no meu canhenho, aponto,
um dia a menos, o da tua chegada.
E assim me fico, rente ao horizonte,
abrigado da chuva numa cabine telefónica,
e ligo para ti - que número? - ninguém responde
do oceano que avança e retrai colinas,
o vulto de um navio, tu na amurada
acenando um lenço, ó minha pomba branca!...
Como se tempestade houvesse e um naufrágio de chuva
- as vidraças escorrem, as árvores liquefazem-se... -
escurecendo os teus cabelos,
ou, se preferes, a minha boca neles
carregada de ilhas, de nocturnos perfumes
que ateiam lumes, ó minha idolatrada,
na minh'alma inquieta um outro bater d'asas
ou num jardim um leito de flores!...
Ruy Cinatti, in Obra Poética, ed. Assírio & Alvim
2017-03-12
se atentássemos a sério nisto, seria bem mais suportável a nossa humanidade
Temos dias em que somos capazes de tudo e outros em que julgamos tudo perdido. O mais corrente é a nossa mediocridade.
Bento Domingues, aqui
2017-03-11
2017-03-09
METAFÍSICA
Todas as árvores apaziguam
o espírito. Debaixo do pinheiro bravo
a sombra torna metafísica
a silhueta de tronco e copa.
Em volta da ameixoeira temporã
vespas ensinam aos meus ouvidos
louvores. As oliveiras não se movem
mas as formas da essência desenham-se
cada dia com o vento.
Na sombra os frémitos
acalentam o pensamento
até ao não pensar. Depois
até sentir a vacuidade
no halo das flores que o envolve.
Sob as oliveiras, por fim,
que não se movem contorcendo-se,
concebe o não conceber.
Fiama Hasse Pais Brandão, daqui
2017-03-07
2017-03-06
2017-03-05
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